MdG – Volume 5 – Capítulo 3 (Parte 6 de 6)

— Hum… Olhem aqui…!

Com a exclamação aflita de Sacerdotisa, ele olhou mais uma vez para a aventureira cativa. Sacerdotisa segurava o cabelo da mulher, sem medo de sujar as próprias mãos. Ela estava apontando para a nuca da mulher.

Alta-Elfa Arqueira não conseguiu conter um murmuro de “Isso é horrível”, e era difícil de culpá-la. O pescoço da mulher inconsciente possuía uma marca que se destacava dolorosamente. A impressão vermelha e preta horrível manchava sua pele senão linda.

— Hmm…

Matador de Goblins pegou o marcador de metal que estava próximo no chão. Parecia uma ferradura perdida ou algo assim, que fora trabalhada em um formato complexo.

— É isso que eles usaram? — perguntou Lagarto Sacerdote.

— Parece que sim.

Parecia ser uma espécie de círculo, no meio do que estava algo parecido como um olho. Matador de Goblins pegou uma tocha e examinou cuidadosamente a marca, fixando ela em sua memória. Era a marca de uma tribo nobre ou de um clã? Restavam muitos mistérios sobre os goblins.

— Contudo… não parece ser um totem de goblins.

Os goblins possuíam pouca noção para criar coisas si mesmos. Eles iriam apenas roubar o que precisavam; isso era o suficiente para eles. Esse ferrete, no entanto — mesmo que fosse construído de uma combinação de itens encontrados — representava um ato de criação.

— Acho que é… a lua verde — disse uma voz trêmula. Era Sacerdotisa, acariciando gentilmente o pescoço da mulher. — É o sinal de um deus. A divindade do conhecimento externo… o Deus da Sabedoria.

…Muitos deuses se reuniam à volta desse tabuleiro, para vigiá-lo. Eles incluíam, é claro, o Deus do Conhecimento, que governava o conhecimento das coisas e encontrava muitos fiéis entre estudiosos e oficiais. Dizia-se que a luz do Deus do Conhecimento brilhava entre todos que se aventuravam rumo ao desconhecido, buscando a verdade e as coisas do mundo.

Sim: o que o Deus do Conhecimento concedia não era o conhecimento em si, mas sinalizadores, um caminho que leva à verdade. As adversidades em si era um importante tipo de conhecimento.

O Deus da Sabedoria, que era a divindade do conhecimento das coisas externas, tratava com algo sutilmente diferente. O Deus da Sabedoria não conduzia os suplicantes ao conhecimento, mas dava sabedoria a todos os que pediam. O que isso faria ao mundo, o tabuleiro, provavelmente não era do interesse da divindade.

Considere, por exemplo, um jovem que, confrontado com as infelicidades mesquinhas da vida diária, resmunga: “Talvez o mundo acabe…”. Normalmente, tais palavras seriam meras tolices, uma expressão inocente de insatisfação. Mas, quando o olho do Deus da Sabedoria cai sobre tal pessoa; e então?

Em um instante, uma forma terrível de acabar com o mundo entra na mente do jovem, e ele começa a agir. Alguns acreditam nesse deus, graças ao surgimento repentino de discernimento inexplicável. Mas…

— Nossa. Agora minha cabeça dói tanto quanto a minha perna — disse Alta-Elfa Arqueira, franzindo a testa como se estivesse de fato com dor de cabeça. — Eu fico de olho. Vocês continuam.

— Ei — disse Anão Xamã com um pouco de aborrecimento. — É tudo muito bom e tal você ficar de guarda, mas poderia ao menos ouvir o que estamos falando.

— Sim, claro… — Ela não parecia muito entusiasmada. Ela mexia na corda do arco, com uma flecha vagamente de prontidão. Ela mantinha suas pernas se mexendo impacientemente; talvez a dor estivesse a incomodando. As suas orelhas balançavam um pouco como se escutasse atentamente.

Matador de Goblins olhou em sua direção, mas depois olhou mais uma vez para o marcador.

— A lua verde, você disse?

