MdG – Volume 5 – Capítulo 5 (Parte 10 de 11)

— Não percebeu?

— Percebeu o quê?

— Quando lhe dei aquela tocha, ela ficou um pouco envergonhada.

— É mesmo…?

Com esse murmuro, Matador de Goblins e Sacerdotisa foram para o armazém.

Um odor de mofo fez seus narizes formigar, e a poeira os fazia querer espirrar. Eles fecharam a porta atrás deles. Imediatamente, Anão Xamã correu para as dobradiças, martelando pinos no lugar.

— Normalmente, eu deixaria aberta — disse ele dando de ombros, colocando de volta o pino e o martelo em sua bolsa. — Mas não queremos monstros desagradáveis se esgueirando atrás de nós, agora, não é?

— Falando verdadeiramente, agora se o inimigo aparecer na frente de nós, nossa fuga estará bloqueada por trás.

Alguém soltou uma grande risada, mas se era Lagarto Sacerdote ou Anão Xamã, ninguém tinha certeza.

— Parem já. — Alta-Elfa Arqueira franziu a testa, mas Sacerdotisa se juntou ao coro de risos.

Apenas Matador de Goblins e Esgrimista Nobre ficaram em silêncio. A jovem ainda segurava a tocha, a levantando devagar acima da cabeça. Cada movimento da chama produzia sombras dançantes. Na luz instável, Matador de Goblins examinou o equipamento no depósito.

— Para um arsenal… — Enquanto falava, ele foi casualmente até um barril próximo e pegou algo. Era uma picareta rudimentar, de aparência barata, coberta de lama e ferrugem, obviamente bem usada. Uma olhada revelava igualmente pás espalhadas, e outras ferramentas boas para mexer em terra. — …não há muito em termos de armas ou armaduras.

— Não acha que eles estão apenas fazendo buracos? Eles são goblins, afinal de contas. — Alta-Elfa Arqueira soou totalmente desinteressada. Ela não deu a mínima sobre as armas e armaduras. Em vez disso, ela levantou as orelhas, ouvindo atentamente por passos do lado de fora.

— Ou talvez estejam cavando por algo, extração. — Lagarto Sacerdote estendeu a mão, balançando preguiçosamente sua cauda no ar. Ele pegou uma lança que caíra negligentemente entre as picaretas e disse: — Se esse tal de goblin paladino existe, imagino que ele tenha mais em mente do que simplesmente ampliar seu ninho.

— Faz sentido para mim — disse Anão Xamã, olhando em volta, mas ele não parecia feliz com isso. O lugar poderia estar sujo, mas a arquitetura em pedra ainda se gabava do toque delicado dos anões; nenhuma pessoa comum poderia imitar. — Essa é uma fortaleza de anões. Ao menos deve haver depósitos de minérios por aí.

— Mas — disse Matador de Goblins — goblins sabem como forjar espadas?

O que eles poderiam estar escavando? Ninguém tinha uma resposta.

A sombra do goblin paladino, o inimigo cujo rosto eles ainda não conheciam, pairou sobre eles.

Mesmo Matador de Goblins ficou sem palavras para a resposta aqui. Quem mais seria capaz de compreender o que ele não conseguia?

— Seja como for… — murmurou Sacerdotisa, agarrando seu cajado de monge como se para afastar a atmosfera opressiva. Quando ela viu que poderia tirar as palavras da boca, a coragem para continuar cresceu. — Seja como for, se esses goblins estão planejando alguma coisa, não podemos deixá-los aqui.

Suas palavras resolutas produziram concordância dos outros aventureiros.

— Temos que fazer algo quanto a essas armas e equipamentos também…

— Ahh, deixa isso comigo — disse Lagarto Sacerdote. — Tenho uma pequena magia para momentos como esses.

Ele espalhou algumas presas de dragão e fez um gesto estranho de mão, juntando as palmas.

Bem, não tem jeito — sussurrou Anão Xamã com isso. — Hum. Você, garota.

— …! …?

Esgrimista Nobre, que estava totalmente focada em carregar a tocha, se assustou e fez um som de quase voz como resposta. Ela olhou para a barba de Anão Xamã, que ele acariciava; ele deu um pequeno grunhido e então indicou com o queixo o equipamento nas proximidades.

— Me dê uma mãozinha. Vamos trazer algumas dessas armas. — Então, como se ele já soubesse exatamente o que estava procurando, Anão Xamã se aproximou de uma pilha de equipamentos diversos e pegou uma espada. — Corta-barba não é propriamente legal com esses brinquedos. E você nunca vai sobreviver só com essa adaga.

