PA – Capítulo 108

O Segundo Mundo

 

 

Sanji ainda se lembrava do primeiro dia do Inferno Hipertermal claramente.

Ainda se lembrava da sensação pegajosa entre os dedos enquanto suas mãos estavam cobertas com o sangue do ex-namorado e como não conseguia tirar as manchas de sangue debaixo das unhas, não importava o quanto lavasse. Se lembrou da onda de calor que a atacou quando entrou no estacionamento. Ainda se lembrava como seu coração disparou na primeira vez que viu um degenerado. A memória ainda era tão viva que parecia que tinha acontecido ontem.

— 14 meses se passaram tão rapidamente. — Sanji sabia que estava sonhando, mas ainda estava lúcida, então não pôde deixar de lamentar.

Tudo em torno dela parecia tão realista que ela duvidava que estivesse realmente sonhando. Olhou ao redor, mas não conseguia dizer o tamanho desse lugar. A escuridão ao seu redor parecia se estender infinitamente, sem limites. A única coisa diferente neste espaço era o grande cubo branco não muito longe dela. Tinha mais ou menos a mesma altura de Sanji e provavelmente caberiam três a quatro pessoas dentro. Na face superior do cubo, ela podia ler as palavras escritas em cor preta: Inferno Hipertermal.

Este era o dado que o Lutero tinha mencionado.

Quando Sanji se aproximou, de repente pensou em Lutero.

Como estão Lutero e Marcie agora? 12º já deveria ter assumido sua forma corpórea. Com uma pessoa tão assustadora como 12º ao lado deles, será que ainda terão dias de paz pela frente?

Ao pensar em seus antigos companheiros, não pôde deixar de pensar em seus novos companheiros.

Coelho e os outros conseguiram os vistos? Se sim, para qual mundo eles devem ir a seguir?

Nestes 14 meses, Sanji encontrou tantas pessoas, companheiros, inimigos e conhecidos… No entanto, no final, não esperava que continuasse sozinha.

Sabendo que iria acordar de seu sonho sozinha em um mundo novo, suspirou suavemente. Por uma fração de segundo, de repente sentiu um apego persistente ao Inferno Hipertermal.

— Certo, eu tenho que ir, — Sanji disse tentando se incentivar, enquanto esfregava as mãos e caminhava para frente.

O grande dado na frente dela de repente começou a vibrar como se estive vivo. Pouco depois, disparou para o céu como se tivesse sido jogado por uma mão invisível. Na escuridão, ficou menor e menor, girando enquanto desaparecia.

Mesmo sabendo que o dado não cairia em cima dela, Sanji deu alguns passos para trás. Olhou para cima enquanto o dado girava. De vez em quando, conseguia ver algumas linhas de palavras. O dado gradualmente parecia maior e maior até pousar no chão silenciosamente.

Ela correu para frente e olhou para as palavras diante dela, seu coração batia forte.

O próximo mundo era simplesmente chamado de “Jardim do Éden”.

Sanji ficou um pouco surpresa. Esse nome não parecia adequado para um mundo apocalíptico. Com nomes como Inferno Hipertermal, Nevasca Esbranquiçada e Cidade da Morte Negra, ela podia imaginar que tipo de mundos eram. Mas o Jardim do Éden…

Quando começou a se sentir confusa, sentiu uma súbita exaustão do fundo de sua consciência. Rapidamente envolveu sua mente e de repente sentiu que não conseguia mais manter os olhos abertos. Sanji sentiu como se não tivesse dormido por muitos dias, então nem sequer teve a chance de resistir. A escuridão rapidamente penetrou em sua consciência.

Sanji não sabia por quanto tempo havia dormido. Antes que pudesse abrir os olhos, a primeira coisa que notou foi a brisa refrescante passando pela sua pele exposta. A brisa era suave e não carregava nem um grão de areia. Estava esfriando, e até se sentiu um pouco fria quando comparado com onde estava antes.

Ela havia deixado o Inferno Hipertermal. Seu corpo enviou essa informação para seu cérebro antes que estivesse totalmente acordada. Ela sentiu como se todo o seu corpo estivesse encharcado em uma poça de água fria. Quanto tempo se passou desde que a temperatura em torno dela era normal? Não podia imaginar que essa temperatura pudesse ser tão refrescante…

Sanji esfregou os olhos enquanto se apoiava com um braço. Quando os abriu, ficou perplexa. Se o Jardim do Éden significava isso, Sanji desejou que todos os Novos Mundos que encontrasse no futuro tivessem um nome tão agradável e pacífico!

Mesmo antes de o Inferno Hipotermal descer ao seu planeta natal, nunca tinha visto uma cidade tão limpa e bonita.

Espera. Isso é uma cidade, não é?

Sanji estava um pouco insegura. Este lugar era novo para ela e parecia exatamente como um mundo estrangeiro. A “cidade” estava cheia de prédios em forma de concha, com linhas fluidas e estruturas bem definidas. Eles tinham cerca de 70 a 80 andares e estavam em fileiras de três a cinco cada. Enquanto isso, as casas residenciais tinham de dois a três andares e estavam todas cobertas por vegetação espessa, deixando suas estruturas não muito visíveis.

Ela viu uma torre negra alta ao longe. O prédio de formas estranhas parecia um guardião vigiando toda a cidade.

Haviam esteiras rolantes no que Sanji presumiu que fossem calçadas, e elas pareciam bastante confortáveis de se usar. Viu uma mãe e seus dois filhos em uma esteira rolante. Eles conversavam e riam enquanto eram rapidamente transportados para algum local. Não muito longe dela, viu um jovem tirando um punhado de coisas brilhantes do que parecia ser uma máquina de venda automática e colocando-as diretamente em sua boca. Quando olhou mais longe, viu que todos pareciam serenos e naturais.

