MdG – Volume 4 – Capítulo 6 (Parte 6 de 6)

Foi Matador de Goblins. De pé ao lado de Lanceiro sorridente, o homem que lançara a espada pelo ar balançou o capacete de aço de um lado para outro. — E parecia que ele não era um adversário sério.

De fato.

O mago colapsou com um baque. Enquanto observavam, a espada em seu peito definhou. Ela se transformou em ferrugem antes que pudessem piscar. Uma mão esquelética a alcançou, agarrou e a despedaçou.

— O ritual… já está… completo! — berrou ele enquanto arrancava a lâmina dizimada. Estava bem claro que essa pessoa era um Personagem Que-Não-Reza.

Guerreiro de Armadura Pesada estava com sua espada larga em prontidão e deu uma olhadela para Matador de Goblins.

— Talvez o apunhalar no peito não foi o melhor plano?

— É mais ou menos a altura da cabeça de um goblin.

Matador de Goblins sacara uma adaga e tomou uma postura baixa.

O fogo espiritual tremeluzia nos olhos do mago enquanto ele avançava.

— Não posso ser morto por aqueles que possuem palavras!

— Vocês o ouviram — disse Lanceiro, quase como se estivesse abafando um bocejo. — O que vamos fazer?

— Ele disse que não pode ser morto, mas não disse que não pode morrer.

Guerreiro de Armadura Pesada sorriu tanto quanto tinha sorrido quando derrotou sua primeira barata gigante. Ele assentiu da mesmo forma que Matador de Goblins fazia quando confrontado por um goblin.

— Então, só há uma coisa a fazer.

Sem qualquer sinal para com o outro, o grupo entrou em formação e se preparou para a batalha.

O mago começou a gritar verdadeiras palavras sem qualquer hesitação, dobrando o espaço. Com duas ou três palavras ele invocou uma magia, e o que apareceu — talvez de se esperar — foram demônios cinzas de pedra. Eles aguardavam fielmente atrás do seu mestre, e então, com um movimento do seu cajado, eles se lançaram nos aventureiros.

— Bárbaros malcriados! Cedam perante minha enorme inteligência!

Mas os homens que estavam contra ele eram todos guerreiros e tinham alcançado o ranque Prata. O trabalho pesado e a perseverança que conduzira a habilidade de Guerreiro de Armadura Pesada com a espada não era de se desprezar.

— Você esqueceu de “geniais”!

Guerreiro de Armadura Pesada rangeu enquanto avançava para encontrar os monstros e pará-los da esquerda, direita e meio.

— GARGLEGARGLEGA!!

— GARGLE!! GARGLEGA!!

Quando uma estátua descuidada entrou no seu alcance, ele aproveitou a oportunidade e a destruiu.

Ele fez uma pose intimidadora. Esse era um homem que não precisava mais do que uma espada e seu próprio corpo. Seria preciso mais do que números para intimidá-lo. Com cada brandir de sua espada, poeira tracejava pelo ar como um estandarte.

— Então morra como bárbaros que são! — gritou o mago, ainda empunhando seu cajado em segurança atrás das gárgulas.

Tonitrus… oriens…! Ascenda, trovão!

Invocado pelas palavras de verdadeiro poder, magia começou a jorrar no local. Não havia vento, contudo, os aventureiros foram atingidos por uma força avassaladora como uma tempestade iminente.

— “Raio”?! — gritou Lanceiro. Ele viu o que estava acontecendo e ficou atento pela sua chance. — Eu poderia usar Contramagia… Não, nunca funcionaria! Sinto muito, rapazes, não consigo fazer isso!

Mas isso vinha, em parte, do reconhecimento de que seu oponente era um usuário de magia muito mais talentoso do que ele.

— Está bem — assentiu Guerreiro de Armadura Pesada, distribuindo ordens a um ritmo alucinante enquanto abatia mais uma gárgula. — Tampem a boca!

— Tampem a boca — repetiu Matador de Goblins. Sua adaga já não estava na mão; ele já estava revirando sua bolsa de itens.

Ele pegou o ovo e lançou em um único movimento. Guerreiro de Armadura Pesada levantou a gola do casaco.

