MdG – Volume 4 – Capítulo 3 (Parte 4 de 5)

Garçonete Felpubro se apressou com suas tarefas, e no devido tempo, a noite caiu.

Quando o sol se pôs completamente, aventureiros surgiram na taverna como sempre.

Previsivelmente, o guisado de carne parecia inesperado, e os compradores poucos.

Será que eles não queriam isso logo após uma aventura? E mesmo assim servir guisado de carne logo de manhã parecia…

— …Na verdade, talvez iria funcionar pôr no cardápio do café da manhã.

Ela se ocupou com esses pensamentos otimistas até que finalmente um aventureiro veio andando com um passo audaz.

Por um segundo, cada olhar na taverna se virou para ele e a conversa parou, mas rapidamente foi reanimada.

A armadura de couro suja, o capacete de aço medíocre, o pequeno escudo redondo no braço e a espada de tamanho estranho no quadril.

Ele atravessava o edifício da Guilda, indo para fora. Ele nem sequer olhou na direção da taverna.

Como se eu fosse deixar você ir embora!

Garçonete Felpubro correu até ficar na frente dele e o fixou com o dedo.

— Senhor, o prato do dia é guisado de carne!

— É?

— O que gostaria de pedir?!

— Nada. — disse Matador de Goblins. — Estou bem por hoje.

— Pensei que disse que ele gostava de guisado de carne!

— Eu disse que foi algo que ouvi dizer.

Era meia-noite.

Em meio à luz fraca do lampião, Garoto Aprendiz parecia bastante satisfeito com a terrina com guisado de carne que ela trouxera para ele.

Isso não ofendeu exatamente Garçonete Felpubro, mas ela franziu os lábios e olhou feio para ele mesmo assim.

— Ooh, pedaços de batata. Perfeito.

— …Tem certeza de que não disse isso só porque queria um pouco de guisado de carne?

— De jeito nenhum. Bem, talvez só um pouquinho. — Garoto Aprendiz deu um grande sorriso para ela.

A carne bem cozida era tão macia que poderia ser cortada com uma colher. Mas não estava molenga; ainda parecia o ideal para morder. E os sucos jorravam cada vez que era mastigado, o óleo e a base da sopa estavam deliciosos, mesmo que estivessem um pouco frios.

Quanto aos vegetais, ele gostava de massudo e espesso.

— Então, o que anda fazendo?

— Estou recolhendo limalha de quando fizemos a afiação.

Garçonete Felpubro observou ele com interesse genuíno, e ele respondeu enquanto devolvia a terrina à ela.

Ele varreu um canto da loja de ferraria com uma vassoura, o tempo todo pensando que isso não era para ele.

— Vocês fizeram bastante, até para facas. — Ele não salientou que algumas pessoas consideravam espadas nada mais que facas gigantes.

A afiação foi realizada desbastando o metal contra uma pedra de amolar na forma de uma roda de carroça, então o processo produziu bastante cavaco. Certificar-se de que foram devidamente limpos era um dos vários trabalhos importantes do aprendiz.

Além disso, havia também o fato de que misturá-los com certos metais fazia seu material durar mais. Às vezes, também se utilizava limalhas quando um trabalho urgente exigia mais suprimentos do que tinham.

O que realmente quero é se apressar e fazer algum artigo de ferraria, no entanto…

Como um aprendiz, ele ainda estava aprendendo. Obviamente, ninguém iria confiar nele a importantíssima produção de armas e armaduras.

Assim, ele acreditava que simplesmente teria de se dedicar o máximo possível ao que lhe foi dado para fazer.

Não é como se não entendesse, esse sentimento de ver seus esforços completamente ignorados.

E se ele exibisse as armas que tivesse feito — no futuro, é claro — e elas fossem sumariamente ignoradas?

— Quer saber ao menos o porquê, não é? — perguntou ele.

— É, exatamente! Não consigo aceitar dessa forma… aceitação é muito importante!

— Hummm — murmurou o aprendiz, cruzando os braços. Então ele repentinamente descruzou e bateu as mãos, exclamando: — Ei, é isso!

— O que foi? Teve uma ideia, Ó futuro mestre ferreiro? Conte-me!

Quando Garçonete Felpubro se inclinou na direção dele, uma fragrância de algum tipo flutuou do cabelo dela. Era o odor da cozinha, o cheiro herbáceo único para os Felpubros, sabão, e outra coisa, algo doce. Garoto Aprendiz engoliu em seco e acenou com as mãos.

