MdG – Volume 4 – Capítulo 2 (Parte 1 de 4)

— Vamos, até que horas você vai dormi? Acorda!

O garoto ouviu a voz familiar de sua irmã mais velha no ar da manhã.

Ele se moveu preguiçosamente com muitos oof, aaah e outros sons inarticulados, até que uma luz forte penetrou seus olhos.

O amanhecer… era a manhã.

— Já é de manhã?!

O garoto se apressou para fora da cama de palha e deu uma bela esticada.

Ele expirou um pouco de ar que estava frio e confortável. Um aroma cheiroso de algum tipo flutuava até ele.

Pão!

Era o café da manhã.

— Se você não se apressar e se levantar, não vai sobrar nenhum café da manhã!

— Eu sei! — gritou ele de volta à sua irmã, depois mudou rapidamente suas roupas.

Se já estava de manhã, então ele não poderia perder nem mais um minuto, nem mais um segundo. Além disso, ele estava com fome.

Quando fecho os olhos, a manhã chega de imediato… então por que fico com tanta fome?

Talvez sua irmã saberia. Ele queria perguntar, mas nesse momento o café da manhã era mais importante.

— Dia, Mana!

— Acho que você quer dizer bom-dia — disse ela quando ele veio voando para a cozinha (e a sala e a sala de jantar, era uma casa pequena). — Céus. É por isso que temos de ter ela cuidando de você.

— Tsc… Ela não tem nada a ver com isso. — Quando a irmã se referiu a sua amiga de longa data que vivia na casa ao lado, o garoto pôs a mesma expressão aborrecida dela.

A vizinha era mais nova que ele, mas ela podia fazer quase tudo, então todo mundo o tratava como mais jovem e a fizeram responsável por ele. Ele ia se queixar com sua irmã sobre isso, mas ela só iria sorrir. Era de esperar que uma irmã mais velha poderia levar os sentimentos de seu irmão mais novo um pouco mais em consideração.

— Esqueça isso, apenas coma.

— …Sim, Mana.

Sua objeção foi impiedosamente rejeitada e ela gesticulou com uma colher grande para ele se sentar à mesa.

Os pratos na mesa incluíam pão — ainda fumegando — e uma sopa feita de leite. Havia ovos fritos nos dias em que as galinhas botavam, mas não acontecia com frequência. Sua comida favorita era guisado, que eles só poderiam fazer quando matavam uma das galinhas.

O estômago dele doía só com o cheiro delicioso.

Ele pegou a colher, determinado a não deixar nada esfriar.

— Ei, faça suas orações! — disse sua irmã, que parecia ter olhos nas costas, enquanto checava a sopa.

O garoto colocou com pesar a colher de volta na mesa e juntou as mãos.

— Ó, Aquele que é maior que os rios e mais vasto que os mares, obrigado por nos conceder a sabedoria para obter esse alimento.

— Bem, está bom!

Era típico nessas aldeias pioneiras acreditar na Mãe Terra, e o garoto se orgulhava do fato que sua família era diferente. Sua irmã aprendera a ler, escrever e fazer contas no templo do Deus do Conhecimento e ainda começou a ensinar ali pessoalmente. Era o que permitia sobreviverem mesmo após a morte de seus pais, e por isso, tinham que dar graças à divindade.

Mas…, pensou o garoto. Ele bebeu um pouco de sopa, depois arrancou um pedaço do pão e molhou antes de comer. Eu, eu quero ser um aventureiro.

Certamente não era algo que ele poderia dizer a sua irmã.

— Só não se esqueça de não ir para a Floresta Oriental!

— Eu sei!

— Volte ao meio-dia para ir ao templo!

— Eu sei, eu sei!

Com a sua irmã o avisando por detrás, o garoto partiu por um caminho que ele conhecia desde o nascimento.

