MdG – Volume 4 – Capítulo 2 (Parte 3 de 4)

Ele balançou sua espada sem nenhuma razão, limpando os arbusto e galhos, e acertando as raízes.

Nada aconteceu. Havia apenas o silêncio de uma floresta silenciosa.

Nenhum aqui?

— Pff, eu o espantei…

O garoto limpou a testa com um movimento exagerado e secou as mãos na camisa. Ao tocar ela, ele percebeu que o tecido estava ensopado de suor e seu coração batia forte.

Ele engoliu em seco de novo e balançou a cabeça. Ele levantou a voz como se quisesse se tranquilizar.

— T-tudo bem, vamos voltar. Não quero preocupar Mana!

Ele se virou… e viu um goblin agitando uma clava.

— Ah… ahh…

— GORRB?!

O goblin parecia quase tão surpreso quanto ele. Ele congelou com a clava no ar.

A criatura era da altura dele, com a boca e olhos sujos. Pele verde-clara. E hálito de carne podre.

— Um g-g-goblin?!

— GB?!

Sua espada de madeira, que ele brandiu reflexivamente no pavor, bateu na cabeça da criatura com um tac seco.

O pensamento que atravessou a cabeça dele foi: Eu consegui! E o sentimento que percorria seu instinto era: Ah, não… Mas isso era tarde demais.

— GGGGG…

O goblin se levantou instavelmente, segurando a cabeça. Ele expeliu um pouco de sangue. O garoto se engasgou.

— GOORBOGOOROROB!!

O goblin deu um uivo com os olhos com raiva, e no mesmo instante o garoto fugiu como um coelho assustado.

Corre, corre, corre, corre. Tropeçar, quase cair, na verdade cair, se apressar em se pôr de pé e correr. Ele nem sequer sabia se estava saindo da floresta ou se aprofundando nela. Depois que ele estava fora da trilha, não havia como dizer em que direção estava indo nessa floresta.

— Ooof… ahhh…!

Ele estava sem fôlego. Ele estava com falta de ar. Sua garganta fisgava. Seu corpo inteiro doía. Seus pés estavam pesados. Mas ele correu.

Não havia tempo para olhar para trás. Ele não ouvia a voz do goblin, mas poderia ser por causa do zumbido nos ouvidos.

— Ah! Q-que…?!

O garoto chegara a um lugar onde nunca tinha visto.

Uma clareira, bem no meio da floresta. Sempre esteve ali?

E não só isso, e pensar que havia uma caverna!

Engolindo ar desesperadamente com a cabeça girando, o garoto rastejou para o arbusto. Não era com intenção de se esconder. Ele simplesmente não conseguia dar outro passo.

Sua respiração era vagamente audível enquanto se esforçava para se controlar.

Então…

— ……?

Ele ouviu passos ousados e despreocupados.

Ele espiou na direção do som, então bateu com as mãos na boca para abafar o “Oh!” que lhe escapou.

Goblins.

Dois deles, e nenhum deles havia uma ferida na cabeça. Isso tornava três então?

— GORBBRB…

— GROB! GBRROB!

Eles tagarelavam um ao outro, agitando as clavas em suas mãos, depois deram uma risada suja.

O garoto não podia entender a língua deles, mas podia supor o que diziam.

Porque ele mesmo dissera coisas parecidas, se esquentando para quando houvesse a luta por vir.

Estão indo para a vila!

Ele tinha que avisar a todos.

Seus pés se moveram sem que se desse conta. E quando se moveram, o arbusto farfalhou.

— GBRO…?

Tarde demais.

Os olhos amarelos hediondo dos goblins se viraram para o mato onde o garoto estava congelado.

Um dedo atarracado apontou e o outro goblin deu uma gargalhada maligna e aguda.

Um passo, outro. Os dois goblins se aproximavam.

Os dentes do garoto rangiam. De alguma forma, ele conseguira agarrar sua espada de madeira. Ele tinha que correr. Ele tinha que…

Mas como?

— GBOROBR?!

No instante seguinte, uma espada emergiu da garganta do goblin mais distante.

— GORB?!

O outro goblin se virou para o grito do companheiro.

Bem atrás da criatura que tentava agarrar o ar, esguichando sangue enquanto caia, o garoto o viu.

Ele era — tinha que ser — um aventureiro.

Um capacete de aço que parecia medíocre. Uma armadura de couro suja. Um escudo pequeno e redondo estava fixado no braço esquerdo, e ele segurava uma espada de tamanho estranho.

Ele não era nada parecido com os gloriosos aventureiros de fantasia ou os cafajestes que visitavam sua aldeia às vezes.

E ainda assim ele era, sem dúvida, um aventureiro.

— Esse é um.

A voz era baixa e fria, quase mecânica. O garoto não sabia como chegara aos seus ouvidos.

O outro goblin ficou desnorteado. O monstro olhou primeiro para a clava na mão, depois para o aventureiro, então para a entrada da caverna.

E ele começou a correr para a entrada.

Vingança, raiva e medo o levaram a fazer isso pelos seus companheiros.

Nesse tempo, o aventureiro puxou a espada do cadáver do goblin morto.

— Dois.

Ele a ergueu e lançou.

— GOROB?!

O goblin foi arremessado para a frente, se contorcendo, com a lâmina perfurando sua coluna vertebral, embora o garoto sequer soubesse o que uma coluna vertebral era.

Por fim, a criatura no chão se contorceu de novo, então ficou imóvel.

— Hmm.

O aventureiro deu um grunhido baixo e caminhou até os dois corpos com passos ousados e despreocupados.

Ele arrancou a espada, retirando filamentos de matéria cinzenta com isso, então estalou a língua e a jogou longe.

Em vez disso, o garoto o observou pegar algo como uma adaga do cinto de um dos goblins.

— Oh…!

Não… Você não pode… Há mais… As palavras foram saindo dele de uma vez só.

— Ainda há outro goblin por aí!

A reação do aventureiro foi rápida demais para se ver. Ele girou, ergueu a adaga e apontou, tudo em um único movimento. Houve um assobio de vento, um grito ainda em formação e uma pancada seca de alguma coisa pesada caindo no chão.

— GBOROB?!

O goblin de mais cedo estava atrás dele, não muito longe, engasgando e se asfixiando no sangue saindo da garganta.

— Oh…!

Só então o garoto percebeu quão perto estivera de se matar.

A espada de madeira escorregou de suas mãos trêmulas, caindo no chão a seus pés.

— Esse é três então.

Esmagando a grama e empurrando para o lado os arbustos, o aventureiro se aproximou. Sua luva de couro surrada pegou a arma de madeira do chão, depois a estendeu para o garoto.

— Hã? Ahh…?

— Desculpe. — Quando o garoto pegou vagamente a espada, o aventureiro continuou, calmamente e friamente, mas inequivocamente. — Obrigado pela ajuda.

Ele foi para a caverna sem olhar para trás, e o garoto observava-o ir.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

10 Comentários

  1. Estou aliviado de não ser a história do Matador de Goblins!
    Será esse garoto o próximo a se tornar um Matador de Goblins? Ou ele Irá atrás de dragões?…

  2. Que bom que o MdG salvou o garoto.
    E como de costume o MdG mostrando que é bom no lançamento.

  3. Obrigado pelo capítulo.

    Ainda bem que aconteceu exatamente o que eu comentei na parte do capítulo passado.

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