MdG – Volume 5 – Capítulo 5 (Parte 4 de 11)

Com o incentivo de Anão Xamã, Matador de Goblins ergueu a vara da jaula.

Eles deixaram o pátio cheio de goblins, descendo uma escada que estava repleta de resíduos podres de lixo escoando. Seus passos ecoavam estranhamente no subsolo de pedra. Era escuro e sombrio, e um fedor indescritível surgia de algum lugar. Eles duvidavam que era um armazém. Por que manter comida em jaulas?

Eles estavam na masmorra.

As barras e fechaduras foram feitas por anões, robustas, porém lindas. As correntes interiores eram igualmente de tirar o fôlego. Talvez elas fossem usadas, em algum passado muito remoto, para prender agentes do caos, ou os malfeitores que teriam ameaçado essa fortaleza.

Agora, contudo, esse lugar estava sob controle dos goblins, e esses cômodos eram a última residência de jovens infelizes. Imagine tais pobres almas acorrentadas aqui embaixo, tentando conter seu nariz face ao cheiro inconfundível de cadáveres…

— …

Sacerdotisa ouviu um som. Foi Esgrimista Nobre, que cerrara os dentes e soltou um grunhido baixo. Seu corpo estava rígido nos braços de Sacerdotisa.

— ORAGARR.

O goblin mexeu na fechadura enferrujada, e a porta da cela se abriu.

O chão estava escorregadio devido algum líquido não identificável. As correntes estavam quase vermelhas de ferrugem.

Sendo o subsolo, o ar trazia uma friagem, apesar de ser melhor do que o lado de fora. O fedor podre flutuava juntamente com o frio.

Só havia um buraco para alguém fazer suas necessidades, e já estava cheio de resíduos. Como se isso não bastasse, um braço humano também fora jogado descuidadamente no fosso.

Alta-Elfa Arqueira fez um gorgolejo estrangulado que ecoou alto. Pouco precisamos mencionar os sentidos superiores dos elfos…

Embora os olhos humanos não conseguissem ver tão bem quanto os dos elfos, o cheiro e a sensação do lugar retomavam as experiências formadoras de Sacerdotisa. Ela deu um trago arranhado de ar, sibilando. Ela estava acostumada com esse tipo de coisa — talvez, provavelmente, assim ela gostava pensar — mesmo assim…

— …Eugh…

Ainda assim, ela não pôde deixar de pensar naquela primeira aventura. O jovem guerreiro caminhando diante dela, depois convulsionando com veneno aos seus olhos. A bruxa que ele ajudou matar. E a lutadora, enxameada de goblins, violada da pior forma possível.

Todos em vez dela. Eles morreram enquanto ela sobrevivera. Enquanto ela estava viva agora. Mas, a vez dela não viria um dia?

Está tudo bem. Está tudo bem. Está… tudo bem.

Ela recitou o nome da Mãe Terra em voz baixa para impedir que seus dentes rangessem. Ela olhou para ele.

Ou pelo menos, ela tentou.

— GAROU!

— Ha… ahh!

Ela sentiu algo agarrar sua cabeça; ela gritou. O goblin sacerdote havia esticado a mão na jaula e pegado ela pelos cabelos com violência pouco hospitaleira.

— ORAGARAO!

Abra a jaula e ponha essa garota na cela!

Qualquer que fosse a deidade para qual faziam sacrifícios, parecia que começaria com ela.

Anão Xamã e Matador de Goblins trocaram uma olhadela e assentiram, depois abaixaram a jaula.

Lagarto Sacerdote disse seriamente: — Isso é muito bom e tal. Contudo, se fala em… desfrutar dessas oferendas, primeiro devo me encontrar com o paladino, e…

— Hrrraaaaahhhhhh!

Quando a porta da jaula foi aberta, Esgrimista Nobre fez algo totalmente inesperado: ela forçou sua saída da jaula, alcançando o goblin que estava se divertindo com Sacerdotisa e envolveu suas mãos ao redor do pescoço dele.

— OGA…?!

— Hraah! Haaaaahhhh! — Berrando como um animal selvagem, Esgrimista Nobre se aproveitou do tamanho superior do próprio corpo para bater no monstro.

