MdG – Volume 5 – Capítulo 4 (Parte 5 de 6)

— É, era definitivamente uma capela ou algo assim — disse Alta-Elfa Arqueira, bebericando um pouco de vinho tinto. — Embora ainda não consiga acreditar.

— Credível ou não, aparentemente é. Acho que temos que reconhecer isso. Mesmo assim… — Lagarto Sacerdote deu um suspiro sibilante, fechando os olhos. Segundos mais tarde, ele abriu um deles e olhou para Sacerdotisa. Ela encontrou seus olhos e tremeu. — …Gostaria de saber o que nossa honrada clériga pensa.

— Ah! Uh… Hum, sim… — Sacerdotisa se endireitou rapidamente na cadeira, segurando seu cajado de monge que estava em seu colo. Ficou claro que ele estava tentando mostrar alguma consideração por ela.

Tenho que responder.

Ela tomou um gole de vinho, lambendo seus lábios agora úmidos. — Concordo com Matador de Goblins. Foram… trinta?

— Trinta e seis — pontuou Matador de Goblins. — Isso é quantos deles matamos.

— Não acho que trinta e seis deles pudessem dormir lá.

— Verdade, o lugar não parecia ter muito em termos de comida, vinho ou qualquer uma das suas coisas favoritas — disse Anão Xamã.

A palavra goblin era praticamente sinônimo da palavra estúpido, mas isso não significava que eles não tivessem algum cérebro. A razão de eles não terem tecnologia para criar qualquer coisa era porque tendiam a considerar a pilhagem o suficiente para satisfazer as suas necessidades. Mas o mesmo não podia ser dito das cavernas que esses viviam. Se eles tivessem roubado uma casa, alguma ruína, ou alguma estrutura pré-existente, talvez fosse uma questão diferente. Mas, uma caverna…

Os goblins, com sua própria maneira desagradável, preparariam armazéns, locais para dormir e pilhas de lixo. No mínimo, seria de se esperar encontrar os restos de uma de suas grandes festas por lá, mas os aventureiros não descobriram tais restos. Eles encontraram só aquele altar de pedra, um lugar que parecia uma capela, e uma mulher prestes a ser oferecida…

— Isso sugere que a sua principal habitação está em outro lugar — disse Matador de Goblins, circulando no mapa uma colina para lá das montanhas. — Segundo os moradores, existem algumas ruínas antigas em algum ponto mais alto de onde escalamos.

— Há uma grande probabilidade de que os goblins estejam assentados lá. — Lagarto Sacerdote assentiu. — Você tem alguma noção de que tipo de ruínas são?

— Uma fortaleza de anões.

— Hum — murmurou Anão Xamã com essa menção de sua raça; ele tomou outra golada de hidromel. — Uma das fortalezas do meu povo da Era dos Deuses, isso? Isso significa que um assalto frontal arriscaria as nossas vidas, Corta-barba. Vamos tentar o fogo?

— Tenho um pouco de óleo — disse Matador de Goblins, retirando uma garrafa cheia de um líquido preto de sua bolsa. — Mas, presumo que a fortaleza seja feita de pedra. Um ataque com fogo pelo lado de fora não a colocaria em chamas.

— Pelo lado de fora… — repetiu Sacerdotisa, tocando o dedo contra os lábios. — E quanto a partir de dentro, então?

— Um bom plano — disse de imediato Lagarto Sacerdote, abrindo as mandíbulas e assentindo. Ele passou a garra ao longo do mapa de pele de cordeiro, traçando cuidadosamente a rota de sua marcha. — Castelos infiltrados pelo inimigo são e sempre foram vulneráveis.

— Mas, como vamos conseguir entrar? Estou certa de que não podemos simplesmente entrar pela porta da frente — disse Sacerdotisa com um toque de aflição.

Nisso, no entanto, as orelhas de Alta-Elfa Arqueira se levantaram, e ela se inclinou bastante para frente. — Então vocês querem se esgueirar em uma fortaleza! — Ela parecia positivamente leviana. Ela continuou murmurando “Claro, claro” consigo mesma, com suas orelhas balançando junto às suas contemplações. — Certo! Isso está quase começando a parecer uma verdadeira aventura. Ótimo!

— I-isso é… uma aventura?

— Com certeza — disse Alta-Elfa Arqueira com sua forma alegre e vívida. Ela estava evidentemente animada, embora fosse possível que estivesse fazendo uma fachada encorajadora. Nada dizia que tinha que agir triste só porque se estava em uma situação deprimente.

— Montanhas antigas dentro das terras selvagens! Uma fortaleza imponente controlada por algum cabeça poderoso! E nos esgueiramos e acabamos com ele!

Se isso não é uma aventura, o que é?

