MdG – Volume 4 – Capítulo 3 (Parte 3 de 5)

— As pessoas que podem comer, deveriam comer.

— Acho que é uma contradição de termos…

— É por isso que me deixa louca quando as pessoas ignoram a minha comida! — disse Garçonete Felpubro, mostrando sua raiva quando sacudia a cauda vigorosamente. Não estava claro até que ponto o aprendiz compreendia o gesto único da felpubro.

— Você entende que isso tem a ver com a minha honra como garçonete? Ou não? Gostaria de saber se você segue o meu raciocínio!

— Bem… — O aprendiz coçou o rosto com a ponta do dedo de constrangimento. — …Acho que não gostaria que as armas que faço fossem jogadas em qualquer lugar por aí.

— Imaginei que não.

— Aquele cara joga as espadas de todas as formas — resmungou o aprendiz. E as lâminas infelizes nem sequer eram obra do aprendiz (ele ainda não tinha permissão para expor seu trabalho na loja) mas do seu chefe.

— O chefe diz: “Você é o único que pode ficar verdadeiramente satisfeito com seu próprio trabalho”.

— Bem, eu quero que aquele esquisito experimente a comida de nossa taverna.

— Não é como se ele não comesse, é?

— É por isso mesmo! — Garçonete Felpubro se inclinou sobre o balcão da oficina, que foi lustrado. O balcão pressionava os peitos dela, tal como estava, e o garoto aprendiz desviou os olhos o mais casualmente possível. — Depois de suas aventuras, ele normalmente não come.

— Eu… eu acho que já ouvi sobre pessoas que não comem antes de irem…

— Ahhh, caramba. Talvez ele não goste de nosso cardápio…

— Isso está realmente te incomodando de repente. — Os olhos do aprendiz desceram lentamente, e ele os ergueu apressadamente de novo. Suas bochechas coraram. — Qual é o problema?

— Quero dizer, ele nunca costumava vir à taverna, não é? — disse ela, aparentemente inconsciente do olhar do garoto. — Há quanto tempo ele está aqui mesmo?

— Cerca de cinco anos, não é?

— Não sei…

Para Garçonete Felpubro, a questão de saber quando o aventureiro apareceu era trivial. Se alguém prestasse atenção a essas coisas, ela teria igualmente se lembrado de quando eles sumiram. Assim que começa se preocupar sobre onde fulano tinha ido depois de um tempo, você se perde. Era preferível pôr toda sua energia em acolher as pessoas que estavam aqui agora. Ela aprendeu isso no seu primeiro ano.

Agora que penso nisso, a recepcionista não começou a se animar cinco anos atrás?

Garçonete Felpubro estava ali estendida com o peito no balcão, murmurando “Hmm…”.

O garoto aprendiz tentou evitar olhar para ela, mas de alguma forma continuou olhando na sua direção. Seus olhos se moviam para direita, depois para esquerda, de novo e de novo, até que em pouco tempo eles se focaram em um único ponto.

— Oh!

— O quê? — Garçonete Felpubro se ergueu, com as orelhas balançando.

— Não sei se é verdade ou não — disse o garoto aprendiz, balançando a cabeça, — mas ouvi dizer uma vez que ele gosta de guisado. Carne.

— Guisado de carne, é?

— Correto!

Parada na frente de uma panela grande e borbulhante, Garçonete Felpubro estufou o peito. Ao lado dela, o chef estava em uma escadinha para olhar a panela, com os braços cruzados e murmurando “Hmm”.

— Desculpe, velhote. Você está tendo que me ensinar e tudo mais.

— Bem, se você aprender a cozinhar, posso dormir um pouco mais sossegado.

— Ah, pare de denunciar sua idade, velhote.

— Acho que talvez é minha idade falando. Sou como uma manteiga espalhada demais.

— Quer dizer o seu espírito?

— É como se eu estivesse esticado e puxado. — Com um “com licença”, o chef pegou uma colherada do guisado e provou. — Hmm, nada mal. Deixe cozinhar um pouco mais.

— Está beeem!

Essa seria sua chave para a vitória.

O chef olhou para Garçonete Felpubro enquanto ela soltava um “Oba!” a plenos pulmões e murmurou:

— Mas gostaria de saber o que um aventureiro iria achar disso…

— Hum? — Ela congelou instantaneamente. — Não estava bom?

— Ehh, eu não diria isso. — Ainda que se ele dissesse alguma coisa, nunca poderia parar. Chef Rhea coçou seu nariz arredondado. — Bem, pense por si mesma.

