MdG – Volume 5 – Capítulo 5 (Parte 7 de 11)

— Ninguém aqui.

— Muito bem.

Quando Alta-Elfa Arqueira espreitou a cabeça por trás da porta e entregou seu relatório, o grupo saiu rapidamente da prisão subterrânea.

O cheiro nauseante de goblin não era uma coisa agradável. O castelo de pedra não era consideravelmente menos fedido do que o cômodo subterrâneo, mas um tanto quanto, e Sacerdotisa tomou respirações profundas e gratas.

— Está mesmo bem… deixar aquelas pessoas lá? — sussurrou ela.

— Mais seguro do que trazê-las tropeçando atrás de nós, creio eu — disse Lagarto Sacerdote.

Felizmente — ou talvez, por assim dizer, infelizmente — eles encontraram várias garotas cativas, descartadas, mas vivas. Eles libertaram as jovens mulheres, mas como Lagarto Sacerdote disse, era impossível trazê-las junto.

E tão importante quanto ele sabia que o tempo e os milagres eram para o grupo, que eles não puderam sequer curar as jovens…

— Temos que voltar lá e ajudá-las assim que pudermos — disse Sacerdotisa, olhando para trás com pesar.

— Nesse momento estou pensando se podemos ao menos nos ajudar — murmurou Anão Xamã, verificando o caminho ao longo da parede de pedra.

Ele era aquele que liderava o grupo. A fortaleza de pedra não possuía trincas nem fissuras, realmente o trabalho de anões. Quando postos contra alguns criminosos atacando, o trabalho desses artesãos serviria.

O grupo agora andava junto em formação, com Alta-Elfa Arqueira procurando por inimigos e Anão Xamã traçando o caminho a seguir.

— Em todo caso, Corta-barba, onde pretende ir? Estamos indo para a fortaleza principal?

— Não — disse Matador de Goblins, balançando a cabeça. — Ainda é muito cedo para atacar o líder inimigo.

— …

Esgrimista Nobre tremeu com a declaração calma. Para evitar qualquer repetição de seu descontrole mais cedo, ela agora era a penúltima; Sacerdotisa estava com ela.

Desde que recebeu a breve, mas sinceras desculpas de Alta-Elfa Arqueira, Esgrimista Nobre pouco disse.

— Nunca vi uma lâmina exatamente assim — dissera Anão Xamã a ela. — Parece com uma obra de arte, mas o que é esse metal?

Depois, e só depois, ela murmurou respondendo: — ………Alumínio…… A lâmina foi forjada a partir de uma gema vermelha com um martelo rápido e certeiro.

— Alumínio, é? Não sei dizer se já ouvi falar disso. Posso dar uma olhada?

Em vez de responder, ela lhe lançou um olhar de recusa. Anão Xamã apenas deu de ombros.

— Humm — grunhiu Matador de Goblins. — Vamos para o seu armazém primeiro.

— De armas ou comida?

— Ambos. Mas vamos começar com as armas.

— Então, por aqui.

O grupo avançou pela fortaleza como sombras, sem fazer barulho. Ninguém no grupo sequer levava muito em termos de equipamentos ruidosos. Apenas Sacerdotisa e Matador de Goblins usavam mesmo armaduras de metal, e no caso de Sacerdotisa, era apenas uma malha fina. Matador de Goblins estava usando malha juntamente com sua armadura de couro.

Os únicos sons no corredor agora eram os passos de botas de pele, e cada um deles respirando.

Os aventureiros reuniram sua formação para que estivessem andando em fila. Eles estavam alertas às armadilhas, atentos a área ao redor também, mas não estavam nervosos, e não deixavam sua guarda abaixar.

Afinal de contas, dos seis aventureiros ali, quatro eram pratas, o terceiro ranque. Andar por labirintos eram tão naturais para eles quanto respirar.

— …Alguém está vindo — disse Alta-Elfa Arqueira, parando onde estava com as orelhas balançando. Ela se agachou e pegou seu arco grande, preparando uma flecha e retraindo. Ela estava mirando na esquina logo à frente.

Sem dizer nada, Matador de Goblins levou a mão na espada em seu quadril, se movendo para frente de Anão Xamã. Da sua nova posição na ordem, o conjurador alcançou sua bolsa de catalisadores, enquanto Sacerdotisa agarrava seu cajado de monge. Lagarto Sacerdote balançou a cauda e olhava facilmente por cima do ombro; Esgrimista Nobre cerrou os dentes.

