MdG – Volume 4 – Capítulo 6 (Parte 5 de 6)

— Não é verdade o que dizem, que gárgulas não suportam a luz do sol. — Lanceiro olhou para elas, ajeitando seus pés para encontrar o equilíbrio nos pitões. — Se elas te apanharem, você terá problemas.

Segurando-se firmemente com o braço esquerdo com escudo, Matador de Goblins sacou sua espada segurando inversamente. — Se conseguir manter debaixo de você, você não vai morrer mesmo que caia no chão. Apesar de que você ficaria longe da batalha nesse ponto.

— Talvez, se pudesse lançar Controle sobre todas elas. E isso se elas não cairem em um golpe, certo? — Guerreiro de Armadura Pesada pegou sua espada de uma mão, que emitia um ligeiro brilho branco, a aura da magia. Ele segurou com a boca a corda decorativa que pendia da empunhadura, então apertou firmemente ao redor do pulso. — Não sei quanto a vocês, mas estou tranquilo só com uma mão.

— Dizem que o choque de magias vem antes do choque das armas. Arrgh. Esses marombas. — Lanceiro entrecerrou os olhos e tocou seu brinco — um catalisador mágico — com uma das mãos. Matador de Goblins olhou para o que Lanceiro estava fazendo, então balançou a cabeça.

— Estou pensando em algo.

— Eu também — disse Guerreiro de Armadura Pesada.

— Calem a boca, já entendi! Não consigo me concentrar aqui embaixo!

— GARGLEGARGLEGARGLE!!

Com um berro indistinto não muito diferente de gargarejar, os monstros demoníacos voaram até eles. Mas Lanceiro, sem pressa ou alarido, disse algumas palavras de verdadeiro poder com a capacidade de remodelar as leis da realidade.

Hora… semel… silento! Fique em silêncio, tempo!

Naquele instante, o vento parou.

O fluxo da atmosfera cessou; o som de longe pausou, estagnou, parou. As palavras de Lanceiro preencheram o mundo, dobrando suas leis, e tudo empacou.

Essa era a magia Retardar.

— GARGLEGARG?! GARGLEGARG!!

— GARGLEGARGLEGAR!!

As gárgulas batiam e batiam as asas, mas não podiam gerar qualquer poder, assim elas não puderam ficar no ar. A gravidade tomou conta das três criaturas, e em questão de segundos elas caíram várias dezenas de andares, virando pó ao atingirem o chão. E nenhuma estátua de pedra, uma vez destruída, poderia voltar a vida.

— Quê, já foram? Elas não eram tão difíceis.

— Suponho que cair dessa altura geralmente levará à morte.

Guerreiro de Armadura Pesada contraiu os lábios, desapontado, e Matador de Goblins deslizou sua espada de volta para a bainha. Os dois retomaram rapidamente a escalada, mas Lanceiro lhes lançou um olhar inequivocamente descontente.

— Puxa, uma magia como essa, e nem sequer juntaram uma palavra de elogio?

— Foi uma boa estratégia — retornou a resposta casual de Matador de Goblins. — Vou usá-la qualquer dia.

— O quê, em goblins?

— Que mais?

Essa conversa fez Lanceiro balançar a cabeça com um abatimento profundo. Levar os goblins para algum lugar bem alto e então jogá-los? Não parecia ser algo que aventureiros mais sérios contemplariam. E pensar que ele estava sendo creditado pela ideia… Dá um tempo!

— Mais importante: quantas magias ainda tem? — As palavras de Guerreiro de Armadura Pesada trouxeram Lanceiro de volta a si.

Ele agarrou um pitão para se firmar, quase tarde demais e falou “mais uma”. Doía nele admitir, mas um fato era um fato. — Essa não é a minha classe principal, lembrem-se.

— Está bem, se formos atacados de novo na subida, voltaremos para baixo e descansaremos por uma noite. Então mudaremos para um ataque de frente.

A decisão de Guerreiro de Armadura Pesada foi rápida e clara. Atacar a base inimiga com suas magias esgotadas ou depois de restauradas? Não importava de como você visse, essa última oferecia uma oportunidade melhor de sobrevivência.

Lanceiro compreendia isso, e ele sorriu. — Mesmo que estivéssemos prestes a tocar o céu?

— Se estivermos lá, então é diferente — respondeu Guerreiro de Armadura Pesada, mostrando os dentes enquanto ria da pergunta despreocupada de Lanceiro.

— Você é o líder. — Matador de Goblins concordou discretamente. — Seguirei suas ordens.

— Ótimo. Nesse caso, vamos indo. — Guerreiro de Armadura Pesada estendeu a mão para mais pitões; Matador de Goblins procurou na bolsa e pegou outro monte. Ele mantinha bastante com ele porque eram uma ferramenta muito útil, e graças a isso parecia que provavelmente estava fora de questão eles ficarem sem para alcançar o cume.

— Seja como for, acho que eles sabem que estamos aqui. Vamos garantir que eles nos deem uma boas-vindas.

— Certo.

Matador de Goblins deu a sua resposta curta e olhou para o homem na sua frente. A espada larga enorme nas costas de Guerreiro de Armadura Pesada tremia como um chocalho. Com um tom imensamente severo e sério, Matador de Goblins disse: — Não deixe isso cair em mim.

— Ah, fica quieto.

Lanceiro gargalhou sem qualquer malícia e Guerreiro de Armadura Pesada continuou taciturno a exercitar seus músculos.

