MdG – Volume 5 – Capítulo 3 (Parte 5 de 6)

— Me mostre a ferida.

— Errgh… Ohh… Você realmente não vai fazer doer, vai…? — Bem devagar, com o rosto completamente sem sangue, Alta-Elfa Arqueira moveu sua mão.

Matador de Goblins não respondeu e inspecionou o ferimento, de onde o sangue ainda estava pingando.

— Vinho.

— Bem aqui. — Anão Xamã tomou um gole de vinho de fogo e cuspiu, como se estivesse lançando Estupor. Lágrimas surgiram dos olhos de Alta-Elfa Arqueira quando os espíritos alcoólatras queimaram na ferida.

— Hrr… rrgh…

— Morda o pano. Então não morda a língua.

— Só… só perguntando de novo, mas… você não vai fazer doer, vai…?

— Não posso prometer nada — disse Matador de Goblins balançando a cabeça. — Mas vou tentar.

Alta-Elfa Arqueira, parecendo resignada, mordeu o pano e fechou os olhos com força. Sacerdotisa pegou sua mão. E então Matador de Goblins enfiou a adaga na coxa da elfa, alargando a ferida, enfiando mais fundo.

— Hrrrrrgh… Ugh! Gaggghhh…!

O corpo flexível de Alta-Elfa Arqueira se debateu como um peixe que foi levado até a costa. Lagarto Sacerdote pressionou seus ombros para mantê-la firme, e Sacerdotisa continuou lhe segurando a mão. Matador de Goblins não parou o seu trabalho; sua mão era cruel, mas certa.

A remoção da ponta da flecha levou só alguns segundos, ainda que Alta-Elfa Arqueira teria jurado que horas se passaram.

— Feito.

— Hooo… hooo… — Ela soltou longos suspiros de alívio.

Lagarto Sacerdote colocou a mão escamada na coxa de Alta-Elfa Arqueira e recitou: “Gorgossauro, bonito mesmo ferido, permita-me participar da cura em seu corpo!” Foi-lhe concedido uma bênção: Revigorar. O poder dos temíveis nagas fez a ferida da elfa melhorar diante de seus olhos. Carne se juntou e pele se edificou, a ferida parecia evaporar. Um verdadeiro milagre.

— Consegue se mexer? — perguntou ele.

— S-sim — disse Alta-Elfa Arqueira, insegura, com lágrimas ainda nos cantos de seus olhos. Ela mexeu a perna para frente e para trás, verificando se funcionava. Suas orelhas caíram penosamente. — P-primeiros socorros humanos é terrivelmente violento. Ainda posso sentir isso.

— V-você está bem? — perguntou Sacerdotisa, oferecendo o ombro para apoiar Alta-Elfa Arqueira enquanto se levantava.

— Acho que sim…

— Consegue atirar com o arco? — perguntou Matador de Goblins.

— Claro que posso — respondeu a elfa, talvez um pouco mais ardentemente do que o necessário.

Ela não estava se gabando, exatamente. Mas mesmo que pudesse disparar, sua mobilidade estava prejudicada. Ao menos pelo resto do dia.

— Devemos fazer um recuo estratégico… — Matador de Goblins balançou a cabeça. — …mas não podemos fazer isso ainda.

— Não estou confiante com o número de nossas magias restantes — anunciou calmamente Lagarto Sacerdote.

Mesmo assim, o capacete se virou de um lado ao outro. — Ainda há mais deles mais adentro. Temos que investigar. — Matador de Goblins verificou sua armadura, capacete, escudo e arma. Satisfeito, ele se voltou aos seus companheiros. — Posso prosseguir sozinho, se preferirem.

A ferida Alta-Elfa Arqueira foi a primeira a responder. — Não tente ser engraçado. Vamos com você. Não é?

— Claro! Sem dúvida — disse Sacerdotisa assentindo energicamente.

— Hm — grunhiu Matador de Goblins. Lagarto Sacerdote riu e pôs a mão em seu ombro.

— Então, acho que isso significa que todos vamos.

— Pfft! Orelhuda, nunca pensa em quão cansado os outros estão — disse Anão Xamã com um sorriso e dando de ombros.