O ovo fez uma bela parábola no ar, mas o mago o golpeou como uma mosca e pisou em cima.

— Muito esperto, seu……?!

Instantaneamente, uma névoa vermelha flutuou do seu pé… pó mineral e pedaços de casca. Uma dor paralisante afligiu sua boca, nariz e olhos. Ele não conseguia respirar nem falar. Ou, é claro, entoar magia. O mago pressionou as mãos no rosto e caiu para trás com um grito mudo.

O pó era um gás lacrimogêneo, incluindo cápsico e outros ingredientes. Por mais avançado que alguém poderia ser em magia, desde que tivesse olhos, nariz e boca, era difícil de evitar.

— Agora… você… é meu!

Lanceiro não perdeu tempo; ele avançou rapidamente pelo local como uma flecha de um arco. As gárgulas, encurraladas pelo Guerreiro de Armadura Pesada, não eram nada para ele. Ele foi direto para o mago, tocando a mão em seu brinco.

Aranea… facio… ligator! Aranha, venha e prenda!

— ?!

A “teia de aranha” pegou facilmente o mago agoniado. A chama espiritual do mago estremeceu, e no momento que aconteceu, a ponta de uma lança perfurou seu coração.

O sangue que jorrou era preto-azulado. Lanceiro rapidamente deu um chute no corpo envolto de seda para soltar sua arma e pulou para trás.

Nem era preciso dizer que, como ele havia declarado antes, o mago não mostrou nenhum sinal de perder a vida com isso. Com sangue negro-azulado escorrendo de sua boca, ele tentou abrir bem os lábios o suficiente para dizer outra magia.

— Ah, cala a boca.

Lanceiro enrolou o final da teia de aranha na ponta de sua lança e a usou como uma mordaça. Ele deu de ombros para o mago, que parecia indisposto a desistir, com sua chama espiritual cintilando com intenção assassina.

— Parece que você não estava brincando quando disse que não podia ser morto.

— Não tem que se preocupar com um mago que não consegue falar — disse Guerreiro de Armadura Pesada. — Mas é um pouco chato — murmurou ele enquanto esmagava a última das gárgulas com sua espada larga.

Tudo o que restava era encontrar a fonte de poder do mago, que tinha de estar em algum lugar da torre, e destruí-la.

Mas, enquanto o mago estivesse vivo, era provável que as armadilhas e os monstros não parariam de aparecer.

— Humm — grunhiu Guerreiro de Armadura Pesada. Ao lado dele, Matador de Goblins mantinha sua adaga orientada ao seu cativo, sempre vigilante. Então seu capacete inclinou um pouco, como se tivesse acabado de pensar em algo.

— Por que não o jogamos?

— …

— …

Guerreiro de Armadura Pesada e Lanceiro trocaram um olhar. Eles assentiram e depois riram como crianças desobedientes.

— É isso.

— Vamos fazer isso.

O mago, tentando falar com a mordaça na boca, foi arrastado até a beira da torre e então chutado firmemente pelas costas. A gravidade não teve palavras, mesmo assim o arrastou para baixo, e logo ele conhecera o mesmo destino dos aventureiros anteriores.

Em outras palavras, ele morreu facilmente.

— Queria saber por que ele construiu essa torre, no entanto — comentou em voz alta Lanceiro, espiando de lado para a mancha escura-azulada se propagando no chão abaixo. Seu tipo geralmente se estabelecia quer na ponta de uma torre ou nos locais mais profundos de um labirinto subterrâneo. — Poderia ter sido mais problemático matá-lo se ele estivesse no subsolo.

— Talvez ele tivesse uma ajuda dos deuses ou algo assim — disse Guerreiro de Armadura Pesada francamente, devolvendo sua espada às costas. Ele ainda estava observando seu ambiente com cuidado, talvez porque o perigo de armadilhas e inimigos remanescentes não tivesse diminuído. — Vamos lá, vamos encontrar o saque. O chefe está morto. Se não nos apressarmos, essa torre pode desaparecer.

— Ah, sim, é verdade! Uma aventura tem que ter um tesouro!

