MdG – Volume 4 – Capítulo 5 (Parte 3 de 5)

Vaqueira riu involuntariamente, induzindo uma olhada intrigada de Sacerdotisa.

— Nada, nada — disse Vaqueira, balançando a mão e com o sorriso ainda no rosto.

O que quer que ele pudesse dizer, ele estava ligado claramente a um grande número de pessoas.

Nada como eu, hum?

— …Ei. Como ele é? Quero dizer, geralmente.

— Como ele é? Como assim?

— Só queria saber se ele, sabe, é um pé no saco ou algo assim…

Vaqueira juntou as mãos atrás de si e virou, mas Sacerdotisa balançou as mãos e disse: — Ah, nem um pouco! Ele sempre está me ajudando e tudo mais. Temo que seja eu quem cause todos os problemas…

Não parecia haver qualquer falsidade nas palavras ou expressão de Sacerdotisa.

Vaqueira colocou a mão de alívio em seu peito farto. Alívio de que ele não estava causando problemas? Ou que ele não era desagradável? Ela não sabia qual.

— Mas… — Sacerdotisa baixou a voz e piscou provocantemente. — …Talvez ele seja apenas um pouco chato.

— Ah, é?

As duas se entreolharam e riram.

Era questionável, de certa forma, se ele era o assunto que compartilhavam, mas ao mesmo tempo, ele era fácil de se falar. Como ele poderia ser estranho, sério, obtuso e não se podia deixá-lo fazer o que tivesse vontade. Isso lhes dava bastante material para conversar.

— Mas é verdade que devo muito a ele.

Sacerdotisa descreveu um lado dele que Vaqueira nunca tinha visto.

Como quando o vira pela primeira vez, ela pensou que ele era algum tipo de monstro. De quando ele estava, aparentemente, tentando agir como um aventureiro ranque Prata. Do quão rápido ele ficou embriagado quando o grupo se reuniu para beber. De como ele sempre estava disposto a assumir a guarda dado ao grande número de conjuradores no grupo.

Isso se parece bem com ele, pensou Vaqueira. Mas ela também pensou: Ele foi beber com todo mundo?

— E ele me ensinou muito sobre aventura.

— Tipo o quê?

— Tipo… — Sacerdotisa tocou os lábios com o dedo. — Cota de malha, por exemplo.

— Cota de malha…?

No fundo de sua mente, Vaqueira tentou imaginar todos os itens que ele mantinha em seu galpão. Cota de malha era um de seus equipamentos favoritos. Ela se lembrava dele a polindo cuidadosamente com óleo. Ele até mesmo lhe mostrou como fazer reparos de emergência em partes danificadas usando fio.

— Mas… — Ela se lembrou repentinamente de uma pergunta que tivera há muito tempo. — Ela não é pesada?

— Se você atar um cinto em volta do quadril ou no abdômen, o peso se espalhará pelo seu corpo inteiro, então não é tão ruim. — Depois ela acrescentou: — Mas seus ombros ficam rígidos.

Vaqueira assentiu. Fazia sentido. — É difícil ser um aventureiro, hein…

— Eu uso cota de malha, mas entendo que muitos usuários de magia não gostam nada de usá-la. — O anão, por exemplo, parecia ignorá-la.

Vaqueira assentiu evasiva às palavras de Sacerdotisa. Havia uma antiga tradição de que metal interferia com a magia, mas ela não sabia o quão verdadeiro era. Ela estava meio convencida de que deveria ser superstição, mas de vez em quando havia pessoas que queriam ferraduras para afastar a magia.

Magia, bruxaria e milagres divinos eram coisas que Vaqueira não sabia nada.

O que ela estava mais interessada era…

— Cota de malha, hum?

— Perdão?

— …Ei, a Guilda lida com cota de malha, armadura, capacetes e coisas assim, não é?

— O quê? Ah, sim — disse Sacerdotisa, assentindo apressadamente. — Eu comprei a minha lá.

— Nesse caso… — Vaqueira sorriu como uma criança escapando dos pais para brincar. — Que tal olhar um pouco a loja?