Houve um grunhido; de Matador de Goblins, é claro. — Acredito que uso meu equipamento adequadamente.

— Heh-heh! — Seria possível entender o riso silencioso como aborrecedor, mas na verdade era só Alta-Elfa Arqueira rindo.

Por sua vez, Esgrimista Nobre levou um segundo para entender que lhe pediram para ajudar. Mas quando o pensamento passou, ela começou a juntar rapidamente o equipamento. Uma espada, uma lança, uma clava… Isso era tudo equipamento de goblins. Mesmo assim, ela não era uma pessoa grande. Ela poderia ser uma guerreira, mas existia um limite de quanto ela poderia carregar. E, além disso…

— Não acho que um peitoral de placas goblin vai servir em você — declarou Anão Xamã.

O busto generoso de Esgrimista Nobre era maior do que poderia ser contido pela armadura de torso encontrada.

Olhando de lado, Alta-Elfa Arqueira deu um pequeno bufo e sugeriu com raiva: — Basta dar um bom empurrão, por que não? Aperte aí dentro.

— Sua orelhuda grosseira! Uma garota com uma tábua como peito pode não saber isso, mas uma armadura que não se encaixa mais atrapalha do que ajuda!

Anão Xamã ignorou a resposta Quem é uma tábua?! de Alta-Elfa Arqueira, olhando em vez disso para esgrimista Nobre.

Ela podia usar tanto uma espada quanto magia, e ela usava armadura leve que lhe permitia tirar o máximo de proveito de ambos. De momento, a única arma que possuía era uma adaga. Não é o tipo de coisa que faria a principal fonte de poder de fogo de um grupo.

— Então é melhor começar com uma espada…

— …!

Esgrimista Nobre franziu a testa visivelmente e se afastou de Anão Xamã.

— Hmm?

— ……Não……

Sua voz foi bem fraca. Anão Xamã olhou curiosamente para ela; ela olhou fixamente para sua barba.

— ……Não preciso……

— ……

— …Não preciso… de uma arma…!

Sua voz ainda era silenciosa, mas havia uma pitada inconfundível de raiva. Seu rosto bastante inexpressivo começou a se deformar.

— Hum. — Anão Xamã, possivelmente um pouco surpreendido, pestanejou e passou os dedos na barba. Então ele deu um sorriso largo, como se tivesse acabado de comer uma refeição deliciosa. — Entendi, entendi! Então você não está interessada em equipamento. Excelente! Esse agora é o início de uma amizade!

— ……

Agora foi a vez de Esgrimista Nobre ficar sem palavras.

Enquanto ela ficou lá pestanejando para ele, Anão Xamã continuou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo: — Como vai se relacionar, não sendo capaz de dizer as coisas que quer? Hum?

Ao menos roupa exterior, então — murmurou ele, mexendo no conteúdo do armazém.

Poderia ser todas armaduras leve de goblins ali, mas também eram sobretudo roubadas. Tudo estava coberto de terra e sujeira, mas poderiam ser usadas de maneira prática.

Uma indumentária exterior de couro. Luvas reforçadas com aço. Talvez alguma coisa de metal para proteger a cabeça…

— …? …?!

Esgrimista Nobre ficou totalmente desconcertada ao se ver levada, com Anão Xamã a equipando com uma coisa depois outra. Nenhuma raça poderia superar os anões quando se tratava de avaliar a qualidade de armas e armaduras.

Isso, então aquilo, antes essa coisa, depois outra. Coloca equipamento, retira equipamento, novo equipamento, até que sua cabeça girou.

— Ei, vai com calma, está bem? Não faça tudo de uma vez… — Sacerdotisa ofereceu essa tentativa tímida de salvar Esgrimista Nobre, mas ela não parecia muito esperançosa.

Ela de alguma forma parecia uma irmã mais velha… Ou talvez, mais precisamente, alguém que estava tentando bastante agir como uma. Ela pôs a mão no quadril e balançou o dedo, repetindo: — Vamos, pare. — Ela estava tentando parecer séria, mas não fazia um bom trabalho. — Só está causando problemas para ela.

— Hum… — resmungou Anão Xamã, depois olhou para o rosto de Esgrimista Nobre. — Estou te causando problemas?

Por um longo tempo, Esgrimista Nobre não disse nada, tentando olhar para qualquer lugar, menos para o anão. Silêncio. Então mais silêncio. Então, finalmente: — …………Um pouco.

— Viu? — disse Sacerdotisa, tentando esconder um sorriso.

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☦ Death To The World ☦

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