MdG – Volume 5 – Capítulo 3 (Parte 4 de 6)

Apesar do nervosismo evidente em seu rosto, Sacerdotisa ergueu seu cajado de monge e invocou outro dos milagres desgasta-alma.

— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, conceda tua luz sagrada para nós que estamos perdidos na escuridão!

A Mãe Terra respondeu a oração de sua discípula fiel com outro milagre. Uma luz ofuscante preencheu o local mais uma vez, banindo a escuridão da caverna.

Os goblins, no entanto, não eram tolos. Eles certamente não eram intelectuais, mas quando se tratava em crueldade e malícia, não tinham iguais. E quando essa total falta de princípios estava unida a violência, o resultado era inevitável.

O cajado que a garota ergueu brilhara. Agora estava se levantando outra vez. Isso significava que brilharia de novo.

Um dos goblins, juntando esses fatos mais elementares, abaixou a cabeça. Infelizmente, ele era um dos arqueiros. Como seus três companheiros foram assassinados, ele manteve sua cabeça baixa, à espera de uma oportunidade, com arco e flecha em prontidão.

— Hh… Haagh!

O grito pareceu ser de choque. Alguém caiu: era Alta-Elfa Arqueira. A flecha do goblin havia passado entre os dois guardas da linha de frente para lhe acertar. Um acerto crítico, de fato.

— O que foi isso! — exclamou Lagarto Sacerdote.

— Hrrgh… — Uma flecha rudimentar, mas sinistra, perfurou a perna de Alta-Elfa Arqueira.

Matador de Goblins olhou para trás, então atirou sua clava antes de correr até a elfa.

— ORAAG?!

Fuush. A clava girou uma vez no ar e depois se conectou firmemente com a cabeça de um goblin, provocando um grito. Não foi o suficiente para matar a criatura, embora. Enquanto corria, Matador de Goblins pegou uma adaga do chão, abrangendo os últimos passos com um grande salto.

— GOAORR…?!

O goblin pegou sua flecha e se virou, tentando fugir, mas era tarde demais. A adaga enfiou em seu coração, torceu uma vez e acabou.

— Dezessete…

Isso era todos eles.

Olhando ao redor para a pilha de cadáveres, Matador de Goblins pegou uma espada nas proximidades e a pôs na bainha.

— Ei… ei, você está bem, Orelhuda?

— Hrr… r… sim. Estou… estou bem. Sinto muito. Eu falhei.

— Eu vou cuidar de você imediatamente — disse Sacerdotisa. — Está envenenada?

— Olha — disse Lagarto Sacerdote com a voz grave. — Primeiro, temos que retirar a flecha.

O rosto de Alta-Elfa Arqueira estava pálido, mas ela tentava atuar corajosa; ela mantinha as mãos na ferida enquanto murmurava “Está bem”.

Normalmente, Matador de Goblins teria ido direto até à sua camarada. Mas esse ainda era território inimigo. Eles precisavam estar alertas com eventuais emboscadas.

Pelo que Matador de Goblins poderia ver, o ferimento não era fatal; e de qualquer maneira, havia algo que ele queria verificar. Ele foi até o cadáver do último arqueiro goblin que matara e lhe deu um chute indiferente.

— Hmm.

O corpo rolou, expondo seu ombro. Nele, ele viu uma cicatriz, de uma ferida de flecha que já se curou. Ele se lembrava desse goblin.

— …Quê?

— O que foi?

Nesse momento, Matador de Goblins ouviu vozes de surpresa vindo de trás dele e se virou. Ele foi até onde Alta-Elfa Arqueira estava encolhida. Sacerdotisa olhou para ele do lado dela.

— M-Matador de Goblins, senhor… Veja isso.

Com a mão trêmula manchada com o sangue de Alta-Elfa Arqueira, ela ergueu a haste de uma flecha. Sim; só o cabo, sem ponta.

Fora esculpida de um galho, grosseira o bastante para sugerir o trabalho de um goblin; até tinha algumas penas feias e pequenas presas no final. A ponta, contudo, não estava bem presa. Ou… talvez tenha sido feito deliberadamente. Talvez a ponta da flecha tinha por objetivo romper e permanecer dentro do corpo de Alta-Elfa Arqueira.

Ele foi descuidado.

