MdG – Volume 4 – Capítulo 6 (Parte 3 de 6)

— Ah, sim, você ficava muito bem, fugindo depois de ser surrado por aquele atacamato.

— Eu me lembro de um grupo que sofreu um destino terrível quando atacado por limos.

O tom gracejador deu lugar a um mais contundente. Donzela da Espada soltou um suspiro silencioso. — Há momentos em que eu também gostaria de deixar a minha posição e voltar a ser apenas uma garota.

— Até a arcebispa do Deus Supremo se sente assim?

— Sim. — As bochechas da clériga cega tingiu-se de rosa claro, e seus lábios formaram um sorriso generoso. Ela pôs a mão em seus seios grandes para impedir de tremer, e com uma voz tão ardente quanto se estivesse confessando seu amor, ela disse: — Muito mesmo, ultimamente.

— As coisas não saíram da forma que qualquer um de nós esperava. Mas é isso que faz a vida ser interessante. — Com esse sussurro, o rei fez um espetáculo ao se erguer da cadeira. — Já é hora de me despedir. Afinal, só vim para pegar emprestado algumas sacerdotisas da guerra.

— Sim, Vossa Majestade. Estou feliz de termos a oportunidade de conversar.

— Imagino. — O rei deu um leve sorriso que abrangia tanto o amargo quanto o familiar. — Você parecia ter outra pessoa em mente além de mim.

— Lamento, não posso fazer isso.

Guerreiro de Armadura Pesada olhou para o formulário da missão e balançou a cabeça com firmeza, embora fosse assinado pelo próprio rei.

— É muito difícil?

— Nem, mas o meu grupo está indisposto no momento. Caso contrário teríamos pegado.

— Bem, essa é uma situação difícil — murmurou de novo Garota da Guilda, franzindo a testa para o aparente sombrio Guerreiro de Armadura Pesada.

Em sua mão ela segurava um pedido para investigar as ruínas chamadas provisoriamente de “Torre do Demônio”.

Recentemente se tornara cada vez mais comum ruínas e labirintos surgirem de repente. Desde a derrota do Senhor Demônio, seus partidários restantes andavam fazendo trabalho sombrio por todo o lado. Enquanto os militares se recuperavam, os conjuradores malignos e semelhantes ficaram menos relutante em ser vistos pelas pessoas.

Como parte da Guilda, seria mentira dizer que Garota da Guilda não queria designar todas as missões disponíveis. Mas mesmo com uma recompensa de dezenas de peças de ouro por pedido, havia cem ou duzentas para serem resolvidas. Ela percebeu que o tesouro nacional era basicamente ilimitado e não conseguia pensar em nada mais indulgente do que isso.

— Estaríamos contra demônios, certo?

Podendo ouvir ou não o suspiro de seu peito bem formado, Guerreiro de Armadura Pesada deu mais uma boa olhada na folha de missão. Com o dedo envolto de uma luva simples, ele traçou lentamente as letras dançando na página, então formou um punho.

— Sem ao menos um conjurador e um batedor… ranques Prata, ainda por cima…

— Um grupo de três?

— Esse seria o mínimo. Se possível, eu gostaria especificamente tanto de um mago quanto um clérigo comigo e dois outros na linha de frente, e esse batedor. Seis no total.

Hum, hum, hum. Garota da Guilda pensou nisso com uma expressão séria no rosto, com os papéis em sua mão farfalhando enquanto os virava descuidadamente.

Fichas de Aventura.

Elas gravavam como cada capacidade do aventureiro crescera com cada aventura que passavam. Não seria exagero dizer que, de certo modo, esse maço de papel eram as próprias vidas dos aventureiros. A pilha continha um monte de novatos, magos e clérigos, batedores e guerreiros. Mas quando chegava naqueles que formavam os ranques superiores, o número caia drasticamente. Um dos seus problemas era que havia bem poucos veteranos de ranque médio.

Não temos ninguém que se encaixe perfeitamente nessa descrição.

Garota da Guilda olhou para os aventureiros que faziam do edifício tão vivo. Claro que eles deviam ser capazes, mas também tinha de ser pessoas decentes. Afinal de contas, o recrutador de missão dessa vez era o próprio rei. A Guilda não precisava de alguém que só saia para provar alguma coisa. Eles poderiam ser um pouco egoístas ou ambiciosos, mas tinha que entender o que realmente estava em jogo…

— Se apenas houvesse alguém que tivesse todas essas qualidades e pudesse equilibrar o uso de magia com batalha…

— Pode deixar! Estou bem aqui!

