MdG – Volume 4 – Capítulo 8 (Parte 2 de 3)

— Mas o que está fazendo na Guilda?

Era seu dia de folga. Garota da Guilda evitou, de repente, os olhos da Alta-Elfa Arqueira com a pergunta inocente. Seu olhar se moveu de um lugar para outro.

— …Só porque… Pensei em talvez me assegurar de que nossos aventureiros tivessem voltado bem para casa.

— Hum! — Alta-Elfa Arqueira riu, sem refletir profundamente sobre essa resposta. — Isso que é dedicação!

— Bem, sabe como é… — disse Garota da Guilda ambiguamente. — Então, como está indo, lavando a roupa?

— Contemple o fruto do meu trabalho. — Alta-Elfa Arqueira estufou orgulhosamente seu pequeno peito. — O que me diz?

Não era como se ela tivesse usado uma habilidade especial. Era apenas roupas para lavar. Não era algo para se gabar, mas Garota da Guilda sorriu mesmo assim.

— Você já ficou bem acostumada em fazer isso, não é? — comentou ela.

— Acho que sim. Consigo lidar com isso muito facilmente — respondeu Alta-Elfa Arqueira.

— Oh… Nenhuma roupa íntima?

— ?

Garota da Guilda ficou com as tranças sacudindo enquanto inclinava confusa a cabeça

Alta-Elfa Arqueira respondeu prontamente: — Não tenho nenhuma.

— Ah, está dizendo que essa já é a segunda vez que lava?

— Não — respondeu ela balançando enfaticamente a cabeça. Por que ela não entendeu? — Eu não tenho nenhuma.

— …Pensei que todas escolhemos algumas juntas há algum tempo.

— Eu meio que as enterrei…

— …

Garota da Guilda colocou a mão na testa e olhou para o chão apenas o tempo suficiente para Alta-Elfa Arqueira ficar ligeiramente desconfiada. E quando Garota da Guilda olhou de novo para cima…

— Vamos comprar algumas então… Sim, vamos fazer isso.

Havia aquele sorriso estampado.

— Hã? Mas… Sinceramente, pode ser meio chato…

— Vamos.

E para o aventureiro recusar uma oferta de uma empregada da Guilda era simplesmente impossível.

— Arrgh… Ei, tenho mesmo que vestir isso?

— Sim, tem!

Alta-Elfa Arqueira colocou a cabeça do lado de fora do provador só para se deparar com o dedo de Garota da Guilda em seu rosto.

Garota da Guilda pegara a elfa pela gola e arrastou-a até a loja da cidade.

Essa poderia ser uma área subdesenvolvida na fronteira, mas mesmo aqui havia um alfaiate.

— Apesar de que, se tratando da moda mais recente na Capital, você teria mais sorte nessa loja.

Pode não se comparar a cidade da água, mas mais itens passavam por aqui.

Assim Garota da Guilda disse e estufou seu peito bem-formado, mas Alta-Elfa Arqueira não entendeu. A moda mudava com uma velocidade tão ofuscante, que talvez apenas os humanos pudessem acompanhar.

— E mais — disse Garota da Guilda balançando seu dedo — a aparência é importante para os aventureiros.

— É?

— Se os aventureiros de níveis alto não se destacam, isso diminui a qualidade geral de todos os nossos aventureiros.

Aventureiros eram conhecidos por uma impressão particular, como: rufiões com armas e armaduras. O Estado pode ter estabelecido à Guilda a ajuda para controlar os aventureiros, mas a opinião pública não era tão gentil. Não existia a necessidade de roupas extravagantes, mas uma aparência bem-cuidada era importante.

Não era por Alta-Elfa Arqueira não entender a lógica. Ela entendia, e ainda assim…

— É? — disse ela com uma sacudida descontente com as orelhas. — Tente dizer isso a ele.

— Acha que ele iria ouvir? — ripostou Garota da Guilda com um sorriso largo.

— …Não — disse Alta-Elfa Arqueira, voltando emburrada ao provador. Em suas mãos estava uma lingerie fina e sem mangas, que ia até a barriga.

— Mas tenho altas expectativas em ti, sabe.

— Altas expectativas?

— Elfos tem naturalmente uma pele tão bonita… vocês provavelmente nem precisam se cuidar.