Não; a contemplação e o remorso teriam que esperar.

Imediatamente, Matador de Goblins se ajoelhou ao lado de Alta-Elfa Arqueira.

— Está doendo?

— E-e-estou bem, s-sério… Orcbolg, você se p-preocupa demais…

Parecia doer apenas de se mexer. Sangue fluía da perna de Alta-Elfa Arqueira, e ela estava gemendo.

— Mantenha pressão na ferida. Vai ajudar a conter o sangue. Embora não seja muito.

— E-está bem, eu vou… eu vou fazer isso. — Sem dúvida ela estava tentando soar forte, mas sua voz estava muito mais branda do que o habitual.

Matador de Goblins se virou para perguntar a Sacerdotisa.

— Algum tipo de veneno?

— De momento, acho que não. Mas… — Quando falou, Sacerdotisa olhou com preocupação para o ferimento de Alta-Elfa Arqueira. Mesmo com a elfa apertando o máximo que podia, sangue vazava por entre seus dedos. — Com a ponta da flecha ainda alojada, não haveria sentido em fechar a ferida com um milagre de cura…

Os milagres de um clérigo provinham dos deuses, mas seus efeitos eram limitados pela realidade física. Usar Cura Menor enquanto um objeto permanece no corpo era uma situação difícil.

Matador de Goblins olhou para Lagarto Sacerdote, mas ele balançou a cabeça também.

— Revigorar só é capaz de reforçar as capacidades naturais de cura do corpo.

Isso tornou a conclusão simples. Anão Xamã colocou a mão na bolsa enquanto falava. — Não podemos deixar lá, podemos? Corta-barba, me dê uma mão, está bem?

— Claro. — Ele e o anão se entreolharam e rapidamente foram ao trabalho. Sacerdotisa, que possuía uma ideia do que iam fazer, parecia bastante perturbada; Alta-Elfa Arqueira, que não, parecia só desconfortável.

Matador de Goblins sacou uma adaga — sua própria, não a que roubara de um goblin — e verificou a lâmina.

— Eu faço isso. Me dê fogo.

— Com certeza. Chama dançante, fama da salamandra. Conceda-nos uma parte da mesma chama. — Anão Xamã retirou uma pederneira dentre os seus catalisadores, lhe acertando enquanto falava. Uma pequena chama-fantasma se desenvolveu no ar, brilhando na adaga de Matador de Goblins.

Matador de Goblins aqueceu a lâmina com cuidado e depois apagou a chama com um movimento rápido. Quase ao mesmo tempo, ele pegou um pano de sua bolsa e jogou para Alta-Elfa Arqueira.

— Mantenha isso na boca.

— O-o que está planejando?

— Eu vou arrancar a ponta da flecha.

As orelhas longas de Alta-Elfa Arqueira ficaram de pé.

— Eu… eu não quero que faça isso! Depois que chegarmos em casa, podemos…!

Ainda sentada, ela recuou. Anão Xamã soltou um suspiro.

— Sem choramingar, Orelhuda. Corta-barba tem esse direito. Quer que essa perna apodreça e caia?

Ao lado deles, Lagarto Sacerdote falou friamente e com a firmeza de uma rocha caindo do céu. — Certamente não seria possível recolocar.

— Ooh… Ohhh…

— Qual é, pessoal, estão assustando-a. — Sacerdotisa, incapaz de se conter mais, repreendeu os homens do grupo; mas ela não fez qualquer esforço para impedir o que estavam fazendo.

Ela mesma teve uma flecha retirada de si à força uma vez. Ela sabia da dor e o medo; e o quão pior poderia ficar se deixassem para lá.

— …Pelo menos, tentem fazer da forma menos dolorosa possível.

— O que mais eu faria? — Matador de Goblins estava à espera da lâmina quente esfriar na temperatura certa. Um médico viajante lhe ensinou que isso se livraria de qualquer veneno na lâmina.

— Me mostre a ferida.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

6 Comentários

  1. Hmmmmm, como aquele goblin se curou? Ele ate aprendeu com o GS (bem, tolos eles não são) Melhor mata-los o mais rapido possivel msm, quero saber quem vai ser o boss do volume

  2. Até conhecimento de medicina o MdG tem!

    PS: “Vivendo e Aprendendo” deve ser um dos lemas dele kkkk

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