O objetivo deles, o topo da torre, não estava longe.

O cume da torre apresentava uma cena quase que indescritível.

Era um espaço aberto com uma depressão como uma tigela redonda, com o exterior rodeado de pilares. O telhado era uma cúpula curvada, como se um globo enorme estivesse descendo no espaço. No teto estava um mapa estelar, mas os seus riscos selvagens não refletiam quaisquer constelações que os aventureiros conheciam.

O chão e os pilares eram brancos puro, com o céu azul espreitando entre as colunas. E ainda assim, havia uma opressão esmagadora. Quando Guerreiro de Armadura Pesada se ergueu pela borda, ele olhou para as constelações e fez um chiado descontente.

— Isso é com certeza trabalho do Caos. Vamos, e não podemos deixar que nada nos cause problemas mais tarde.

Ele estendeu a mão enquanto falava, segurando uma luva de couro. Ele ajudou Matador de Goblins subir, e esse deu uma olhada no ambiente.

— A escalada foi mais fácil do que eu esperava.

— Provavelmente porque somos três caras. — Guerreiro de Armadura Pesada retirou o anel do dedo e pôs de volta na bolsa de itens. Ele rapidamente o substituiu por luvas e braçadeiras, e agarrou a espada em suas costas. — Não gostaria de ter algumas crianças fazendo essa escalada.

— Cara, isso é verdade. — A resposta veio de Lanceiro, que hesitou, franzindo a testa para a luva de couro que pairava a sua frente. A luva simples e pouco sofisticada pegou a mão de Lanceiro, puxando o último membro do grupo para o telhado. — Não gostaria de deixá-la fazer isso. Raios, ela provavelmente não conseguiria. Sabe, grandes demais.

O comentário grosseiro soou estranhamente inofensivo vindo de Lanceiro, embora talvez fosse graças a sua personalidade. Guerreiro de Armadura Pesada lhe lançou um olhar duvidoso enquanto ele fazia um gesto vulgar com as duas mãos na frente do peito.

— Entendo o que está dizendo — disse Matador de Goblins, com outro aceno reservado. — Não iria querer cansar a sua retaguarda. E a minha é sensível.

— É isso o que te preocupa? — Lanceiro suspirou profundamente. — Você não tem outro disco? Os corpos das mulheres devem ser louvados! Bustos! Quadris! Bundas!

— Qual é o sentido em elogiá-los?

— Amarão você por isso, e ficará popular entre as mulheres!

— Entendi.

Matador de Goblins falhou em levar a conversa mais longe, em vez disso sacou a espada. Ele verificou a alça do seu escudo, depois girou o pulso direito, juntamente com a arma na mão. Guerreiro de Armadura Pesada olhou para ele.

— Não usou força demais?

— Estou bem.

— Ótimo. — Guerreiro de Armadura Pesada bateu suavemente no ombro de Matador de Goblins. — E você?

— Não sou tão frágil quanto isso — sorriu Lanceiro, pegando a lança com as duas mãos e aplicando uma estocada lúdica.

Para o líder, mostrar que entendia como cada membro estava era uma forma importante de aliviar qualquer ansiedade por parte do grupo.

E mais ainda antes de uma batalha culminante. Guerreiro de Armadura Pesada manteve a ponta de sua espada larga em um único ponto do terraço. Ele passou a língua nos lábios para umedecê-los.

— Vamos começar.

E então, o inimigo estava lá.

Uma sombra agitada no meio do telhado, no fundo da depressão em forma de tigela. Escuridão se juntou à sombra agitada e crescente. Finalmente, ela formou um sobretudo antigo, a figura tremulava como uma miragem.

— Mortais tolos…!

A voz rangeu como um galho seco, um som que um humano muito provavelmente não poderia fazer.

A figura estava torta e distorcida e parecia como se estivesse em um pântano. Em seus dedos salientes, segurava um cajado que parecia tão velho quanto suas mãos. Abaixo do casaco, uma chama espiritual queimava. O homem, a imagem indiscutível de um mago do mal, cuspiu aos aventureiros detestáveis:

— Como detesto quem interfere com meus pla…!

Mas ele foi cortado antes de poder terminar.

Uma espada.

Uma espada tosca e de produção em massa com um tamanho estranho atravessou o ar e perfurou o peito do mago. Ele gorgolejou, depois caiu no chão agarrando a garganta.

— Ei, ei, você poderia pelo menos deixá-lo terminar. Não?

— Não há necessidade de termos que confrontá-lo de frente.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

  1. Puta merda esse MDG é o herói mais sensacional de todos, e fez a coisa que eu sempre questionei, não deixar o vilão fazer seu discurso e “meter o pé na porta”.
    Obrigado pelo ótimo Capitulo!

  2. Isso sim que merda de discurso nada já chegou mostrando que não tem conversa MDG é muito loko kkkkkkkkkkk

  3. Obrigado pelo capítulo.

    Esse trio simplesmente combinar bastante, parece que estão até em uma certa “sincronia” estranha.

    E o Goblin Slayer como sempre nunca decepcionar kkkk

    1. Eu estava pensando a mesma coisa, que eles fazem até uma boa combinação apesar das diferenças kkk

  4. Isso mesmo MdG não der nem chance do inimigo falar!

    PS: Esses três juntos foi uma das melhores coisas que o autor fez nesse volume.

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