— GORARA…?!

— Ah! — gritou Sacerdotisa. O goblin sacerdote meio enlouquecido sacara uma faca de pedra do cinto e a raspou com ela. Uma fina linha vermelha de sangue apareceu em sua bochecha, e ela retrocedeu. Ainda voltando para trás, Esgrimista Nobre derrubou a faca da mão da criatura.

— ORAGAGAGA?!?!

— Goblin… Goblin! Goblin!!

Ela montou em cima dele, atacando com seus punhos. Cada vez que ele gritava e revidava, hematomas novos apareciam na pele pálida de Esgrimista Nobre, mas ela não lhe deram atenção.

— Aaaagh! Morra! Morra, seu pedaço de merda!

Um nariz quebrado; órbitas oculares destruídas. Dentes entortados. Queixo esmagado.

— GARAO?!

Nem mesmo os goblins eram aptos a não perceber uma confusão dessa magnitude. A outra criatura no cômodo do subsolo, que estava esperando antecipadamente ter sua diversão com as prisioneiras, deu um grito.

Assim, o guarda goblin fez uma coisa bem goblinsesca: em vez de encarar seu atacante, ele subiu correndo as escadas para chamar seus companheiros.

— Tsc — estalou a língua Matador de Goblins. Seus movimentos foram rápidos e precisos.

Largando a jaula no chão — e ignorando as objeções indignadas de Alta-Elfa Arqueira — ele sacou a espada do quadril e a lançou.

A lâmina cortou o ar silenciosamente antes de perfurar a cabeça do goblin na escada.

— ORAG?!

A criatura veio rolando de costas pela escada, convulsionando, sem compreender o que lhe acontecera. Matador de Goblins correu até ele de imediato.

— Hmph. — Ele torceu a espada, rompendo a espinha dorsal, e quando esse golpe definitivamente final foi executado, arrancou a espada e chutou o corpo para longe. O corpo desceu o resto da escada, caindo na piscina de resíduos e afundando nela. Isso iria esconder o corpo.

No entanto, Matador de Goblins, que nunca baixava a guarda, manteve um olhar atento na parte superior da escada, sua conexão com a superfície.

— GORA?

Tal como suspeitava. Um goblin patrulhando captara o tumulto nas escadas e veio investigar.

Matador de Goblins ajustou rapidamente sua mão na espada e falou com seus companheiros: — Fomos detectados. Mais um chegando.

— Aaaaaghhh! Aaahhhhhhhh!

Esgrimista Nobre ainda estava batendo às cegas no goblin sacerdote morto. Os dentes horrorosos e desiguais da criatura cortavam a pele em seus punhos, mas ela praticamente não reparava. Em poucos segundos, ambas as mãos estavam cobertas de sangue.

— P-pare! Por favor, pare! — implorou Sacerdotisa, se aproximando da jovem. — Não é hora de… Ouch! — Um dos braços se movendo a empurrou para trás e ela caiu de bunda.

A bofetada na pedra fria com seu traseiro delicado foi bastante dolorosa, mas ela colocou a sensação de lado e disse: — Ér, ah, devo usar Silêncio…?

— Nem, moça, sem som algum iria atrair tanta atenção quanto o som em si — disse Anão Xamã. — Nesse caso, aham…

Ele começou a vasculhar sua bolsa, resmungando enquanto passava pelos objetos um depois outro.

— Parece que não temos escolha — murmurou Matador de Goblins, segurando mais forte a espada. Se ele lidasse com o goblin que vinha na direção deles agora, iria agravar inevitavelmente a situação. Ele simplesmente deveria enfrentar os goblins agora? Não… as probabilidades eram demais contra eles.

Enquanto estava fazendo esses cálculos rápidos, Lagarto Sacerdote, que esteve calado até aquele momento, falou: — Senhora Patrulheira, dê um grito!

— Quê? Ér, quem, e-eu?

Alta-Elfa Arqueira, que tentava parar Esgrimista Nobre, foi pega desprevenida por essa convocação súbita, com as orelhas balançando de surpresa.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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