— …Céus. Você vai arrepender do dia em que me deu tempo para pensar!

— Har har! Continue.

Garçonete Felpubro olhou para seu chefe com os olhos entreabertos enquanto ele acenava com a mão, depois ela voltou sua atenção ao caldeirão.

Olhar atentamente para ele não era a forma de descobrir algo, contudo…

— Minha nossa, bem me parecia que cheirava algo bom aqui…

Ela ouviu uma voz familiar e dois tipos de passos. O sino da porta não tinha tocado. Os recém-chegados vieram de outra parte do edifício.

Garçonete Felpubro colocou a cabeça para fora da cozinha e levantou a mão alegremente para suas duas colegas.

— Olá! Estou fazendo a comida. O prato do dia… guisado de carne!

— Oh, guisado, isso é ótimo.

— Oooh, guisado de carne!

Elas eram suas colegas, embora estritamente falando, elas eram funcionárias e ela apenas uma assistente, apesar das três trabalharem na Guilda.

Mas Garçonete Felpubro não dava atenção a essas distinções, nem estava nervosa com Garota da Guilda e Inspetora.

— Obrigada. Hã? Vocês vieram almoçar? — Ela podia ver quando espiou pela janela que o sol ultrapassara seu auge e começava a descer. Não era exatamente o crepúsculo. — Já é bem tarde para isso.

— Nós meio que perdemos…

— Isso não é bom, como esperam manter seu corpo dessa forma?

Ou elas o “perderam” porque…?

Certamente não havia nada errado em deixar seus olhos aguçados se virarem por um instante para um lugar particular.

— Você está certa. Estou faminta… — disse Garota da Guilda, com a mão na barriga. Garçonete Felpubro odiava aquele estômago.

Temos que engordá-la.

— Entendi, então, experimentaria um pouco disso? Serviremos isso aos aventureiros essa noite.

— Claro, se não se importa — disse Garota da Guilda com um sorriso e um aceno. Depois ela acrescentou: — Ah, mas…

— Hum? — Garçonete Felpubro inclinou a cabeça.

Garota da Guilda disse desajeitadamente: — …Me pergunto o que os aventureiros vão pensar disso.

— É… Parece meio sangrento.

— Oh…

Agora que elas haviam mencionado isso, ela também pôde entender o que queriam dizer. O estoque, que incluía tomate, era preto avermelhado; pedaços de carne borbulhavam para superfície.

Enquanto Garçonete Felpubro ficava ali murmurando consigo mesma, ela sentiu uma mão minúscula bater nela por trás.

— Quêê!

— Desculpe, senhoritas, por favor, não interfiram em meus ensinamentos.

Era, desnecessário dizer, o chef. O homem de meia-idade que apareceu ao lado delas bateu com raiva em sua barriga rotunda, e colocou uma expressão severa no rosto. — Eu esperava ver se essa garota notaria por si mesma.

— Ah, céus, nos perdoe.

Garota da Guilda deixou escapar um pequeno riso e, indicando o guisado, disse: — Vamos almoçar aqui então. Para se desculpar.

— Então vocês devem… comer bastante! Só o guisado é suficiente?

— Ah, está bem. Vejamos então. Pão e… Pode me trazer um chá preto?

— E muita geleia para acompanhar!

— Com prazer!

Garota da Guilda e Inspetora fizeram seus pedidos; Chef Rhea lhes deu uma resposta animada e apertou o avental.

— Bem, não fique aí parada… ao trabalho, ao trabalho!

— Ergggg… simsenhor!

Agora não havia nada a se fazer. A comida estava pronta e quem quisesse comer comeria.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

  1. Uma nova rival?!
    Essa Garçonete Felpubro está bem motivada para fazer o MdG “prova sua comida” kkkk

    PS: Vou repetir, Garoto Aprendiz abra bem o olho kkkk

    1. Ele já tem uma recepcionista, uma sacerdotisa, uma elfa, uma vaqueira, a donzela da espada e agora uma garçonete?
      Daqui a pouco vai ser mulheres nobres e princesas…

    1. Acredito que pra ela ele vir e nao comer algo eh um desafio pra ela, isso justifica a forma como falou com ele antes ahauahuaha

  2. Obrigado pelo capítulo.

    O Goblin Slayer mesmo sem mostrar o rosto, ainda consegue atrair a atenção das mulheres.

  3. Queria saber a reação da Garota da Guilda se soubesse que ela está fazendo o guizado especialmente para o Matador de Goblins hauahuahauhau

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