MdG – Volume 5 – Capítulo 5 (Parte 5 de 11)

Enquanto Matador de Goblins estava fazendo cálculos rápidos, Lagarto Sacerdote, que esteve calado até aquele momento, falou: — Senhora Patrulheira, dê um grito!

— Quê? Ér, quem, e-eu?

Alta-Elfa Arqueira, que tentava parar Esgrimista Nobre, foi pega desprevenida por essa convocação súbita, com as orelhas balançando de surpresa.

Lagarto Sacerdote esbofeteou irritado o chão com a cauda. Havia um pouco de raiva em sua voz enquanto dizia: — Faça o que estou pedindo e grite! Não temos mais tempo!

— S-sim, claro, tudo bem. Um grito… um grito…

Ela respirou fundo com seus lábios bem formados, abriu a boca, e…

— N-nããããããão! Parem! Paaaaaaaaareeeem!

Sua voz foi tão clara e penetrante que poderia perfurar os tímpanos.

A voz da elfa foi muito forte. Seu grito ecoou pelo porão, subiu as escadas, e alcançou a superfície, ao menos.

— GORARA.

O goblin perto do topo da escada pareceu entender o que estava acontecendo. Ele parou, imaginando a mulher brutalizada. Ele fez um gesto vulgar e olhou para Matador de Goblins de onde estava na escada.

— GORARURU?

Matador de Goblins deu de ombros, e o goblin deu um riso feio e acenou desdenhosamente com a mão.

— Você virá mais tarde, isso?

Matador de Goblins ficou olhando a criatura enquanto ela partia, com o sorriso asqueroso ainda no rosto.

Eles conseguiram obter de volta uma pequena parte do tempo que desperdiçaram. Ele não desperdiçaria outra vez.

O plano original era levar os “sacrifícios” para o mestre da fortaleza para inspeção. Se houvesse a chance de eliminar o goblin paladino — se é que tal coisa existia! — seria muito provavelmente dessa forma.

Mas o plano estava em pedaços agora.

— Bem, eu esperava isso — murmurou Matador de Goblins friamente enquanto fechava a porta, colocava as tábuas, e depois desceu as escadas.

O corpo do guarda flutuara de volta para a superfície da piscina de resíduos; sem hesitar, ele chutou outra vez.

Ele olhou para onde Esgrimista Nobre ainda estava batendo no cadáver do goblin sacerdote. — Tragam esse goblin para cá também. Não é grande coisa, mas vamos escondê-lo. — O som forte de carne espancada se transformara em um splorch úmido.

— Qual… é… Pare com isso! — disse Alta-Elfa Arqueira, arrancando Esgrimista Nobre do cadáver. Ela agarrou a garota pelos ombros e puxou, pondo seu peso corporal junto. Ela poderia parecer delicada, mas tal era a diferença de força entre um ranque prata e um porcelana que ela conseguiu retirar a guerreira.

— Com licença, mas o que acha que está fazendo? — demandou Alta-Elfa Arqueira. — Acho que tínhamos explicado como isso iria funcionar!

Esgrimista Nobre, agora estendida no chão sujo, observou a arqueira com olhos sombrios. — ……Tenho que matar os goblins.

— Ahh, cara…!

Não adiantava tentar convencê-la do contrário. Alta-Elfa Arqueira contraiu os lábios, tornando seu descontentamento claro. Suas orelhas se ergueram de aborrecimento em meio ao cabelo desgrenhado. Essa imprevisibilidade era o que ela mais gostava nos humanos. Ela tinha que admitir que até mesmo gostava de reclamar sobre todas as decisões estranhas de Orcbolg. Ao menos às vezes. Só um pouco…!

A aventureira que se sentou diante dela — ambas as mãos cobertas de sangue, mas ainda assim com uma expressão serena no rosto — era diferente. Como ela era diferente, Alta-Elfa Arqueira não poderia dizer exatamente, mas ela achava inconfundível.

— É por isso que fui contra…!

— Estou feliz por termos saído dessa sem ter gastado repentinamente uma magia… Acho — disse Anão Xamã, suspirando e agitando o frasco de vinho no quadril. Ouvindo um barulho de dentro, ele abriu a tampa e tomou um longo gole. Depois ele limpou as gotículas de sua barba e arrotou. O álcool do vinho era ideal para um perigo evitado por um triz.

— Isso não é o que planejamos, mas temos que jogar com as cartas que nos deram.

— Sim, acho que não há mais nada quanto a isso. É melhor a ter conosco do que deixá-la sozinha para causar problemas aleatórios. — Lagarto Sacerdote soou muito calmo.

