MdG – Volume 5 – Capítulo 5 (Parte 8 de 11)

— Não podemos matar mais goblins até nos livrarmos dos que já acabamos, certo? — Alta-Elfa Arqueira, parecendo ter ignorado a discussão de magias e milagres, tocou um dos monstros mortos com a flecha que ainda segurava. Apesar do frio, eles só haviam envolvido seus quadris e pés com peles. Lanças brutas eram suas armas. Parecia que eles quase não possuíam qualquer coisa no mundo.

— Tem alguma ideia de como fazer isso? — perguntou Matador de Goblins, fuçando na bolsa de itens enquanto falava.

— Uma ideia? Hummm… Bem… Ah! — Suas orelhas se levantaram ardentemente. Ela acenou para Anão Xamã com um brilho nos olhos como uma criança travessa. — Anão, entregue seu vinho. A jarra toda.

— Oh-ho. — Anão Xamã sorriu, como se houvesse uma brincadeira em andamento. — O que se passa, Orelhuda? Procurando um pouco de inspiração líquida?

— Só passe já para cá.

— Está bem. Ainda há um pouco sobrando. Não beba tudo.

— Não se preocupe. Não vou beber. — Ela retirou a rolha com um plop e deu uma boa cheirada, franzindo a testa com o cheiro intenso de álcool. — Eu prometo, não vou beber uma gota. — E depois ela virou a garrafa de cabeça para baixo e esvaziou o conteúdo no chão.

— Oh, não! — Anão Xamã gemeu como se o mundo estivesse acabando. Ele não ter simplesmente gritado foi testemunho de seus instintos como aventureiro.

Ele, entretanto, parecia como se fosse pular do chão até o pequeno peito de Alta-Elfa Arqueira enquanto tentava pegar a jarra.

— Olha o que fez, sua peito-plano estúpida…

— Eu pedi educadamente, não foi? Vamos, isso foi necessário, temos que fazer o que temos que fazer.

— Como que é necessário?! Como pode ser o que temos que fazer?! Meu… meu vinho!

— Não, ela nos ajudou. — Matador de Goblins já se movia. Ele adivinhara o que Alta-Elfa Arqueira tinha em mente; ele limpou o sangue escorrido com um trapo e colocou os cadáveres contra a parede. Ele inclinou a cabeça deles para que as feridas não fossem óbvias, e chutou a lança que um deles largou para que rolasse para o lado dos goblins.

— Hrrrrrrgh…! — choramingou Anão Xamã.

— Heh! Viu? Eu ajudei. Oh, não se preocupe. Vou te arranjar uma garrafa nova depois. — Parecendo bem feliz consigo mesma, Alta-Elfa Arqueira colocou o jarro de vinho ao lado dos goblins.

— Oh…! — disse Sacerdotisa. Seus olhos começaram a brilhar, e ela assentiu ao entender. — Não existe um goblin vivo que leva seu trabalho a sério, não é?

— Essa é a ideia — respondeu a patrulheira. Ela piscou e deu uma risada profunda da garganta.

Agora os corpos pareciam ser nada mais do que dois goblins bêbados. O cheiro forte de álcool ajudaria a mascarar o cheiro de sangue.

Um par de goblins que bebeu enquanto estava de guarda e depois adormeceu; certamente não seria nada notável.

— Se não podemos deixá-los ocultos, podemos escondê-los em plena vista — disse Alta-Elfa Arqueira.

— Mas por que é que tinha que usar o meu vinho para isso? — reclamou Anão Xamã, roendo as unhas com pesar enquanto observava o líquido escorrer pelo chão de pedra.

Lagarto Sacerdote lhe deu uma palmada cordial nas costas. — Não fique desanimado, vou te presentear também. Teremos que brindar a mente criativa de nossa patrulheira.

Anão Xamã olhou para o sacerdote com um grunhido descontente, mas Lagarto Sacerdote revirou os olhos.

— Não acha, meu senhor Matador de Goblins?

— Sim — assentiu ele. — Bebidas ficam por minha conta.

Depois dessa proposta, não havia mais lugar para reclamações. Anão Xamã grunhiu e resmungou de novo, e finalmente suspirou profundamente.