— Não tenho certeza disso…

Não obstante, Alta-Elfa Arqueira fez um grunhido evasivo e se apertou na roupa íntima. Ela não conseguia se acostumar com a sensação de que ficava presa ao seu peito liso.

— Eu prometi ajudar a nossa amiguinha a escolher algumas roupas íntimas também. — Só por um momento, Garota da Guilda pareceu dar uma olhadela por trás de seu sorriso tenso. — Somos todas garotas, certo? Vocês podem ser aventureiras, e equipamentos devem ser mais importantes que a moda, mas… — As orelhas de Alta-Elfa Arqueira captaram as últimas palavras quando ela murmurou: — Mas somos todas garotas, certo?

Não havia nada crítico ou repreensivo em seu tom. Talvez ela não estivesse em posição para fazer tal coisa. Alta-Elfa Arqueira não sabia. Mas mesmo que não entendesse, ela sabia que Garota da Guilda estava tomando conta delas do jeito dela.

Ela é uma boa pessoa. Eu acho.

— Mesmo assim…

Seja como for. Roupa íntima ajuda a absorver suor e coisas assim, mas…

Ela agarrara uma única peça de roupa fina, um triângulo ao contrário. A cor da parte superior e inferior, é claro, combinavam.

…Não acho que essa coisa possa servir muito.

Ela segurou a coisa em sua mão, a esticando e examinando enquanto dizia: — Por que vestiria isso?

— Como assim, por quê?

— Digo, não é como se alguém fosse ver. Para quem você iria mostrar?

Ela podia sentir Garota da Guilda se enrijecendo do outro lado da cortina do provador.

— Hum? — disse Alta-Elfa Arqueira, surpresa, com a cabeça inclinada.  Aparentemente ela perguntara uma coisa que não deveria.

— É-é meio que uma preparação para… para quando chegar a hora de mostrar para alguém. Roupa íntima é o último trunfo de uma garota — disse Garota da Guilda enquanto continuava gentil como sempre.

— É isso mesmo? — perguntou Alta-Elfa Arqueira sem pensar, ao que Garota da Guilda disse rapidamente:

— Sim, é.

Hmm…

Era difícil para ela imaginar que tal peça de roupa fina e de aparência duvidosa fosse tudo isso.

Talvez Garota da Guilda pudesse sentir Alta-Elfa Arqueira refletindo sobre isso, pois ela murmurou: — Ah, bem. Não precisa se forçar a comprar isso agora ou qualquer coisa assim, mas devia pensar nisso.

— Claro, eu irei.

Alta-Elfa Arqueira arrancou as roupas que estivera provando sem qualquer arrependimento. Então ela pegou suas próprias roupas, que estavam espalhadas no chão, e as vestiu o mais rápido que podia. Do outro lado da cortina, ela pôde ouvir Garota da Guilda exclamar “Q-quê?” quando a lingerie veio voando.

— Se você colocar roupas por cima delas e depois tentar se mover, parece que elas ficam meio que… esponjosas e barulhentas. — Alta-Elfa Arqueira saiu do provador, de volta ao seu traje habitual, e olhou nos olhos de Garota da Guilda. Ela estava pegando as roupas que a elfa havia arremessado no chão. Alta-Elfa Arqueira sorriu sem malícia, como um gato. — Prefiro fazer algo divertido. Ei, quer jogar um jogo?

— Um jogo de mesa?

— Correto. Eu descobri há pouco tempo.

Assim elas chegaram à taverna da Guilda algum tempo depois.

Garçonete Felpubro lhes deu uma pequena saudação, e Alta-Elfa Arqueira puxou a cadeira de uma das mesas.

Garota da Guilda trazia uma caixa comprida e achatada, envolto em um pano cor de cobre. Ela abriu a janela e soprou um pouco de poeira. Na tampa havia o padrão como uma cobra sinuosa.

— Você move peões, rola dados e age como um aventureiro… Ao menos, acho que é assim que funciona.

— Então… você finge ser um aventureiro?

— Mais ou menos.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

4 Comentários

  1. “Para quem você iria mostrar?”. Altos pensamento rolando na cabeça da garota da guilda ( ͡° ͜ʖ ͡°)

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