Bem, talvez não exatamente desde o nascimento…

Nas suas costas balançava a espada de madeira que sua irmã lhe dera recentemente de aniversário. Uma de suas brincadeiras favoritas nesses dias era brandir ela por aí fingindo que era um aventureiro. Claro, em sua cabeça, não era fingir.

Meu grupo hoje é pequeno.

A garota vizinha estava indo para a cidade nesse dia. Injusto. Muito injusto.

— Nem eu nunca fui à cidade ainda. — Ele sacou a espada e deu alguns golpes descuidados nos arbustos.

— Tu aí, garoto! Não fique balançando essa coisa onde tem pessoas, é perigoso!

É claro, um fazendeiro de meia-idade de pé ali por perto o avistou e gritou. Ele devia estar regando seus campos. Houve um som quando ele esticou seus quadris inclinados.

— …Sim, senhor. — O garoto entendia que o que fazia refletia em sua irmã, então ele embainhou obedientemente a espada. — Desculpe.

— Tenha cuidado. — Batendo gentilmente na sua região inferior das costas, o fazendeiro começou a se afastar do campo, sorrindo por estar em uma pequena pausa. Ele veio até o garoto e soltou um longo suspiro, pegando uma toalha de mão da cintura e limpando o rosto. Ele estava coberto de terra, poeira, barro e suor, e o pano ficou rapidamente manchado de marrom.

— Onde está aquela garota que está sempre com você?

— Ela? Ela está na cidade hoje — disse o garoto com um toque de aborrecimento, mas o fazendeiro apenas assentiu.

— É mesmo? Entendi… Ela é muito doce. Talvez ela tenha ido buscar algumas roupas bonitas na cidade. Aproveite a expectativa, garoto.

— Não acho que ela fique bem em coisas chiques. — Ele estufou as bochechas. O fazendeiro lhe deu uns tapinhas com uma mão calejada e suja. Com a visão do garoto assim, o fazendeiro começou a rir de novo.

— Bem, espere até ver ela. Guarde isso para si mesmo por enquanto.

— Hmm…

— Diga, garoto. Você vai no templo ao meio-dia, não é?

— An-ham. Mana diz que tenho que estudar.

— Ela tem razão o suficiente quanto a isso. — O fazendeiro assentiu, então franziu a testa e bateu suavemente na parte inferior das costas com o punho. — Por acaso, meus quadris estão me incomodando de novo. Diga aos monges que preciso de um pouco de medicamento.

— Claro. Medicamento para seus quadris, entendi.

O garoto assentiu e o rosto cansado do fazendeiro desabrochou em um sorriso. — Bom garoto — disse ele. — Ah, e garoto. Você já foi avisado para ficar longe da Floresta Oriental, não foi?

— Sim, fui — disse o garoto, inclinando a cabeça. Agora que ele pensou nisso… — Mas por que é que não posso ir lá?

— O quê, sua irmã não te contou?

— Não. Nunca perguntei.

— Nessa Floresta Oriental… — O fazendeiro cruzou os braços seriamente, dando um suspiro profundo. — …Há goblins lá.

— Um aventureiro, hum? Será que eles nos ajudarão?

Seguindo o caminho rudimentar para fora da vila pioneira havia uma floresta densa e escura.

Na entrada tremia um dos jovens da aldeia, embora eles tivessem mais de trinta anos.

Aquele que falou segurava uma velha lança enferrujada, mas ele parecia inquieto e não muito seguro. Havia, afinal, mais de dez anos desde que fora à guerra carregando essa arma. E mesmo assim, a batalha terminara enquanto ele ainda estava na retaguarda, e a coisa todo não deu em nada.

Agora, qualquer um na aldeia que tivesse o mínimo de experiência em batalha fora chamado para enfrentar os goblins, mas eles não estavam muito bem preparados.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. Obrigado pelo capítulo.

    Pelo jeito vai começar a focar no passado do Goblin Slayer. Prevejo várias partes tensas desse capítulo…

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