MdG – Volume 4 – Capítulo 4 (Parte 1 de 5)

Para esse goblin, tudo era apenas o pior, o pior, o pior.

Eles estavam no fundo de um pequeno buraco que causaria claustrofobia e que não poderia ser chamado de confortável por qualquer que seja o ponto de vista. E ele fora colocado na frente de uma porta que cheirava a fedor bisonho.

— Não! N-não, pare com isso… Pa-paaaugh!

Ele espiou através da fenda deixada pela porta de madeira mal ajustada para encontrar seu companheiro no meio de seus negócios. Ela não tinha desejo de ver o pequeno traseiro sujo de outro goblin, mas o traseiro da fêmea — que estava nesse momento agarrada, chutando o ar — que ele queria ver.

— …? GROB! GBROOB!

Mas o outro goblin o notou observando e gritou com ele, no qual ele se virou rapidamente.

Isso era como sempre era. Você é o sentinela, então fique de guarda, diziam eles, e ele ficaria esperando pela sua vez. Eles poderiam pelo menos deixá-lo assistir.

Esses eram os pensamentos que passavam pela cabeça dele enquanto analisava a lança que segurava. Ela tinha uma ponta de metal e um cabo de madeira de carvalho, mas a haste tinha sido quebrada violentamente ao meio.

Foi o goblin que quebrara. Ele achou que era muito longa e pesada para usar, e se ele quebrasse, então teria duas lanças.

A arma estava praticamente reluzente quando a conseguiu, mas agora a ponta e o cabo estavam cobertos por uma sujeira carmesim.

Ele tinha ficado feliz quando recebeu o trabalho de sentinela juntamente com a lança que tiraram da mulher, mas…

— GBBORB…

Ele não tinha a menor ideia de como conseguiria retirar a mancha. Agora que pensava nisso, talvez o cinto bonito e arrumado que o outro goblin ficou teria sido melhor. Aquele goblin tinha um cinto tão bom e ainda teve a audácia de roubar olhares nessa lança.

Ele não conseguia aguentar. O cinto lhe convinha mais do que aquele goblin. É. Nenhum cinto serviria naquele tolo.

Ele é parte da minha família, então se ele morresse, eu poderia tê-la.

Em uma horda, quase todos eram parentes de sangue, mas isso não passava pela sua cabeça. Seu pequeno cérebro tacanho começou a fumegar ao pensar com algo que ele não poderia ter.

— E-eeeeiaaaaaghh!

Como a fêmea.

Cada vez que ele via os outros se divertindo, fazendo o que queriam com ela, inveja ardia em seu coração.

Ele fora deixado no ninho sobre a justificativa de que era o sentinela, e ele nunca tinha chegado a ter uma das capturas para si. Ele havia feito parte de um grupo em várias ocasiões, mas nunca experimentado o prazer singular de ficar sozinho.

A mulher naquele lugar era típica: se esforçando, lutando e se recusando a desistir, não importava quanto tempo levasse. É claro, os goblins estavam fazendo o que normalmente fariam perante tal demonstração de desprezo; machucá-la, domá-la.

Havia uma que parecia ter desistido, abaixado como uma bola e esperando a tempestade passar. Mas depois ela morreu enquanto eles se divertiam tentando descobrir o que seria necessário para fazê-la gritar.

Havia outras que se desculpavam profundamente com os goblins, se curvando de joelhos, raspando a cabeça contra o chão e empinando o traseiro.

E uma vez, porque os goblins fariam qualquer coisa, eles cortaram um a um os braços e pernas de uma delas, cozinharam e comeram.

Então, isso foi saboroso.

Ele não conseguia se lembrar de quando ou onde tinha sido, mas ele lambeu os beiços.

Essa era, em última análise, a relação entre goblins e as outras raças. Se esses últimos fossem fortes, os primeiros não teriam escolha senão encolher e obedecer. Mas se uma criatura estivesse morrendo diante deles — seja um ogro ou um demônio — eles iriam em massa sobre ele e devorariam. Era assim que os goblins eram.

— GOBRBOB…

— GBORB?!

Seu companheiro, tendo terminado seu negócio, abriu a porta e saiu. Talvez tivesse lhe dado muita coragem, porque no caminho ele deu uma risada zombadora dissimulada.