Lanceiro partiu correndo, com sua alegria lhe dando coragem. Guerreiro de Armadura Pesada nem sequer considerou detê-lo. Atitude e ações estavam separadas. Tal como manter a guarda e não ficar nervoso eram coisas diferentes.

— Ele é muito bom nisso.

— Sim. — Matador de Goblins assentiu, pegando a espada arruinada de ferrugem e estalou a língua enquanto a jogava fora. — Há muitas coisas que eu poderia aprender dele.

— Não sei dizer se está brincando ou não.

Enquanto Guerreiro de Armadura Pesada considerava se ria, ele e Matador de Goblins partiram na busca. Eles estavam procurando por saque, baús, efeitos; qualquer coisa desse tipo. Para um aventureiro, não havia alegria maior.

Em pouco tempo, eles descobriram um baú de estoque de carvalho vermelho em um canto do terraço.

— Essa não é a minha classe principal. Não esperem muito — avisou a eles Matador de Goblins, depois se ajoelhou diante do baú. Ele olhou em sua bolsa de itens e pegou várias ferramentas especializadas. Primeiro, ele pegou uma lima parecida com uma lâmina fina e a moveu sob a tampa do baú, procurando algo. Ele confirmou que não havia armadilhas, então segurou um espelho perto do buraco da fechadura e olhou para dentro.

Agora era a hora do arame. Matador de Goblins se preparou para abrir a fechadura.

— Ei, Matador de Goblins. Pense sobre isso: você não apanhou um único vilão hoje. — Lanceiro sorriu enquanto observava o fazer de Matador de Goblins sobre seus ombros. — Significando…

— O quê?

— Que eu venci!

— Sim — Matador de Goblins não fez qualquer esforço para refutar, apenas concordou. — De verdade.

Lanceiro levou seu punho ao alto com um “Simmm!” comemorativo. Guerreiro de Armadura Pesada olhou para o céu.

— Porque não eram goblins.

Na sua euforia, Lanceiro pareceu não escutar o murmúrio, mas Guerreiro de Armadura Pesada certamente o ouviu.

Por fim, a fechadura abriu com um clique, e Matador de Goblins expirou:

— É um pouco tarde para mencionar isso, mas provavelmente vai haver alvoroço quando voltarmos.

— Hã? …Ah, sua garota elfa? — Guerreiro de Armadura Pesada pensou na estourada e masculina elfa do grupo de Matador de Goblins.

Acho que meio que deixamos ela de fora.

— Acho que vou ter mais problemas ainda — disse Lanceiro. — Mas não se preocupe. É tradição ter pouca emoção enquanto se divide o saque e bebe um pouco de vinho.

— …Se bem me lembro, dissemos que haveria três partes, menos para as despesas.

— Sim — disse Matador de Goblins — creio que sim. — Depois ele acrescentou com uma voz desapaixonada: — Tesouro, hein? Nada mal.

Guerreiro de Armadura Pesada colocou uma mão amiga em seu ombro. Matador de Goblins aceitou em silêncio. A tampa do baú rangeu quando ele a levantou.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. Nem quero vê quando a Elfa souber que ele foi em uma aventura sem goblins kkkkkkkkkkkkkk, o que sera que tem ai dentro
    Muito obg pelo Cap

  2. Obrigado pelo capítulo.

    O Goblin Slayer é simplesmente um gênio, sempre tendo as melhores ideias. Ele junto com esses dois, deu muito certo.

    E esse final já mostra como ele tá preocupado com o que a Alta-Elfa vai fazer kkkk

  3. No final esse inimigo foi tão patético quanto um goblin, mas foi devido o MdG ser inteligente ao ponto de fazer um mago experiente se tornar inútil em uma batalha.
    E é melhor se prepara mesmo, porque quando a Alta-Elfa fica sabendo dessa missão…

    PS: Esse foi o melhor capítulo do volume 04 até agora, mal posso esperar pelos outros.

  4. Ahhj, então se lembrou da sua amiga Elfa? Parece que ele realmente vai levar uns sopapos HUAHUAUHAUHAUHUHAA XD

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