Alta-Elfa Arqueira o fixou com um olhar feio. — Ei, Orcbolg é aquele quem quer…

E eles começaram.

Matador de Goblins, ignorando o escândalo habitual de seus argumentos, deu outra olhada ao redor do local. Apesar de em desvantagem, os goblins não mostraram nenhum sinal de tentarem fugir.

Então havia um goblin que copiara seu pequeno truque. Um que recebera primeiros socorros pela ferida com a flecha. E um que os comandava.

— Eu não gosto disso — murmurou ele.

Ele não gostava nada disso.

— Hmph.

Matador de Goblins deu um pontapé em uma porta velha apodrecida, a trazendo abaixo. Quase no mesmo momento, os aventureiros se amontoaram no cômodo, tomando posições, com Sacerdotisa no centro da formação, segurando uma tocha.

— Hmm…

Eles esperavam um armazém ou um arsenal, ou, porventura, um banheiro. Mas o local em que a luz brilhava não era nenhum desses.

Muito parecido com a área de antes, essa era outra sala grande escavada da terra. Havia vários montes de terra que poderiam se passar por cadeiras. Mais longe na sala estava uma pedra oblonga que parecia ter sido trazida de outro lugar.

Era inequivocamente um altar.

Isso era uma capela: então essa caverna era um templo? Se sim, esse altar seria onde eles ofereciam seus sacrifícios…

— Oh…! — Sacerdotisa foi a primeira a notar, como frequentemente acontecia. Ela se apressou. A memória de uma armadilha que encontraram nos esgotos passou pela sua mente, mas isso não era razão para hesitar. Ela ficaria atenta, mas não se absteria de ajudar.

Uma mulher estava deitada em cima da pedra fria como se tivesse sido simplesmente jogada ali; ela não usava nenhum pedaço de roupa. Seu corpo exposto estava sujo, e a forma como suas pálpebras estavam fechadas evidenciavam sua exaustão. Seu cabelo emaranhado era de um dourado cor de mel.

— Ela está respirando…! — disse Sacerdotisa alegremente, apanhando gentilmente a mulher.

Seu peito robusto subia e descia suavemente: a prova da vida.

— Missão cumprida, hein? — murmurou Alta-Elfa Arqueira, obviamente não acreditando em tal coisa.

Nunca havia qualquer senso de satisfação ou de conclusão em matar goblins. Ela contraiu os lábios e olhou pela capela. Era um local primitivo de culto. Para um alto-elfo como ela, não parecia ser possível sentir a presença dos deuses em um lugar como esse.

— …Me pergunto se um sacerdote da Seita do Mal esteve aqui.

— Ou talvez essas sejam resquícios de uma ruína antiga — disse Lagarto Sacerdote, olhando em volta. A elfa podia ouvi-lo tirando a poeira enquanto examinava o lugar. — Embora eu não possa imaginar bem qual deus poderia ser adorado em um lugar tão ordinário…

— Espere só um momento — disse Anão Xamã, passando o dedo ao longo da parede. — Essa terra está fresca. Foi escavada recentemente.

— Goblins.? — perguntou Matador de Goblins.

— Provavelmente — assentiu Anão Xamã.

Eram os goblins rheas caídos? Ou elfos ou anões? Ou eles vinham da lua verde? Ninguém sabia. Mas como criaturas que faziam suas casas no subsolo, possuíam estimadas habilidades em cavar. Não importa quão remoto o local, goblins poderiam cavar um buraco e começar a viver nele antes que alguém soubesse o que estava acontecendo.

Eles podiam sair e surpreender um grupo de aventureiros tão facilmente quanto poderiam tomar café da manhã. Uma pessoa não precisava ser Matador de Goblins para saber isso. Na sua primeira aventura, Sacerdotisa descobrira…

— Hum… Olhem aqui…!

Com a exclamação aflita de Sacerdotisa, ele olhou mais uma vez para a aventureira cativa. Sacerdotisa segurava o cabelo da mulher, sem medo de sujar as próprias mãos. Ela estava apontando para a nuca da mulher.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

5 Comentários

  1. Adorei, GS quando foi ajudar a elfa fez algo que é bem a cara dele, nem hesitou kkkkkk e pelo jeito vamos ter uns combates interessantes nesse volume, obrigado pela parte 5

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!