MdG – Volume 5 – Capítulo 5 (Parte 2 de 11)

— Os anéis não irão durar muito — disse secamente Matador de Goblins. — Mas eles ajudarão a aliviar o frio, mesmo aqui na neve.

— Fantástico! Por que não disse isso antes, Orcbolg?!

Alta-Elfa Arqueira bateu as mãos, sacudiu as orelhas, e com uma grande demonstração de alegria, ela colocou o anel no dedo.

— Hmmm! — disse ela. Para todos os efeitos, era verdade que o anel ajudava com o frio. Talvez fizesse sentido, de certa forma: neve era apenas água congelada, afinal.

— O anel não serve muito sozinho, mas combinado com a pedra do anão, estou bem aquecida — disse a elfa.

— Ah, hum… Me deixe testar… — Com uma boa dose de relutância, Sacerdotisa pôs o anel. No momento em que o fez, o frio amenizou ao redor de seu corpo, como se tivesse se coberto com um cobertor.

— Oh! — exclamou ela involuntariamente. — Isso é incrível!

— Não é? — disse Alta-Elfa Arqueira, fechando os olhos bem orgulhosa, como se ela mesma tivesse surgido com os anéis.

Anão Xamã, ouvindo isso, soltou uma risada.

— Ei, o que foi? — resmungou Alta-Elfa Arqueira, fazendo birra.

— Céus… — suspirou Sacerdotisa e olhou para Esgrimista Nobre bem ao seu lado. Ela foi recebida por um olhar contundente e olhos gélidos. — Ei, por que não testa também um anel?

— ………Não preciso — respondeu Esgrimista Nobre, balançando a cabeça com tanta força que seus cabelos dourados agitaram violentamente. — ………Não estou com frio.

— Vamos, como pode dizer isso…?

De repente, Sacerdotisa se lembrou das garotas mais novas no templo. Era o tipo de coisa que elas diriam enfaticamente (quaisquer que fossem suas razões) quando saíam no inverno só com as vestimentas bem finas, mesmo quando seus narizes escorriam.

Gentilmente, Sacerdotisa pegou a mão de Esgrimista Nobre. Como esperado, estava muito fria.

— Aqui, eu ajudo a colocar.

— ……Já lhe disse, não estou… atchim! — Ela espirrou, depois desviou os olhos rapidamente de Sacerdotisa que se surpreendeu. — ……Não estou com frio.

— …Claro, claro. — Sacerdotisa se esforçou para conter uma risada. — Vou falar com o pessoal. Mas ainda vou colocar esse anel em você.

— …………Hum.

E assim, já não aceitando um não como resposta, Sacerdotisa deslizou o anel no dedo da lutadora.

As pedras azuis brilhavam nas mãos das garotas.

— Heh! Acho que não posso mais fugir agora que estou usando isso. — Até mesmo Alta-Elfa Arqueira parecia estar se divertindo, rindo enquanto falava.

— ……

Esgrimista Nobre permaneceu silenciosa e mal-humorada, não ligando para os outros, mas as três ficaram próximas das pedras quentes. O efeito de aquecimento concedido pelos anéis com as lindas pedras azuis poderia não durar muito tempo; mas os anéis em si sobrariam.

— Atenção, garotas, já chega de papo furado. De volta com o olhar assustado. — Anão Xamã tentou parecer o mais ameaçador que podia na esperança de as incentivar em suas atuações.

— Qual é, anão, você não tem que estragar o momento!

— Momento? Fale por você, Orelhuda. Que tipo de escravos parecem rir e fofocar?

Quando ele colocou dessa forma, ela não pôde argumentar. Alta-Elfa Arqueira contraiu os lábios de desagrado, mas ficou quieta.

— Assuma a liderança — disse Matador de Goblins. — Minha visão noturna é ruim demais.

De fato, seria bastante incomum como agente do caos carregar uma tocha. Matador de Goblins colocou a vara da jaula em seu ombro, agora seguindo Lagarto Sacerdote.