Esse companheiro pensava que “guarda” significava apenas andar pelo ninho, e aqui estava ele rindo do sentinela. Isso deixou o sentinela com tanta raiva que ele deu ao outro goblin um golpe no traseiro com o cabo da lança.

— GOBORB?!

O sentinela gargalhou quando o outro goblin deu um salto no ar. Sua vítima veio até ele com os punhos erguidos, assim ele virou a lança e ofereceu a ponta.

— GROB! GBOOROBO!!

Em outras palavras, esse era o seu posto, então se o outro goblin não tivesse mais negócios ali, ele deveria seguir seu rumo.

O outro goblin não retrucou a autoridade de um trabalho atribuído. Quando ele se afastou resmungando, o sentinela cuspiu Bem feito e sorriu.

Agora vem a parte divertida.

O sentinela olhou para a esquerda e a direita, se certificando de que ninguém poderia vê-lo, então entrou pela porta que estava apodrecendo.

— GBOB…?

A fêmea olhou para cima, dando apenas um “ahh” e “agh” mesmo quando a chutou. Mal poderia se dizer que ela estava viva ou não. O goblin deu a ela um golpe suave com a lança, e ela imediatamente gritou “Gaaah!”. Ele continuou algumas vezes mais, e ela produziu alguns tipos “iaaargh” interessantes de sons.

Bah. Sem vantagens como essa, seria impossível suportar o trabalho difícil de sentinela. Era irritante, no entanto, que eles o avisassem para não a deixar morrer.

Eles iriam ficar bravos com ele se ela morresse quando ainda queriam mais diversão com ela. Mas, um pouco de raiva em troca de alguém assim? Valeria a pena o problema.

— Devol… Devolva…!

— GRRORB!

O goblin inclinou a cabeça para a mulher, que finalmente começara a fungar e soluçar.

Humm, essa lança pertence a essa fêmea, não é?

A lança, como a mulher, não duraria muito tempo. Ele achou o pensamento estranhamente engraçado e deu uma risadinha.

Ele teve o seu divertimento com a mulher até que ela não pudesse mais fazer nenhum som, e então vagou pelo ninho.

Ele se certificou de que ela ainda estivesse viva — ainda se contorcendo, pelo menos — e até mesmo cuidou do banheiro.

E logo seria a “manhã”. Os aventureiros só vinham à “noite”.

Ninguém pode pegar no meu pé por nada.

Goblins sempre levavam as coisas da forma que lhes pareciam melhor.

— GOROB! GOOBORROB!!

— GBBROBOG!!

Ele esteve andando pelo ninho por um tempo quando ouviu gargalhadas espirituosas.

Eram os batedores.

Dois ou três estavam sentados juntos, bebendo vinho de uma tigela quebrada.

Eram eles que procuravam as estradas ou aldeias aos arredores por presas desprevenidas, se aventurando em uns ou dois. Então era normal que muitos deles tivessem benefícios adicionais.

Não era incomum para eles voltarem cedo para um lugar que os goblins acreditavam ser seguro, para se divertirem. Eles sempre estavam embolsando alegremente os itens que roubavam de quem quer que encontravam. Mas o trabalho deles era fácil, se agrupar para atacar sua presa. O sentinela trabalhava tão duro o tempo todo, e esses caras…!

E quanto ao trabalho de guarda?!, pensou ele, indignado por ser ignorado. Ele tentou lhes mostrar a extremidade da lança, mas eles apenas olharam feio para ele.

— GOBOR…?

— GOROBOR!

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

5 Comentários

  1. Obrigado pelo capítulo.

    Só de ler essa parte do capítulo, minha raiva contras os goblins já subiu para mais de 8000!

    Mal posso esperar para o Goblin Slayer aparece e mata todos eles!

  2. Como eu odeio esses goblins!
    Tava demorando o autor fazer algo assim, já que estamos falando de Matador de Goblins.

    Só espero que o MdG não demore muito para aparecer.

  3. Que raiva que fico com esse ponto de vista dos goblins, tem tudo que morrer mesmo.
    Obrigado pelo capitulo

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