MdG – Volume 4 – Capítulo 8 (Parte 1 de 3)

— Hrrm…?

O sol estava bem alto no céu quando seus raios entraram pela janela e atingiram os olhos de Alta-Elfa Arqueira. Ela estava nua, enrolada na cama sob um único cobertor, e assim ela enfiou o rosto no travesseiro em uma breve demonstração de resistência. Mas a luz do sol era terrivelmente brilhante, não podendo ser derrotada simplesmente por cobrir o rosto.

Rapidamente cedendo, a elfa bocejou com um gato — fwaah — e fez um bom alongamento em seu corpo magro.

— Faah… oooh… já é de manhã?

O sol estava alto demais para a manhã. Era quase meio-dia.

Alta-Elfa Arqueira, esfregando os olhos e olhando pela janela, se sentou de pernas cruzadas na cama.

— Ooo…

Ela esfregava o cabelo desgrenhado enquanto murmurava palavras sem sentido.

Como se recordava, ela tinha o dia de folga. Ao menos, se ninguém veio acordá-la, isso significava que não havia aventura.

Aquele Orcbolg… ele fora sozinho, todo goblins, goblins como sempre.

Ela não tinha realmente certeza sobre o incidente recente. Ela não conseguia acreditar em uma batalha com um mago maligno no topo de uma torre.

Seja como for, isso de certo é diferente da floresta.

No mínimo, o fato de que podia dormir até ao meio-dia a fazia feliz por ter deixado a floresta.

Ela bocejou outra vez, então começou a coçar sua barriga e umbigo saudavelmente firmes. O comportamento dos alto-elfos era conhecido pelo seu requinte, mas havia limites.

Alta-Elfa Arqueira esticou as pernas em direção ao chão, que estava tão bagunçado de itens e pertences que quase não havia nenhum lugar para colocar os pés. As pontas de seus pés encontraram seu amado arco grande. Ela reatou a corda frouxa, depois a puxou com delicadeza para checar. Ela deveria mudá-la mais cedo ou mais tarde.

— Hmm, tinha certeza de que estava por aqui… Ah, aí está você.

Ela se estendeu pela cama e esticou os braços para o chão.

Ela pegou uma pequena aranha do tamanho da ponta de um dedo. Ela estivera perambulando em cima de suas perneiras no chão.

Alta-Elfa Arqueira tocou seu dedo esbelto na traseira da aranha e deu um puxão, e um fio prateado atravessou o ar. Ela estava literalmente tecendo seda. E não seda de aranha grudenta, mas de simples aranhas amáveis usadas por elas para se caminhar. Ela fez isso duas ou três vezes, até que tivesse o comprimento de fio que queria, ao que suas orelhas balançaram.

— Isso basta, eu acho. Obrigada!

Ela soltou a aranha e começou a torcer o fio. A seda de aranha era leve, mas mais forte que fio de aço de mesma espessura. O material perfeito para uma corda de arco. Passado um tempo, a elfa enrolou as cordas. Ela as passou para lá e para cá pelos dedos, de uma extremidade à outra.

Convencida de que não havia problemas, ela balançou as orelhas de satisfação.

— Lá vamos nós.

Ela enrolou a corda com uma volta e saltou da cama ao chão. Sendo cuidadosa para não pisar nos livros emprestados e brinquedos que comprou, mas não reconhecia realmente, ela se esforçou para chegar à sala.

Ela agarrou seu traje de caçadora, o colando descuidadamente.

Hoje era seu dia de folga. Ela não precisava de seu casaco nem nada. Ainda que uma espada curta pudesse ser conveniente…

Ela era magra e elegante; ela tinha uma pele tão branca que era quase translucida e pouca carne extra em seus ossos. Combinado com seu peito plano, ela tinha a beleza de uma estátua.

Em beleza, ao menos, os elfos da floresta não se contentavam com o segundo lugar competindo com qualquer outra raça. Talvez a razão pela qual se escondiam sob roupas eram porque viam seu próprio tom claro como simplesmente normal.

— ~♪

Assobiando desafinada, Alta-Elfa Arqueira entrelaçou seu cabelo. Ela afastou de lado gentilmente seus cabelos soltos de seus ombros e bochechas, e quando ela se virou para trás, seu quarto bagunçado lhe saudou.

De certa forma, o caos era compreensível no quarto de um aventureiro. Mas era difícil de acreditar que esse era o quarto de uma jovem mulher e ainda elfa. Equipamentos estavam jogados ao redor, roupas descartadas caídas por toda a parte e pratos vazios amontoados descuidadamente. Romances de aventuras e livros de teatro estavam abertos, enquanto brinquedos comprados nos festivais do templo estavam espalhados. Seria mais fácil acreditar que esse era um quarto de criança.

Como é que tantas coisas cabiam em tal espaço relativamente pequeno? Era um grande enigma que mesmo os elfos, com todos os seus conhecimentos, não poderiam desvendar.

— Hmm — Alta-Elfa Arqueira cruzou os braços com seriedade e examinou o quarto, então moveu suas orelhas para cima e para baixo e assentiu como se estivesse de acordo com algo. — É melhor eu lavar algumas roupas.

Ela adicionou raspas de sabão juntamente com suas roupas em um balde cheio de água do poço, depois colocou seus pés.

— Oooh… A água do subsolo é fria, não é?

Seu corpo e suas orelhas estremeceram, e ela começou a pisar em suas roupas.