— B-basta perguntar! Pergunte a alguém que saiba mais.

— O quê, quer dizer como o velhote na cozinha?

— Não — disse ele. — Quero dizer a garota da fazenda.

— O que é isso? Guisado?

— An-ham!

Era o término da manhã, na porta de serviço atrás da Guilda.

Vaqueira descarregara a mercadoria com um “Hhup!” e agora pestanejava para Garçonete Felpubro.

Seus seios generosos saltaram quando ela deu um suspiro e limpou o suor da testa.

Garçonete Felpubro estava bem ciente de que ela mesma estava na média, na verdade, talvez um pouco mais do que a média; seguramente não menos. Mesmo assim…

Talvez estejam cheios de leite?

Ela não conseguiu impedir que o pensamento sórdido atravessasse sua cabeça.

De acordo com a fofoca do escritório, Garota da Guilda trabalhava sem parar para manter sua figura, nesse aspecto, Garçonete Felpubro ainda estava muito bem.

— Tenho certeza de que você é uma melhor cozinheira do que eu. — Vaqueira corou e juntou as mãos na frente do peito desajeitadamente. — Só sei fazer coisas que que se faz em casa…

— Não tem a ver com se é ou não boa em cozinhar. — Garçonete Felpubro se sentou em um barril com a leveza de uma felina. Ela passou a pena pelo recibo preso a prancheta que segurava. Os assuntos financeiros era o trabalho dos funcionários da recepção, mas checar o pedido era trabalho dela.

— Eu sei que pergunto isso sempre, mas tem certeza de que não quer olhar dentro?

— Meu nariz sabe. Está tudo bem.

Garçonete Felpubro deu uma pequena gargalhada orgulhosa e esticou o peito que pressionava seu avental. Sabendo, é claro, que nunca poderia ganhar essa disputa, ela rapidamente balançou a mão para mudar de assunto.

— Como eu disse. Não se trata de se você sabe cozinhar. Há um cara que não come, e eu tenho andado matutando sobre isso.

— Tem um aventureiro que não come?

— Alguma coisa errada?

— Não… — Vaqueira deu um sorriso conturbado e coçou a bochecha. — …Ele não tem má intenção.

— Essa é a questão!

— Humm… — Vaqueira parecia um pouco perdida com a insistência de Garçonete Felpubro. Ela limpou o suor com o braço, depois se sentou em uma caixa próxima.

Ela começou a balançar as pernas, despreocupadamente, então fixou Garçonete Felpubro com um olhar.

— É só isso?

Para um humano ou semelhante, o tom dela não teria soado diferente do normal. Mas nem tanto para Garçonete Felpubro. Suas orelhas aguçadas detectaram o mínimo estremecimento na voz de Vaqueira.

— É só isso o quê? — Ela inclinou a cabeça, fingindo não notar nada.

— Bem, hum, sabe. — Vaqueira não conseguia dizer bem as palavras, e seus olhos se moviam de um lado para o outro. Ela respirou fundo. — …Você quer dar a alguém que goste ou algo assim?

— Ahhh, não, nada disso.

Garçonete Felpubro deu uma risada calorosa e balançou a mão como se tivesse acabado de ouvir uma piada.

— Não tenho ninguém para cozinhar além dos clientes…

Sua mão parou de se mexer.

Bem, talvez uma pessoa.

Antes que percebesse, sua expressão mudou e ela a cobriu com a mão peluda.

Havia uma pessoa para quem ela sempre dava a comida que fazia.

— …Acho que poderia dar um pouco para aquele cara da oficina.

— …

Vaqueira olhou intensamente para o rosto de Garçonete Felpubro. Seus francos olhos vermelho-claros pareciam prender a felpubro no lugar.

— O-o que foi…? — perguntou Garçonete Felpubro, mas por um momento, Vaqueira não disse nada.

— …Bem, certo, então — disse ela indiferentemente depois de um tempo, e Garçonete Felpubro se viu soltando um suspiro. — Vou te dizer. Você tem algo para escrever?

— Bem aqui — disse Garçonete Felpubro, virando toda a papelada. Ela segurou a pena e disse: — Continue. — Vaqueira deu um sorriso impotente.

— Humm, está bem. A forma como se faz é…

E então ela explicou a receita em detalhes.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

5 Comentários

  1. A Vaqueira foi bem cautelosa, primeiro confirmou que a Garçonete Felpubro não queria nada com o MdG para depois lhe passar a receita…

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