Finalmente eles ouviram dois pares de passos indefesos se aproximando da esquina.

— …

Houve apenas o menor dos sibilos de ar quando uma corda foi solta. A flecha de Alta-Elfa Arqueira voou pelo ar, perfurando um goblin através do olho e o prendendo na parede.

— GROOAB?! — Com o que deveria ter parecido a visão de seu companheiro colapsando contra a parede, o segundo goblin deu um grito, confuso.

Antes mesmo de processar o que aconteceu, uma espada brotava de sua garganta. Matador de Goblins lançara ela até ele sem hesitar.

— Temos que esconder os corpos — disse ele.

— Se temos que se dar ao trabalho mesmo, por que não só se escondemos para começar? — perguntou Alta-Elfa Arqueira.

— Isso é melhor do que se tivessem nos encontrado e os sons de combate alertassem mais alguém de nossa presença.

Ele se aproximou dos cadáveres com seu passo ousado; ele pressionou a bota contra os corpos e tirou a espada e a flecha, jogando essa última para Alta-Elfa Arqueira.

— Urgh — disse ela quando pegou, como se agora a incomodasse subitamente; ela limpou o sangue rapidamente. O sangue de um animal selvagem poderia não ser nada, mas sangue de goblin não era algo a ser tolerado.

— Quantas magias e milagres vocês ainda têm? — perguntou Matador de Goblins, olhando para seus companheiros.

— Hum… — Sacerdotisa tocou o dedo pálido em seus lábios pensativamente. — Não usei nenhum, então tenho três sobrando. — Ela contou com os dedos: Acender que usaram na estrada, enquanto Comunicar que eles precisaram ao entrar na fortaleza. — Os outros usaram um cada, então cada um tem três restando, então… nove no total?

— Ei, então — disse Anão Xamã jovialmente. — Não está contando com nossa nova amiga ali. — Ele apontou para Esgrimista Nobre.

Ela estava parada a uma certa distância, ignorando a conversa deles enquanto olhava fixamente para os cadáveres dos goblins, mas agora ela murmurou: — …Mais duas.

É só isso?, perguntou-se Sacerdotisa; não quanto as suas magias, mas as palavras que iria usar.

Sacerdotisa franziu a testa, mas disse “Muito obrigada” com o máximo de entusiasmo que pôde juntar. Esgrimista Nobre, contudo, continuou a olhar para outro lugar significativamente, sem olhar em direção ao grupo.

— Hummm… — Um pequeno murmuro escapou de Sacerdotisa. O gesto lembrava ela das garotas aprendizes no templo; especificamente, fazia lembrar das mais problemáticas.

— Enfim, são onze no total, não é?

— Hum. Certamente não estamos nem perto de esgotar nossos recursos — disse Lagarto Sacerdote. — Creio que não se importa se recorrêssemos a um encanto aqui ou ali?

— Não — disse Matador de Goblins. — Considerem nove magias.

— O que isso significa? — disse Lagarto Sacerdote, pestanejando. — Como chegou nesse número?

— Devemos preservar nossas duas magias Raio.

Esgrimista Nobre estremeceu com isso. Seus olhos, tão claros quanto vidro, se fixaram em Matador de Goblins. Sua voz era fina e imensamente calma.

— ………Posso… matar goblins?

— Se tudo correr bem.

Suas palavras foram bem breves. Esgrimista Nobre continuou olhando para o capacete inexpressivo, até que finalmente, ela fez um pequeno aceno com a cabeça.

— Não podemos matar mais goblins até nos livrarmos dos que já acabamos, certo? — Alta-Elfa Arqueira, parecendo ter ignorado a discussão de magias e milagres, tocou um dos monstros mortos com a flecha que ainda segurava. Apesar do frio, eles só haviam envolvido seus quadris e pés com peles. Lanças brutas eram suas armas. Parecia que eles quase não possuíam qualquer coisa no mundo.

— Tem alguma ideia de como fazer isso? — perguntou Matador de Goblins, fuçando na bolsa de itens enquanto falava.

— Uma ideia? Hummm… Bem… Ah! — Suas orelhas se levantaram ardentemente. Ela acenou para Anão Xamã com um brilho nos olhos como uma criança travessa. — Anão, entregue seu vinho. A jarra toda.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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