— Hrm. Erm. Bem… Se Escamoso e Corta-barba pensam assim, então…

— Verdade — disse Lagarto Sacerdote. — Mas por agora, temos que nos apressar. Onde está o depósito de armas.

— Claro, certo. Por aqui. — Anão Xamã liderou o grupo com um aceno de mão.

Logo ao lado dele estava Alta-Elfa Arqueira, rindo triunfantemente.

— Sua peito-plano orelhuda…! Quando voltarmos ao bar, você vai pagar até a sua cabeça girar!

— É, que seja. Vou te manter abeberado o quanto quiser, então não fique brabo.

E a discussão continuou. Sacerdotisa sorriu ao vê-los trocando farpas amigavelmente outra vez.

Ainda bem.

No porão mais cedo, houve uma discussão séria. Nunca é uma sensação boa ver seus camaradas brigando entre si. E agora…

Estou muito, muito feliz.

Com esse pensamento sincero na mente, Sacerdotisa se ajoelhou bem onde estava. Ela segurou o cajado de monge com ambas as mãos, como se agarrado a ele. Lagarto Sacerdote olhou para ela e assentiu. Vamos na frente, parecia dizer ele.

Então Sacerdotisa fechou os olhos, assim como sempre fazia.

— ………O que está fazendo?

A voz, tranquila, veio inesperadamente do seu lado.

— Oh, uh, eu… bem… — Sacerdotisa sentiu seu coração bater mais rápido, mas assentiu sem se levantar. — Estou rezando pelo repouso de suas almas… Embora esteja fazendo isso depressa, porque não temos muito tempo.

De repente, ela sentiu sua mão, envolvida no cajado de monge, ser agarrada pelas de Esgrimista Nobre. Sacerdotisa olhou perplexa, mas Esgrimista Nobre balançou a cabeça firmemente.

— ……Isso não é necessário.

— Hum? Mas…

Antes que pudesse dizer que todos são o mesmo na morte, Esgrimista Nobre deu um chute cruel em um dos corpos. O goblin, que estava encostado na parede, caiu no chão.

— ………Não é necessário. Não… para… desgraçados… como esses…!

Esgrimista Nobre parecia se esforçando para falar ainda mais dura quando falou:

— Vamos.

Baixo e mordaz, franco e desapaixonada; tal como ele sempre falava.

Elas olharam em frente e viram que o resto do grupo prosseguiu dentro da fortaleza; só Matador de Goblins permanecera para trás com elas. Sua espada e escudo estavam preparados, e seu capacete virava lentamente, verificando a área.

Ele estava… esperando por nós?

Sacerdotisa não fez, é claro, a pergunta em voz alta. Ela não precisava.

Ele sempre estava esperando por eles. Ela aprendeu bem isso no último ano.

— Está bem… Vamos já para lá. — Rapidamente, mas com cuidado, Sacerdotisa fechou os olhos e rezou para que os goblins mortos ficassem bem na vida após a morte. Ela se levantou, limpou a poeira dos joelhos, então sorriu para Esgrimista Nobre.

— Pronto. Vamos?

— ………

Esgrimista Nobre não disse nada além de desviar os olhos, e então ela foi atrás do grupo com um passo tenso.

Agora. Sua expressão mudou para um sorriso confuso, Sacerdotisa coçou a bochecha e balançou a cabeça. — Ela… não gosta de mim?

— Não sei. — Matador de Goblins balançou a cabeça firmemente, mas depois inclinou curiosamente o capacete. — Você gostaria de ser amiga dela?

— Hum… — Agora que a pergunta surgiu, Sacerdotisa pôs o dedo nos lábios e olhou para o chão pensativamente.

Só… não consigo deixar essas pessoas sozinhas.

O pensamento era bastante semelhante, embora não inteiramente, a um que ela frequentemente dirigia ao aventureiro à sua frente.

Ela sorriu, com sua expressão parecendo uma flor desabrochando.

— Sabe, acho que sim.

— É mesmo? — Ele assentiu. — Então você deveria fazer isso.

Isso foi tudo o que Matador de Goblins disse antes de se virar e partir. Seu “Eu vou!” seguiu atrás dele.

Na frente, pelo túnel escuro, seus companheiros esperavam por eles.

O arsenal não estava muito longe agora.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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