— C-caramba…

E lá, na frente dos olhos de Vaqueira, estava uma roupa íntima.

Ou, mais precisamente uma armadura que era praticamente uma roupa íntima.

Era um conjunto que incluía apenas uma cobertura para o peito e uma coisinha para a parte inferior do corpo. Categoricamente falando, poderia ser chamado de armadura leve.

Em termos de mobilidade, superava facilmente um conjunto completo de armadura de metal.

A armadura em si era lindamente curvada, elaborada e sólida. Desse ponto de vista, era impecável.

O problema era, que não cobria área suficiente.

Era só uma armadura de torso — na verdade, armadura de mama — e calcinha.

Havia ombreiras, verdade, mas isso não era bem a questão.

— Hã? V-você usa algo como isso?

— Não, essa é a questão. — O garoto aprendiz trabalhando em uma espada com a pedra de amolar atrás do balcão lhes lançou um olhar. De fato, ele já estava olhando há algum tempo, talvez preocupado com as garotas segurando a mercadoria.

— Tem… Tem alguém que realmente compra isso? — perguntou incrédula Sacerdotisa. Não estava claro se ela notou o rubor em suas bochechas.

— Bem, é fácil de vestir. E fornece um pouquinho de proteção… Pelo menos esse é o argumento de venda. — Então o rapaz murmurou algo que parecia um “desculpe…” — Não tenho certeza de que devia dizer isso, mas — …e acrescentou: — Algumas pessoas, você sabe. Querem, hum, atrair caras…

— Atrair? É, você provavelmente chamaria atenção nisso. — Vaqueira pegou a amadura biquíni, corando e murmurando “caramba”.

Ela a examinou na frente, a virou e observou por trás, passou o dedo pelos ângulos acentuados dos quadris, a estendeu e examinou outra vez.

— Não é meio revelador demais?

— …Temos pedidos o suficiente para fazer com que valha a pena ter aqui — murmurou o garoto aprendiz, evitando discretamente seus olhos.

— Humm — suspirou Vaqueira. — Acho que teria de ter coragem para usar algo tão perigoso. É basicamente um maiô.

— Isso é verdade… — assentiu Sacerdotisa com uma expressão imperceptível. Ela continuou analisando com grande curiosidade os itens das prateleiras. Como uma pessoa que ficava na fileira de trás, talvez ela não tivesse muito exposta à armas e armaduras. Vaqueira era tão curiosa quanto Sacerdotisa.

— Ah, esse… — Subitamente, Sacerdotisa parou na frente da exibição de uma armadura. Ela pegou algo com um sorriso. Era um capacete.

— Ei, eu reconheço esse.

Era a resposta natural para Vaqueira, que também estava sorrindo. Sacerdotisa pegara um capacete de aço reluzente, mas de aparência medíocre. Exceto pelos chifres saindo dos dois lados e o fato de ser novinho em folha, era exatamente como o dele.

Vaqueira espiou dentro do capacete pelo visor vazio, então bateu as mãos.

— Ei, se colocássemos ele?

— Hã? Podemos fazer isso? — Sacerdotisa inclinou a cabeça, confusa com a ideia inesperada.

— A placa diz que pode experimentar as coisas.

— Humm, tudo bem então, vejamos no que dá…

Segurando o capacete com um pouco de relutância, Sacerdotisa primeiro pegou uma balaclava de algodão com “Para Prova” escrito. Ela o preparou, prestando bastante atenção em seu cabelo comprido, depois colocou o capacete na cabeça.

— C-caramba…

Seu corpo delicado entortou para o lado; o capacete deveria ser tão pesado quanto aparentava. Vaqueira estendeu a mão freneticamente para apoiá-la. A forma esbelta da garota era surpreendentemente leve.

— Opa, você está bem?

— Ah, estou bem. Só um pouco desequilibrada…

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

2 Comentários

  1. A armadura do cara deve ser pesadíssima… HAUSHUHSUAHUSHAS
    Valeu pelo capítulo!!

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