MdG – Volume 5 – Capítulo 4 (Parte 4 de 6)

— Como ela está?

— Acordada.

Quando Matador de Goblins desceu as escadas, Sacerdotisa o questionou com preocupação na voz, mas ele respondeu indiferentemente.

Ao contrário de sua discussão mais cedo, agora não havia aldeões na pousada.

A noite caíra completamente quando Matador de Goblins e os outros voltaram. Se os goblins estivessem todos mortos, então não haveria necessidade para os aldeões passarem a noite em vigilância temerosa. Seus dias de serem atormentados pela escuridão, o frio e o medo acabaram.

A única exceção era o chefe da aldeia. Ele teve o azar de saudar os aventureiros e o primeiro a ouvir o seu relatório.

“Os goblins parecem ter construído um ninho separado.”

O chefe dificilmente poderia ser culpado pela forma que seu queixo caiu. Como sua aldeia, aqui no Norte, deveria se preparar agora para o inverno? Eles tinham muito pouco sobrando. E agora chegou a esse ponto. Os goblins na caverna foram mortos; os aventureiros teriam todo o direito de considerar a missão concluída. Os aldeões teriam que voltar para a guilda, registrar outra missão, e pagar outra recompensa.

Se não fizessem, a aldeia seria simplesmente destruída.

Assim sendo, seu alívio foi imenso quando Matador de Goblins anunciou que o seu grupo continuaria lidando com os goblins. Mas, isso não resolvia o problema da aldeia com provisões. A mesa que o grupo se sentou só possuía pratos modestos, sobretudo vegetais com sal.

No espaço livre entre os pratos, uma folha de velino estava aberta. Era o mapa da montanha nevada que o armadilheiro lhes dera antes do ataque deles à caverna. Matador de Goblins organizou o mapa para que o norte estivesse para cima de onde ele se sentou.

— Ei — disse Alta-Elfa Arqueira com os olhos entreabertos. — Devemos realmente deixá-la sozinha?

— Não sei.

— Como assim, não sabe?

— Como poderia saber? — disse Matador de Goblins, parecendo um pouco aborrecido. Ele poderia ser rude, bruto e frio. Mas ele quase nunca gritava. — O que deveria ter dito a ela? “Lamento que seus amigos estejam mortos, mas pelo menos você sobreviveu”?

Isso tirou as palavras da boca de Alta-Elfa Arqueira. — Bem… Bem… — Ela abriu a boca, depois fechou outra vez, antes de finalmente dizer: — Existe essa coisa como a forma sensível de dizer as coisas.

A resposta de Matador de Goblins foi breve: — Isso não muda o que significam.

Pensando bem…

Sacerdotisa mordeu os lábios suavemente. Ele também não a confortou em seu próprio caso. Nem quando resgataram a aventureira elfa ferida das ruínas. Ele sempre foi…

O gosto leve de sangue era tão amargo que quase trouxe lágrimas aos seus olhos.

Ela olhou na direção de Matador de Goblins, mas ele não pareceu notar.

— Como está seu ferimento? Afeta algo no movimento?

Alta-Elfa Arqueira franziu os lábios. Mudanças tão diretas de assunto eram uma de suas especialidades. Por outro lado, ele estava preocupado com ela — mesmo que sua preocupação fosse principalmente sobre matar goblins! — e ela não podia se queixar disso.

— …Está tudo bem. Mesmo que ainda doa um pouco. Recebi tratamento por isso.

— Entendi — assentiu ele. Seu capacete balançou com o movimento. — Nesse caso, passando agora para a provisão de equipamentos. Como estão as coisas?

— Hum. — Lagarto Sacerdote assentiu soturnamente e tocou a bolsa simples colocada ao seu lado. Sua cadeira, em torno do qual ele conseguiu de alguma forma envolver toda sua cauda, rangeu. — Consegui obter provisões; ainda que bastante caras, já que pedi aos aldeões para retirar de suas próprias reservas.

— Lá se vai nosso lucro… outra vez — disse Alta-Elfa Arqueira com um suspiro. Ela estava tentando soar frustrada, mas um sorriso puxou os cantos de seus lábios. Eles estavam juntos há quase um ano, e ela ficou acostumada com isso. Embora a sua vontade para levá-lo em uma verdadeira aventura só havia aumentado também.

— O que é isso? Preocupada com dinheiro, Orelhuda? Normalmente não é desse tipo. — Anão Xamã riu ruidosamente, tendo ou não entendido o que Alta-Elfa Arqueira realmente pensava. Não satisfeito com apenas o vinho que usava como catalisador, ele pegou outro copo para ajudá-lo nessa conversa. Era um álcool insípido, inodoro e forte; a garrafa foi enterrada na neve e transformada em hidromel. Anão Xamã o emborcou.

Alta-Elfa Arqueira pensou que teria uma ressaca só de ver. — É claro que estou — disse ela, olhando irritada para o anão. — As recompensas por matar goblins são desprezíveis!

— Mas também, conseguimos resgatar uma aventureira dessa vez — disse Lagarto Sacerdote.

— Bom, não é todo dia que se vê cinco ou seis aventureiros ranques prata matando goblins, não é? — disse Anão Xamã.

