MdG – Volume 4 – Capítulo 5 (Parte 5 de 5)

Vaqueira deu um puxão na manga de Sacerdotisa, praticamente a puxando para um banco. Agora havia cinco mulheres formando um círculo completo ao redor da mesa redonda. Sem dúvida, muitos aventureiros, se soubessem disso, teriam se queixado que queriam ir à taverna.

— Então comecem escolhendo sua peça, por favor — disse Garota da Guilda, sua voz e sorriso estavam mais suaves que geralmente na recepção.

— Humm… — Vaqueira juntou as mãos na frente do peito, olhando atentamente para os vários aventureiros alinhados no tabuleiro.

Bem… Acho que é esse que quero.

Apesar de estar insegura, ela escolheu o cavaleiro que pegara mais cedo. O capacete de aço tornava impossível ver seu rosto, mas ele tinha um escudo e espada erguidos enquanto olhava para frente.

— Vou querer… Acho que esse.

— Ah, hum, vou pegar… — Sacerdotisa pôs o dedo pálido nos lábios e pensou, meio perdida enquanto olhava para os peões. Então, com um “ah!”, ela olhou e escolheu uma peça particular.

— Es-esse, por favor!

O personagem que ela escolhera era um elfo conjurador, com o corpo volumoso envolto de um manto.

— Ótima escolha — disse Alta-Elfa Arqueira com uma risada conhecedora, e Sacerdotisa se contorceu um pouco.

— Está bem, para mim… — Alta-Elfa Arqueira balançou as orelhas com a expressão de um caçador perseguindo sua presa. — Certo! Vou pegar esse dessa vez! Um anão guerreiro!

— Puxa, tem certeza? — perguntou Garota da Guilda, mas Alta-Elfa Arqueira respondeu “é claro!” e estufou seu pequeno peito.

— Vou mostrar àquele anão que sou melhor em… anãozisse… do que ele já foi!

— Então vou continuar como a batedora.

— Heh-heh-heh! Isso significa que vocês não têm um monge. Bem, eu cuido disso.

Garota da Guilda colocou sorrindo um guerreiro de armadura leve com equipamento surrado no tabuleiro, enquanto Inspetora pegou um velho com um selo sagrado.

E assim, seus aventureiros se reuniram. Um cavaleiro de armadura e elmo, um elfo feiticeiro, um anão guerreiro, um batedor leve e um monge veterano. Esse foi o grupo que partiu para enfrentar um monstruoso dragão e salvar o mundo. Garota da Guilda explicou brevemente as regras para Vaqueira, que então pegou os dados firmemente na mão.

Lá vai.

— Meu aventureiro é o herói que vai proteger a aldeia, resgatar a princesa e derrotar o dragão!

Com essa proclamação resoluta, Vaqueira deixou o primeiro rolar de dados cair sobre o tabuleiro.

— Ahh, nós perdemos.

A cidade e o céu estavam tingidos com o azul-ultramarino da penumbra. Vaqueira falou indiferentemente, olhando para as estrelas que brilhavam ao longe. Enquanto ela caminhava, com as mãos entrelaçadas nas costas, Sacerdotisa se movia ao lado como um pequeno pássaro.

— Não fomos capazes de pegar a Espada do Matador de Dragões, não é?

— Não conseguíamos ultrapassar suas escamas.

No fim, elas estiveram ocupadas com extermínio de goblins. O dragão acabou com as garotas, e elas não foram capazes de salvar o mundo, mas…

— Mas certamente foi divertido, né? — disse Sacerdotisa.

— Foi mesmo — concordou Vaqueira.

O outono ainda parecia levar algum tempo, mas a brisa que soprava cada vez mais fria sugeria isso.

O mundo que ele via.

O mundo que ele vivia…

Ela apanhara o pequeno vislumbre disso.

— Ei… — Vaqueira ria enquanto uma brisa acariciava sua pele, vermelha do jogo. — Olhar os produtos na loja de armas, jogar na taverna… Não é muito feminino, é?

— Ah-ha-ha-ha…

Sacerdotisa deu uma risada seca e evitou a pergunta. Ela era três ou quatro anos mais nova que Vaqueira, e ela parecia como uma irmã mais nova.

Me pergunto o que ele pensa dela.

— Hum. — Sacerdotisa pode ter ou não notado o pequeno suspiro que Vaqueira deu. Mas ela olhou para Vaqueira com um sorriso sincero.

— Eu gostaria de jogar de novo algum dia.

— …É. Eu também.

— Nesse caso… — Sacerdotisa deu vários passos em frente, tap-tap-tap, e se virou para encarar Vaqueira. Seu cabelo dourado esvoaçava atrás da cabeça, cintilando, apanhando a última luz do sol se pondo. — …Vamos fazer isso!

Hum. Vaqueira expirou sem perceber. Acho que tenho algumas relações aqui.

Ela pensava que só tinha ele e a fazenda. Mas por ele ser ligado a essa garota, agora ela também estava.

— …Claro. — Vaqueira abanou as costas dela e sorriu. — Vamos fazer isso mais vezes.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

5 Comentários

    1. Será que ele também não gosta dela? mesmo que ele não consiga entender? eles são amigos desde criança, talvez esse sentimento apenas tenha adormecido com o seu trauma, mas ainda acho que ele sente algo por ela fora amizade.

      1. Pode ser possível sim, mano.
        Tanto que ele vê ela de maneira diferente das demais mulheres…

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