MdG – Volume 5 – Capítulo 3 (Parte 2 de 6)

— Mas chega desse assunto. Mil anos se passarão a seu tempo, e temos que atentar ao que está vindo agora. — Lagarto Sacerdote se virou para olhar para Matador de Goblins. — Meu senhor Matador de Goblins, como vamos atacá-los?

Ele esteve ouvindo a conversa em silêncio. Agora ele disse: — Boa pergunta — e logo voltou a afundar nos pensamentos. Então ele disse: — Acho que devemos fazer como costumamos. O guerreiro na frente, depois a patrulheira, o monge-guerreiro, a clériga e o conjurador.

— Seguindo o padrão — disse Lagarto Sacerdote.

— Aquele túnel parece suficientemente largo — disse Anão Xamã, que espiou pelo monte de neve para dar uma olhadela na entrada. — Talvez dois a três passam?

Goblins tinham boa visão noturna. A entrada do ninho era silenciosa e escura. Não parecia haver nenhum guarda. Era uma armadilha? Falta de vigilância? Ou…

— Tsc. Meu vinho não está mais tão saboroso — disse Anão Xamã estalando a língua. Ele deveria ter notado que os resíduos na entrada era mais do que apenas lixo.

O corpo de uma aventureira estava entre o lixo. O cadáver fora jogado fora como se fosse não mais importante que uma cerca quebrada. Seu equipamento foi retirado; estava claro que ela foi bastante profanada, e seus restos expostos roídos por bestas.

O mais cruel de tudo era que a aventureira parecia ser uma elfa. Parecia; bem, ela deve ter lutado, e a violência parecia ter continuado após a sua morte. Suas orelhas foram cortadas do tamanho das de um humano, e suas pontas presas em sua boca. Os jogos perversos dos goblins não possuíam limites.

Alta-Elfa Arqueira olhou para Anão Xamã. — Hmm? Algo errado?

— …Não. Nada — disse ele sem rodeios. — Mas siga o meu conselho, Orelhuda, e não fique espiando muito por aí.

— Eu jamais faria isso. Na maioria das vezes.

— Ei — grunhiu Matador de Goblins, e perguntou baixinho a Anão Xamã — …era cabelo dourado?

O anão balançou a cabeça lentamente. Ele tocou a barba, deu uma outra olhada, depois balançou mais firmemente. — Não parece, pelo que vejo.

— Então ainda podemos ter tempo — disse Lagarto Sacerdote, e os outros dois homens assentiram.

Sacerdotisa estremeceu, talvez intuindo algo do que a conversa deles pressagiava. Matador de Goblins tocou em seu ombro e disse “Vamos”. Então ele olhou para a garota pálida e descalça. — Vista suas meias e botas.

As sombras formadas pela tocha dançavam estranhamente ao vento. Mas o ângulo em que o túnel fora cavado significava que mesmo que só um passo para dentro, a pessoa estaria protegida pela neve e o vento; quase se poderia ficar aquecido. Se não fosse pelo cheiro de carne e excrementos flutuando de dentro, o lugar até poderia ser aconchegante.

— Hmm. O caminho desce em um ângulo bastante íngreme — disse Lagarto Sacerdote, com sua cauda balançando de interesse.

— É, mas ele volta para cima de novo além — disse Alta-Elfa Arqueira.

— Humm.

Parecia que os goblins cavaram para baixo no chão logo após o começo do ninho e depois voltaram a subir. Os ângulos bastante extremos não pareciam naturais; muito provavelmente, eles foram feitos por mãos de goblin.

— Hmm. Uma barreira bem inteligente contra chuva e neve — disse Anão Xamã, mostrando seu ótimo conhecimento de construção. Ele olhou de volta para a entrada por cima do ombro. — Qualquer precipitação que avançar é apanhada aqui e não vai mais longe pelos túneis.

— Goblins fazem coisas assim? — perguntou Sacerdotisa, pestanejando de perplexidade, ou, talvez, de surpresa. Ela bem lembrava do que sempre era dito: que os goblins eram estúpidos, mas não tolos. Em outras palavras, só porque eles não possuíam muito conhecimento não queria dizer que não pensassem. Mas isso…

— Não sei. — A resposta de Matador de Goblins foi desapaixonada, quase mecânica. Ele sacou a espada do quadril e a usou para mexer na poça de resíduos no fundo da descida. Ele estalou a língua. — Não podemos afirmar nada ainda. Tudo o que posso dizer é tente não pisar na água.