Alta-Elfa Arqueira ofereceu essa explicação com muitas gesticulações, depois olhou sugestivamente para Matador de Goblins.

— Acho que não estamos exatamente lutando contra um Senhor Demônio ou algo assim… mas não é um clássico extermínio de goblins, de certo.

— Não é bem uma infiltração também — murmurou Matador de Goblins. — O inimigo saberá que há aventureiros. Temos que aproximarmos cautelosamente.

— Você tem um plano? — perguntou Anão Xamã.

— Estou pensando em um agora. — Matador de Goblins olhou para eles. Sua expressão estava mascarada pelo seu capacete, mas ele parecia olhar para os seus dois clérigos.

— Disfarçar em relação sua religião?

— Hummm. Imagino — disse Lagarto Sacerdote, com os olhos revirando. Então seus olhos reptilianos se fixaram em Sacerdotisa e cintilaram travessamente. Ela captou seu significado e sorriu suavemente consigo mesma.

Não posso simplesmente deixar todos me paparicarem o tempo todo.

— A… acho que depende da hora e da situação.

— Tudo bem. — Matador de Goblins vasculhou sua bolsa de itens e, finalmente, pegou algo. Ele rolou pela mesa, sobre o mapa e então parou.

Era o marcador que portava o símbolo do mal.

— Já que eles foram gentis em nos deixar uma pista, eu não poderia recusar em prosseguir.

— Ha-ha. Muito astuto — disse Lagarto Sacerdote, batendo as mãos escamadas. Ele parecia perceber o que se passava. — Se tornar um membro da Seita do Mal. Hum, muito bem.

— Sim.

— Sou um homem-lagarto que serve ao Deus das Trevas. Meu discípulo é um guerreiro, e estamos acompanhados por um anão mercenário…

— Suponho que isso faz de mim uma elfa negra! — disse Alta-Elfa Arqueira com um sorriso felino. Então se virou para Sacerdotisa. — Vou ter que pintar meu corpo com tinta. Ei, talvez você possa colocar algumas orelhas falsas! Poderíamos ser gêmeas!

— Hã? Ah… hum? Eu vou… eu vou ter que me pintar também?

De repente, Sacerdotisa não sabia para onde olhar. Alta-Elfa Arqueira se moveu rapidamente ao redor dela, cheia de sorrisos.

— É melhor do que entranhas de goblins, não é?

— Não acho que isso diz muita coisa…!

Dado a liberdade para escolher, ela não teria escolhido nenhuma dessas coisas. Mas, se fosse preciso…

Matador de Goblins olhou para as duas garotas tagarelando, depois se virou para o outro homem. Lagarto Sacerdote entrecerrou os olhos bem levemente.

— Elas são duas belas jovens.

— Sim — disse Matador de Goblins, assentindo — eu sei.

Se tivesse que fazer algo ultrajante ou inacreditável para alcançar a vitória, ele faria. Se ele tivesse que ficar deprimido ou sério a fim de combater eficazmente, ele faria isso.

Mas, a realidade era diferente. Risos e regozijo: o grupo todo reconhecia quão importante eram essas coisas.

— Bom, agora, creio que devemos decidir o que faremos de modo a se disfarçar — disse Lagarto Sacerdote.

— Seria inconveniente se os goblins descobrissem que éramos aventureiros — disse Matador de Goblins. — Seja o que façamos, temos que mudar o que usamos.

— Pfft — disse Anão Xamã com uma gargalhada, seu hálito fedia à álcool. — Se não se importarem que sejam bem usadas, eu tenho algumas roupas.

— Oh-ho. Você é um anão de muitos talentos, Mestre Conjurador.

— Boa comida e vinho, boa música e canção, e algo bonito de se usar. Se já tem tudo isso mais a companhia de uma bela mulher, você tem tudo o que precisa para aproveitar a vida. — Ele se ajeitou com outro copo de hidromel em mãos e fechou os olhos. — Posso lidar com cozinha, música, canção e costura por mim mesmo. Quanto a uma mulher, há sempre as cortesãs na cidade.

— Céus. Você não tem esposa, então? — Lagarto Sacerdote pareceu bastante surpreendido, mas Anão Xamã respondeu: — Na verdade não. Penso em passar mais ou menos cem anos aproveitando a vida de solteiro, bancando o bon vivant.

Lagarto Sacerdote riu, pondo a língua para fora e bebendo alegremente sua bebida. — Mestre Conjurador, quão jovem você parece. É o suficiente para deixar um lagarto velho com inveja.

— Ah, mas acredito que sou mais velho que você. — Ele estendeu a jarra de vinho convidativamente; Lagarto Sacerdote assentiu e levantou o copo.

Matador de Goblins foi o próximo. Ele grunhiu “Hum” e simplesmente estendeu seu copo. Álcool o preencheu.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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