Lutero não falou que seríamos enviados para outro mundo apocalíptico? Será que ele estava enganado?

Pensando sobre isso cuidadosamente, Lutero e Marcie só tinham experimentado dois mundos. Talvez eles tivessem apenas algumas informações incompletas…

Comparando-se com os moradores da cidade, Sanji puxou sua camisa desajeitadamente e limpou a areia de seu corpo. Quando sentiu que havia se arrumado, caminhou em direção à cidade. O jovem que estava comendo olhou para ela por um segundo. Sua expressão permaneceu inalterada enquanto abaixava a cabeça e pegava outro punhado de bolinhas vermelhas brilhantes e continuou comendo.

Em seguida, Sanji ouviu um “baque” inesperado quando bateu a cabeça contra algo. Ela olhou para cima, se sentindo um pouco confusa. Não havia nada na frente dela.

O que é isso?

O nariz de Sanji doía tanto que as lágrimas quase começaram a cair. Estendeu a mão de forma insegura e tocou em alguma coisa. Era duro e transparente. Seria vidro?

Ela presumiu com base no que havia acontecido.

Por que há uma parede de vidro aqui?

Sanji usou as mãos para sentir a parede e percebeu que era muito grande, e se perguntou quem instalaria uma parede de vidro aqui. O jovem que estava mastigando as bolinhas olhou para ela novamente.

Avançando de seu ponto anterior do vidro, agora estava muito perto do homem.

— Ei, olá. É a minha primeira vez aqui, então não estou muito familiarizada…

O jovem pareceu entendê-la. Ele inclinou a cabeça e observou-a por um tempo antes de apontar para atrás dela.

A entrada está atrás?

Sanji rapidamente se virou e ficou atordoada. Ela levou alguns segundos antes de compreender a situação à sua frente.

O purgatório provavelmente se parecia com isso.

De onde ela estava até a borda do horizonte, podia ver o solo negro. As plantas que pontilhavam a paisagem não eram de um adorável verde brilhante, mas de um preto esverdeado. Elas eram como a pele de um velho agonizante.

Nuvens cinza-chumbo pesadas pendiam do céu, fazendo o céu parecer muito mais perto do chão. Era como se o céu estivesse pressionando a terra, exercendo uma pressão sombria no coração de uma pessoa.

Naturalmente não havia ninguém morando entre as ruínas decrépitas dos prédios desmoronados. Ocasionalmente, algo do tamanho de uma cabeça humana rastejava do chão. Era um besouro de algum tipo cuja aparência daria pesadelos a uma adolescente por uma semana. A coisa olhou para Sanji com seus grandes olhos vermelhos e rapidamente se enterrou no chão novamente.

Mesmo que Sanji já tivesse visto muitas criaturas repugnantes vivendo no fundo do oceano, não pôde deixar de tremer quando os arrepios apareceram em sua pele.

O que há de errado com este mundo?

Ela se virou rapidamente. Assim que estava prestes a gritar, percebeu que o jovem comendo as bolinhas não estava em lugar nenhum. Sanji examinou os arredores e não encontrou ninguém por perto. Ela bateu na parede de vidro enquanto gritava alto.

— Ei! Tem alguém por perto? Alguém pode me dizer onde fica a entrada?

Ninguém respondeu. Ela procurou ao redor da parede tentando encontrar a borda. Mas rapidamente ficou desapontada.

Esta cidade limpa e bonita parecia estar envolta em um globo de vidro. Sanji não conseguia sentir a borda superior do vidro nem qualquer lacuna perto do chão. Pior de tudo, ela estava fora da proteção do vidro.

Neste ponto, até mesmo um idiota poderia dizer o que estava acontecendo. Algum tipo de desastre assustador certamente devastou este mundo e acabou com a maioria da população e das terras habitáveis. Contudo, a perícia técnica dos residentes aqui era maior que a do Inferno Hipertermal. Isso provavelmente resultou na criação desta “cidade de vidro” para proteger a população humana restante.

O problema aqui era descobrir qual era o desastre.

Sanji bateu no vidro e continuou gritando. Eventualmente, suspirou e parou depois que ninguém a respondeu. Era impossível para ela quebrar esse vidro protetor. Mesmo que o material se assemelhasse ao vidro, não era nada parecido com o vidro que ela conhecia, porque o material era tão forte que não havia esperança de quebrá-lo.

— Que isso! Vocês poderiam pelo menos pendurar uma faixa por aqui para nos dizer, recém-chegados, o que está acontecendo aqui fora!

Ela se perguntou se suas grandes mudanças de humor estavam afetando seu corpo quando começou a se sentir um pouco cansada. Sanji se virou e caminhou em direção ao vasto trecho de terra negra. No entanto, apenas deu alguns passos quando viu mais quatro ou cinco desses besouros do tamanho da cabeça de uma pessoa. Ela engoliu seu desgosto e andou sem rumo por um curto tempo. De repente, sem qualquer aviso, sentiu uma sensação desconfortável em seu estômago. Sanji começou a vomitar no segundo seguinte e expeliu aquela pequena quantidade de comida meio digerida em seu estômago.

Ao mesmo tempo, se sentia cada vez mais cansada, enquanto seus passos ficavam sobrecarregados.

“Plop”.

Todo o corpo de Sanji se sentiu fraco quando caiu no chão. A terra negra do chão caiu em cima de seu corpo após o impacto. Antes de perder a consciência, de repente entendeu do que a “cidade de vidro” estava protegendo aquelas pessoas.

Era radiação.

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.

2 Comentários

  1. Já que um é inferno de radiação espero que Sansi encontre pelo menos um degenerado versão Hulk. Obrigado pelo capítulo

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