Foi como um sonho. Quando seu desejo havia acabado de se perder, alguém respondeu entusiasticamente.

Ele veio correndo alegremente até o balcão, carregando sua lança, como se tivesse esperado por esse momento a vida toda. Assim que Garota da Guilda percebeu quem era, ela disse “Ah!” e trouxe um sorriso ao rosto. — Agora que penso nisso, me lembro de você ter aprendido um pouco de magia.

— Um aventureiro tem que estar pronto para todas as situações possíveis! — Lanceiro assentia ansiosamente e confiante, e não pareceu notar Guerreiro de Armadura Pesada exclamando “Aggh” e batendo na própria testa, um gesto fácil de se entender.

Independentemente disso, Garota da Guilda sabia muito bem que Lanceiro trabalhava com Bruxa.

— Ham-ham, o seu… grupo está de acordo com isso?

— Ah, claro. Acabamos de voltar de um de nossos “encontros”. Acho que vou deixá-la descansar.

…Ele tem certeza disso?

Garota da Guilda olhou sobre os ombros de Lanceiro e viu Bruxa atrás dele, descansando no banco. Bruxa lhe ofereceu um sorriso elusivo.

Essa é a atitude mais problemática de todas.

Mexendo com as tranças com uma das mãos, Garota da Guilda soltou um leve suspiro perturbado. Da perspectiva de Bruxa, Garota da Guilda era uma rival amorosa. Mas isso era negócios… certo?

Hmm. Não posso deixar minha vida pessoal se envolver com meu trabalho.

— Está bem, de momento, vocês dois… tudo bem?

— Claro, não me importo. Eu posso confiar… bem, tenho confiança nesse cara. — Apesar de ele parecer se atrapalhar um pouco com as palavras, Guerreiro de Armadura Pesada assentiu. — Mas ainda não é o bastante.

Lanceiro surrupiou o papel da missão de Guerreiro de Armadura Pesada com um “Me deixe ver isso” e inclinou a cabeça. — Como não somos o suficiente? — disse ele.

— Quero um batedor, pelo menos.

— Não há muitos batedores talentosos por aí. E quanto aquele garoto do seu grupo?

— Não quero envolvê-lo em uma luta com demônios — disse seriamente Guerreiro de Armadura Pesada. — Eu não poderia carregar essa responsabilidade. — Ele encarou Lanceiro. — Não preciso necessariamente de alguém com alinhamento bom, mas quero pelo menos um neutro.

Em alinhamento, “bom” e “mau” não tem exatamente o seu significado literal, mas sobretudo descrevia se alguém era alocêntrico ou um egocêntrico, se preferiam lutar ou não. Batedores e ladrões estavam por si mesmos e eram dispostos a agir. Era algo que valia pensar se você não quisesse ter de se preocupar com seu compatriota agindo contra o personagem quando o momento crucial viesse.

— Então o que você precisa é…

Alguém que era um batedor e poderia ficar na linha de frente. Capaz, bem como respeitável. Alguém que pudesse manter seus negócios e vida pessoal separados. Cujo alinhamento era, se não bom, ao menos neutro. E alguém que estaria susceptível a tomar essa missão.

— Sim! Consigo pensar em um!

Quando Garota da Guilda bateu as mãos e saltou do seu lugar, Lanceiro lhe deu um olhar duvidoso. O breve momento que esse olhar sondou seu peito não passou despercebido, mas no momento Garota da Guilda não se importava.

— Hã? Existe realmente alguém assim?

— Posso garantir que ele é habilidoso, de qualquer forma. — Ela chegou mesmo a lhe dar um sorriso e uma piscadela, depois marchou muito bem-disposta. Ela parecia impressionante, seus sapatos faziam barulho enquanto andava com o papel apertado no peito. Ela ia para o banco em um canto da área de espera da Guilda. O lugar onde ele sempre se sentava. Ela achou ficar um pouco emocionada só de ver o capacete de aço se virar em direção a ela quando reparou que vinha.

E então ele perguntou, com uma voz baixa e desapaixonada:

— …Goblins?

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

4 Comentários

  1. “…Si..Simm!!! Uma nova raça de goblins: Goblins Demônio!!!! Nós temos a melhor chance para o sr. agora, surgiu uma torre cheia deles, oferta por tempo limitado, Sr. Matador de Goblins!!!!” xD

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