— Ér… só sou obsidiana — murmurou Sacerdotisa, e sorriu ambiguamente.

Ela sabia o que era ser a única sobrevivente de um grupo aniquilado. Ela queria acreditar que não estava forçando a interpretação; mas não conseguia deixar de pensar quão diferente ela realmente era dessa Esgrimista Nobre.

Ela não sabia se era o destino ou o acaso… Mas, cada vez que pensava nos dados invisíveis rolados pelos deuses, ela sentia algo como resíduos se acumulando em seu coração.

— Ouçam, eu consegui pegar uns medicamentos — disse Anão Xamã. Ele esvaziou o copo, encheu e bebeu de novo.

— A irmã mais velha daquela garota… — Matador de Goblins pausou por um momento. — A curandeira. Foi-nos dito que ela é inexperiente.

— Talvez não consiga fazer poções, mas disse que iria nos dar todas as ervas que queríamos — disse Anão Xamã com um sorriso largo. Então ele passou a mão na barba. — Não acha que ela é bem o seu tipo? Ela dá uma bela esposinha.

— Não tenho ideia.

— Hum… — irrompeu Sacerdotisa, incapaz de se conter.

Anão Xamã e Matador de Goblins, com sua conversa interrompida, olharam para ela, e Lagarto Sacerdote e Alta-Elfa Arqueira logo seguiram.

— Hum, bem… — Ela se contorceu sob o olhar coletivo deles. — Só… me pergunto o que vamos fazer a seguir — terminou ela sem jeito.

— Matar os goblins, é claro. — A resposta de Matador de Goblins foi tão fria como sempre. Ele se inclinou sobre a mesa, olhando para os copos e pratos que cercavam seu mapa. — Movam seus pratos.

— Pode deixar — disse Anão Xamã como se voltando a si de repente; ele pegou uma batata cozida ao vapor de um dos pratos e mordeu.

— Ei! — disse Alta-Elfa Arqueira, que pensou ter direitos sobre aquela comida. Ela tirou os pratos para longe parecendo muito explorada.

Preocupado de que seu licor pudesse ser recolhido junto com o resto dos pratos, Anão Xamã trouxe seu copo e garrafa para si protetoramente.

Lagarto Sacerdote considerou a visão dos dois sendo “muito engraçada”, estendendo a língua de fora e colocando mais vinho em seu copo vazio.

— ……

Quando tudo feito, Sacerdotisa limpou a mesa silenciosamente.

— Bom — disse Matador de Goblins, assentindo e reorganizando o mapa na mesa. Depois ele pegou um utensílio de escrever — apenas um pedaço de carvão preso a um pedaço de madeira — de sua bolsa de itens e marcou a localização da caverna com um X.

— É óbvio que a caverna não era seus aposentos.

— É, era definitivamente uma capela ou algo assim — disse Alta-Elfa Arqueira, bebericando um pouco de vinho tinto. — Embora ainda não consiga acreditar.

— Credível ou não, aparentemente é. Acho que temos que reconhecer isso. Mesmo assim… — Lagarto Sacerdote deu um suspiro sibilante, fechando os olhos. Segundos mais tarde, ele abriu um deles e olhou para Sacerdotisa. Ela encontrou seus olhos e tremeu. — …Gostaria de saber o que nossa honrada clériga pensa.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

12 Comentários

  1. “— O que é isso? Preocupada com dinheiro, Orelhuda? Normalmente não é desse tipo. — Anão Xamã riu ruidosamente, tendo ou não entendido o que Anão Xamã realmente pensava. Não satisfeito com apenas o vinho que usava como catalisador, ele pegou outro copo para ajudá-lo nessa conversa. Era um álcool insípido, inodoro e forte; a garrafa foi enterrada na neve e transformada em hidromel. Anão Xamã o emborcou.”
    Tem muito Anão Xamã nessa frase não? Acho que um deles era para ser o Lagarto Sacerdote.

  2. O MdG se mostrando pela primeira vez aborrecido (pelo menos um pouco kk), e a Sacerdotisa demostrando ciúmes?!

    Apesar de ser só uma conversa casual entre eles, até que foi interessante esses pequenos detalhes.

    1. Achei que só eu tinha reparado nisso, por que mostra como o aprofundamento nas relações do grupo fez o GS amolecer e ficar mais “humano” e essa parte dela com ciúmes foi muito bonitinha kk adorei

  3. To muito animado pra saber como as coisas vão se seguir, são 7 capítulos nesse volume neh?
    E obrigado pela tradução kk

  4. obg pelo capitulo, aviso a todos que estao lendo não vao ver as ilustraçoes estou com vontade de me bater por ter ido ver

    1. Ah sim, eu tenho sorte que esqueço rápido doq vi nas imagens então eu não lembro dos spoilers que tem kkk

    2. eu vi no começo do capitulo e nem lembro mais quais era huehueh isso e o bom de poder ver spoiler e 2 minutos depois ja esquece tudo o/

  5. Sacerdotisa expressando ciúmes? Interessante. O Goblin Slayer se mostra um pouco mais expressivo também, está muito bom.

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