— Sim, senhor. Aprendi só um pouco sobre isso durante o meu tempo no templo. — Sacerdotisa não soava que acreditasse bem. Seu tempo como uma aprendiz já parecia tão distante.

— Você quer dizer daquela que os goblins vêm? — murmurou Matador de Goblins, pegando a marca de metal. — Se sim, então não há dúvidas de que os nossos inimigos são goblins.

Ele falou se qualquer hesitação. — Um daqueles goblins mostrava sinais de ter sido curado.

Mas, quem chegaria ao ponto de usar um milagre para ajudar um goblin?

— Um agente do caos transbordando com misericórdia e compaixão? — zombou Lagarto Sacerdote. — Duvido.

— Então deveria ser um goblin, não é? — disse Sacerdotisa. — Mas… como poderiam…? — Ela pestanejou, como se não quisesse acreditar.

O deus que dava conhecimento do exterior era um imprevisível; não seria uma grande surpresa se a divindade falasse com um goblin.

Não seria estranho, contudo, uma dúvida desesperada permanecia no coração de Sacerdotisa. Ainda assim, se os goblins conseguissem completar um ritual… isso seria muito pior do que ouvir ocasionalmente a voz de deus.

— Tem certeza de que não é algum sacerdote maligno de ranque alto, um elfo negro ou algo assim? — perguntou ela.

— O quê? Não creio — respondeu uma voz clara e alta, em resposta a sugestão de Sacerdotisa.

Anão Xamã suspirou de novo e afagou a barba com mais do que um pouco de incômodo. — Você pode ficar vigiando ou conversar. Escolha um.

— Você é quem me disse para ouvir vocês. Se estou ouvindo, tenho o direito de contribuir, não tenho? — riu discretamente Alta-Elfa Arqueira.

— Hum — disse Lagarto Sacerdote, assentindo. — E senhora Patrulheira. O que gostaria de contribuir?

— Digo… — Ela girou seu dedo indicador em um círculo. — Se você tem um monte de goblins, e você só os usa para fazer algumas pilhagens… isso não o faz muito mais inteligente do que um goblin, não é?

— Inferno, Orelhuda, talvez um bando de bandidos descobriu a religião e pensaram que deveriam adorar os goblins!

— Você só está aborrecido porque não pode acreditar mais em sua própria explicação.

— Hum, bem.

— Heh. — Lagarto Sacerdote meio que bufou, cruzou os braços, e então começou a contar com seus dedos. — Ele pensa como um goblin, controla goblins, cura goblins, ataca pessoas e é um seguidor do mal.

Sacerdotisa colocou o dedo nos lábios, pensando nas possibilidades. — Um sacerdote goblin? Um sacerdote-guerreiro?

Nada parecia se encaixar bem. O que eles estavam enfrentando aqui? Um goblin de alguma espécie? Mas, de que tipo?

Naquele momento, uma ideia passou pela cabeça de Sacerdotisa, tão subitamente quanto fosse um presente dos céus.

Era uma ideia ultrajante e inviável. Mas…

As coisas começavam a fazer sentido se estivessem lidando com alguém que possuía um exército contra os descrentes.

— Não… Não pode ser. Isso é impossível.

— …

Ela se abraçou, pondo as mãos em seus próprios ombros enquanto balançava a cabeça, se recusando a acreditar.

Ao seu lado, ela podia ouvir o ferrete ranger na mão de Matador de Goblins.

Não era possível. Era ridículo. Mas, na verdade, nada era impossível.

Só havia uma resposta. Matador de Goblins reconheceu claramente a verdade de seu inimigo.

— Um goblin paladino…

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

  1. eita um paladino, teve algum problema com o site, eu n vi nenhuma das publicaçoes (cap 4 e 5) ate esse sair, ou vc lançou eles tudo junto????

    1. Então, não lancei eles juntos. Muito provavelmente pode ter sido falha do sistema. O site anda extremamente problemático essa semana, infelizmente… Tu pode ver que até o leiaute do site teve que mudar temporariamente. Esperamos arrumar o mais rápido possível.

  2. Tem até goblin paladino mas não aceitam um meio demônio paladino (amino comunidade de overlord)

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