Ela estava certa: ela nunca poderia imaginar isso em sua casa na floresta. Lá, seria uma simples questão de colocar suas roupas no rio e pedir que as ondinas ou espíritos da água lavarem para você. As tarefas domésticas eram deixadas para os duendes. O mundo humano era terrivelmente incômodo, pensou ela.

Mas deixando isso de lado, ela gostava de pisotear, basicamente brincando na água.

Atrás da Guilda havia um poço que também servia como um lugar para lavar roupa.

A luz quente do sol da manhã que já se foi, se espalhava. Ao longe, ela podia ouvir crianças correndo e donas de casa conversando. Os preparativos do almoço deviam estar em curso, pois um aroma tentador flutuava da cozinha da taverna.

Alta-Elfa Arqueira adorava essa hora. De alguma forma tinha um cheiro diferente das manhãs, noites e dias habituais da cidade de quando ela partia em uma aventura. Ela não sabia exatamente que cheiro era, e ela podia estar imaginando isso. Ela achava uma curiosidade saudável muito positiva em si e nos outros, mas algumas coisas não deveriam ser muito minuciosamente investigadas.

— Bwaaah…

Ela deu um bom bocejo. Não importava o quanto você dormia, em dias como esses nunca era o bastante. Entretanto, os elfos tinham todo o tempo do mundo. Desperdiçar um pouco disso não faria nenhum mal.

É uma pena, no entanto.

Coisas interessantes, coisas que chamavam sua atenção; se ela tirasse os olhos delas só por um instante, de repente elas desapareceriam.

Alta-Elfa Arqueira continuou pisoteando as roupas ao lavar, dando outro grande bocejo e saindo de cima do balde. Então ela espremeu suas roupas bem pisoteadas e as balançou para a esquerda e para a direita com um paf.

— Muitas coisas interessantes em que pensar, de fato.

Como o cheiro delicado do sabão. A brisa que ela podia sentir através de sua roupa molhada. A luz do sol.

Apreciando todas essas coisas, Alta-Elfa Arqueira pendurou suas roupas no varal da área de lavar. Ela se lembrou muito bem de quando as pendurou descuidadamente e ficaram amarrotadas, então se assegurou de colocá-las o mais justo possível. Por alguma razão, era incomodo quando eram apanhadas pelo vento e voavam no chão, então ela as prendeu firmemente com pregadores.

— Feito e feito!

Ela pendurou a última roupa cuidadosamente, depois balançou satisfeita suas orelhas. Ela limpou a testa, embora não estivesse suada, pôs as mãos na cintura e olhou para as roupas. As roupas balançavam com o vento como a bandeira de um exército no topo de uma fortaleza conquistada.

— Lavando roupas? Se não é uma trabalhadora…

Alta-Elfa Arqueira se virou para a voz atrás de si com uma fungada orgulhosa.

Em geral, elfos sabiam quem vinha sem olhar. Mas até mesmo eles podiam ser surpreendidos às vezes. Para toda regra há exceções.

— Oh, Garota da Guilda. Como vai?

— Estou tirando o dia de folga, então só estava andando.

A recepcionista usava roupas normais. Foi um pouco chocante, já que Alta-Elfa Arqueira estava tão acostumada a vê-la com seu uniforme, mas claro, até Garota da Guilda tinha outras roupas. Como qualquer um.

Ela usava um vestido de verão claro. Não tinha mangas, o que mostrava os adoráveis traços dos seus braços desde os ombros até suas unhas feitas cuidadosamente. Ele combinava bem nela e provavelmente permitia uma brisa refrescante passar levemente. Seu corpo bem-formado era presumivelmente o resultado dos seus esforços feito todos os dias. Poderia ser chamado tranquilamente de ideal.

— Ele faz você parecer uma sílfide, de certa forma.

Garota da Guilda sorriu, agradecida com isso. — Eu comprei porque era para ser a última moda na Capital.

Então era isso. Alta-Elfa Arqueira assentiu. Sem dúvida parecia uma boa roupa para passear. Contudo, a moda humana mudava em um ritmo tão frenético que ela achava difícil de acompanhar…

Me pergunto como eles aparecem com tantas coisas em um único ano.

Uma coisa era certa: o mundo humano nunca ficava chato.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. Obrigado pelo capítulo.

    Essas teias de aranhas são muito perigosas, podem mata uma pessoa desatenta fácil, principalmente se as aranhas fizerem elas em locais públicos e da altura de um pescoço (de uma criança ou de um adulto)…

  2. Minha impressão era de que a Alta-Elfa era mais “organizada”, mas foi enganado direitinho kkkk

    PS:”A seda de aranha era leve, mas mais forte que fio de aço de mesma espessura. O material perfeito para uma corda de arco.”
    Até às teias de aranha são um perigo no mundo do MdG kkk

    1. Teias de aranha também são mais fortes que aço na vida real,se teias de aranha tivessem a espessura de um lápis,poderiam parar um Boeing 747.

      1. Sim isso é verdade, mas a minha surpresa não foi a sua resistência(bem talvez um pouco kkk) e sim a espessura da teia que pode ser usada como uma corda de um arco(o quão grossa é essa teia? kkk).

    1. Não se sabe se ela levou na boa ou se ela não acreditou que ele foi numa aventura sem goblins. Há a possibilidade dela nem saber que ele foi ahuahuauhahuauhahua

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!