— Há alguma coisa ali? — perguntou Sacerdotisa.

— É uma armadilha. Há estacas no fundo.

Uma armadilha de queda, em outras palavras. Em vez de enterrá-la, os goblins esconderam no fundo de uma piscina de resíduos.

Alta-Elfa Arqueira, analisando a profundidade da piscina com uma de suas flechas ponta-broto, franziu a testa. — Agh. Isso é vil.

— Preciso que escute os inimigos.

— Eu sei, eu sei. Deixe comigo, já te disse. — Ela saltou agilmente pela piscina, mas então piscou o olho travessamente e riu. — Não suporto ficar toda suja tantas vezes.

Havia um sachê aromático pendurado ao redor do pescoço de Alta-Elfa Arqueira para ajudar a afastar os odores. Ela sacudiu as orelhas longas com orgulho, mas Matador de Goblins balançou a cabeça e disse francamente: — Ficar suja não é a questão.

— Ah-ha-ha-ha-ha… Certo, mas, bem, quando você fica sujo, é uma dor de cabeça para limpar… não é?

Sacerdotisa ouviu a gargalhada da elfa. Um saco semelhante estava pendurado próximo a insígnia de seu próprio pescoço. Ela poderia ter se acostumado a esfregar sangue e tripas por todo o corpo, mas não era algo que adorava.

Pensando nisso, a pilha de cadáveres ao lado da entrada do túnel era muito similar. Ela agora possuía bastante experiência com goblins, vira isso muitas vezes e se imaginava acostumada a isso; mas ainda assim. Ela precisava mais do que uma piada ou uma gargalhada…

— Ei. — Alta-Elfa Arqueira, mais adiante, olhou para ela e assentiu suavemente. Ela era assim também. Elfos possuíam senso de percepção excepcional. Vendo a agitação das orelhas da arqueira, Sacerdotisa assentiu de volta.

— Vamos… fazer o que pudermos.

— Certo.

Depois de descerem e então subirem mais duas ou três vezes, o grupo finalmente chegou no túnel principal da caverna. A tocha quase acabara, e Matador de Goblins a substituiu por outra de sua bolsa.

— Segure isso.

— Ah, sim, senhor!

Ele deu a tocha menor para Sacerdotisa, enquanto segurava a nova, que queimava intensamente.

Os humanos eram os únicos membros desse grupo, de fato, os únicos nessa caverna, que careciam de visão noturna decente. À luz da tocha, Matador de Goblins examinava atentamente as paredes de barro.

Elas pareciam ter sido cavadas com alguma ferramenta rustica. Elas eram grosseiras, mas resistentes; um bom exemplo de ninho de goblins.

O problema estava em outro lugar.

— Não vejo qualquer tipo de totem.

— Quer dizer que não existem xamãs?

— Não sei. — Ele balançou a cabeça. — Não sei, mas isso não me agrada.

— Mmm… Mas não seria mais fácil para nós se não tivessem conjuradores? — perguntou Alta-Elfa Arqueira.

— Isso começou a me incomodar também — disse Lagarto Sacerdote, abrindo suas mandíbulas enormes. — O ataque à aldeia, a habilidade com que eles acabaram com os aventureiros anteriores. Seria difícil de se imaginar que não existe um cérebro por trás dessa operação.

— Acha que é outro elfo negro ou um ogro? — perguntou Sacerdotisa.

— Ou talvez… um demônio? — sussurrou Alta-Elfa Arqueira com uma expressão apavorada. A palavra ecoou pelos corredores da caverna, deixando os seus cabelos em pé.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. Tá começando a ficar sinistro esse estranho comportamento desses goblins! Será que meios convencionais(ou seria nao-convencionais?! kkk) vão funcionar…?

  2. Obg pelo capitulo, acho quenao deveria perguntar aqui mas vc tem planos de traduxir as novels de overlord?,

    1. Bem, as chances são praticamente nulas, uma vez que a editora JBC já anunciou o licenciamento de Overlord para o Brasil. Mas nunca se sabe, né?…

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