Alta-Elfa Arqueira ergueu uma das sobrancelhas. — E se ela nos colocar em mais alguma situação, algo ainda pior? — Ela pôs as mãos nos quadris e olhou feio para Esgrimista Nobre. Sua raiva para com a jovem, que estava ali com as mãos ainda cobertas de sangue como se nada disso a preocupasse, parecia estar jorrando de novo.

Sacerdotisa, sensível ao que estava acontecendo, tentou acalmar as coisas. — S-se acalme, por favor, fique calma! Esse não é o momento de ficar com raiva…!

— Você deveria ser a mais furiosa de todos!

— Quê?!

Alta-Elfa Arqueira esticou a mão subitamente e a passou na bochecha de Sacerdotisa. A garota recuou involuntariamente com a dor ardente. As armas dos goblins poderiam ser rudimentares, mas uma lâmina era uma lâmina.

A linha vermelha ao longo de sua bochecha ainda escorria sangue.

Ela decidiu lançar um ataque surpresa, e foi você quem pagou por ele!

Os olhos de Sacerdotisa vacilaram. Ela pressionou a mão pequena na bochecha.

— Estou bem — insistiu ela. Depois de um pouco de consideração, a expressão que ela pôs foi um sorriso, um que dizia que ela poderia lidar com um pequeno arranhão. Seu rosto valente só pareceu enfurecer Alta-Elfa Arqueira ainda mais.

— Você não está bem, está ferida…!

Pelo menos… sim, no mínimo, essa aventureira poderia pedir desculpas para Sacerdotisa.

Alta-Elfa Arqueira estendeu a mão como que para agarrar Esgrimista Nobre, que permanecia olhando para o nada…

— Se acalme.

— Orcbolg…!

…e encontrou uma luva suja a impedindo.

A menor das lágrimas escorreu pelas beiradas dos olhos de Alta-Elfa Arqueira. As emoções agitadas da guerreira que foram culpadas. Ela não podia se acalmar só porque eles lhe diziam.

— Mas… mas ela disse que ia vir conosco, e agora veja…! — disse Alta-Elfa Arqueira petulantemente, apontando para Esgrimista Nobre. Ela só queria se fazer entender.

Mas Matador de Goblins balançou a cabeça. — Estou te dizendo para se acalmar.

Ele pegou o goblin morto e arrastou, com túnica e tudo mais, até a piscina de resíduos. Com um som nojento, esse corpo, também, mergulhou na porcaria.

Matador de Goblins deixou de olhar para Alta-Elfa Arqueira, cujos ombros arqueavam com sua respiração furiosa.

— Ei.

— Oh, s-sim! — disse Sacerdotisa, se endireitando rapidamente.

— Comece por tratar a si mesma, depois, dê os primeiros socorros. Essa mão vai apodrecer.

Houve um momento de silêncio, seguido por um grunhido. Matador de Goblins parecia estar pensando se continuaria.

Então: — Vai haver uma cicatriz também.

— …Claro. Devo usar uma poção…?

— Comece com ervas.

Sacerdotisa assentiu com um “Sim, senhor”, depois correu para Esgrimista Nobre. Ervas anticépticas e analgésicas não teriam os efeitos dramáticos de uma poção, mas ainda eram testadas e comprovadas. Matador de Goblins se certificou de Sacerdotisa ter aplicado a pomada corretamente em sua bochecha, depois assentiu.

— Desculpe pelo incômodo, mas, verifique por favor se existem sobreviventes entre as prisioneiras.

— Está bem. — Anão Xamã deu outro gole no vinho quando respondeu. Ele sempre era rápido para responder um pedido. — Venha comigo, Escamoso. Vou precisar de ajuda se tiver que retirar alguém das celas.

— Ha-ha-ha-ha-ha! Sim, o senso comum afirma que conjuradores são fisicamente fracos, não é? — disse Lagarto Sacerdote. Só uma piada: uma forma de lutar contra a atmosfera opressiva da prisão.

Tocando a ponta do nariz com a língua comprida, Lagarto Sacerdote disse a Matador de Goblins: — Presumo que não se importa se cuidássemos dos machucados de qualquer ferido que encontrarmos, certo?

— Guarde seus milagres — respondeu Matador de Goblins. — Não importa o que faça, não vai haver nenhuma prisioneira com condição boa o bastante para se juntar à batalha.

— De fato, é um bom ponto — disse o lagarto, fazendo aquele gesto estranho com as mãos.

Quando partiu, ele sussurrou: — Compreendo como se sente, mas talvez dessa vez a emoção deva ser deixada para depois.

As orelhas da elfa captaram o murmúrio.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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