— Deixa comigo. Melhor acompanhar atentamente, meu Cavaleiro Errante. — Com uma gargalhada sibilante e gutural, Lagarto Sacerdote moveu em frente com passos sombrios.

O grande portão negro da fortaleza estava quase diante deles, impossível de perder face a montanha esbranquiçada de neve.

— Solicitamos acesso!

A voz estrondosa de Lagarto Sacerdote pôde ser ouvida mesmo entre o uivo da nevasca. Um rugido de dragão, de fato. Era impossível para os habitantes da fortaleza não o ouvisse.

— Seu visitante é um servo da divindade do conhecimento externo, um sacerdote do olho da lua verde! Irmãos, não vão abrir esse portão para mim?!

Lagarto Sacerdote era (de fato) um clérigo, e um que se aplicara diligentemente e por tempo suficiente para se elevar ao ranque prata. Ele possuía a conduta para posar como um membro elevado de qualquer religião.

Quando o último eco da sua voz desapareceu na tempestade, Anão Xamã cutucou Matador de Goblins com o cotovelo.

— Difícil de acreditar que ele só está fingindo, hein? Não acho que a garotinha daria conta do recado.

— Verdade.

— No entanto, tendo em conta com o quão pouca roupa as donzelas de santuário dos deuses do mal tendem a ter, poderia ter sido interessante.

— É mesmo?

— O que é? Pensei que tivesse gostado da exibição dela no festival. Não gostaria de vesti-la?

— Não estou interessado.

Os dois falaram rápido e discretamente, virados para a frente, assim parecendo ainda ser discípulos fieis de Lagarto Sacerdote.

Depois de um momento, Anão Xamã disse: — Gostaria de saber se esse goblin paladino ou o que seja é forte. O que acha, Corta-barba?

— Não sei — murmurou ele. — Mas devemos operar no pressuposto de que ele é mais forte do que nós.

— Quer dizer que, independentemente de como a realidade seja, estaremos preparados?

— Sim.

— Acho que se pensássemos que ele é um tolo e nos apanhe, isso só iria demonstrar que éramos tolos.

Goblins eram estúpidos, mas não eram tolos. Esse sempre foi um dos princípios mais importantes de Matador de Goblins. ele assentiu sem falar com Anão Xamã.

— Hmmm. — Não houve resposta a convocação de Lagarto Sacerdote. O portão permaneceu bem fechado, a única resposta era o uivo do vento.

Muito bem, então. Lagarto Sacerdote ergueu a manga de seu robe colorido ostentosamente e retirou algo dela: um olho esculpido em madeira, o trabalho de Anão Xamã, feita imitando a marca que encontraram. Ele a ergueu.

— O olho azul da deidade do conhecimento externo olha sobre vós! Irmãos, aqueles que compartilham em conhecer, abram agora esse portão!

Por fim, algo aconteceu.

A menor das lacunas apareceu no portão. Seguiu-se um ruído de polias e engrenagens giradas por correntes, e com um chiado poderoso a porta começou a abrir.

Matador de Goblins observou o portão com concentração total. Quantos goblins ele encontraria operando? Qualquer que seja a quantidade, seu inimigo possuía uma força de combate enorme. Agora as coisas estavam ficando interessante.

— Hum… Vai dar tudo certo no fim… não é?

Com a voz suave, mas inesperada atrás de si, Matador de Goblins moveu apenas os seus olhos por detrás do capacete. Do outro lado das barras, Sacerdotisa olhava para ele com um traço de nervosismo.

— Acho que vão… nos jogar direto em uma masmorra ou… ou algo assim?

— Muito provavelmente — assentiu Matador de Goblins, mas só bem pouquinho; os goblins poderiam vê-lo. — É melhor do que ser feita de sacrifício.

— É… né?

— Sim.

— Mas… você vai nos resgatar, não é?

— Essa é a minha intenção.

Sacerdotisa abriu a boca para dizer mais alguma coisa, depois fechou rapidamente de novo. Sua expressão se suavizou como se tivesse desistido.

— Bem… Está bem então.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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