PA – Capítulo 59

O Oásis Mostra suas Garras Pela Manhã

 

 

Debaixo da cama, Sanji viu apenas uma pilha de lençol rasgado. Marcie puxou o lençol e percebeu imediatamente que não bateu o suficiente no 12º. Em algum momento, ele deve ter acordado. Como o efeito da limpeza durava apenas 120 segundos, ele recuperou seus aprimoramentos físicos. Uma vez que tinha voltado à sua força original, um único lençol certamente não era forte o suficiente para mantê-lo amarrado. De repente, Marcie se sentiu arrependida, desamparada e até um pouco assustada. Se ela não tivesse perdido mais de 40 minutos procurando pela Sanji, ele talvez não tivesse escapado…

No entanto, o maior problema que elas estavam enfrentando agora era: se 12º intencionalmente deixasse o Oásis e fosse para algum lugar longe, a Marcie iria desaparecer novamente.

Depois de pensar nisso, Sanji ficou inquieta.

— Marcie, eu não acho que ele foi longe, por que não procuramos agora? De qualquer forma, a entrada do Oásis está sendo vigiada…

Marcie suspirou depois de ouvir a sugestão:

— Ele ainda está no Oásis. Eu posso sentir isso. — Olhando para a Sanji, ela explicou um pouco impaciente: — Por exemplo, se eu puder me mover livremente dentro de um raio de 100 metros do Lutero… eu sentiria uma sensação de perigo quando estivermos separados por 70 metros de distância. No entanto, neste momento, não sinto nada. Isso significa que ele não está longe de nós. Estou certa disso.

Sanji franziu a testa, sem saber se isso era uma boa notícia. Mesmo que a Marcie não estivesse em risco de desaparecer agora, isso também significava que o 12º estava por perto, vigiando-as secretamente.

Mas onde?

Depois de refletir sobre isso por um tempo, ela bateu palmas e finalmente tomou uma decisão.

— Marcie, vamos embora. Olha só, eu tenho uma ideia, — Sanji disse com uma expressão séria.

— Nós já encontramos um cônsul. Oásis é um lugar complicado. Além disso, Jinfeng tem uma agenda contra nós. Se não fosse pela série de eventos que aconteceram ao longo dos últimos dias, só um idiota ficaria nesse lugar. Como o 12º desapareceu, é melhor a gente sair daqui primeiro. Se esperarmos por ele lá fora, de uma forma ou de outra nós vamos pegá-lo.

Pensando por um momento, ela continuou.

— Embora o Oásis tenha sido criado modificando um grupo de fábricas, todas as outras entradas estão bloqueadas. Até mesmo o terreno usado para a agricultura é cercado por muros altos e portões de metal. Se o 12ª quiser sair, ele terá que sair oficialmente. Caso contrário, teria que subir as paredes ou forçar a passagem pela entrada principal. Não importa o método que ele escolha, é só a gente vigiar do lado de fora.

Mesmo que fosse um plano bem vago, parecia bastante viável — o rosto da Marcie ficou visivelmente mais tranquilo enquanto ela ouvia a Sanji. Com um rosto menos desanimado, ela concordou:

— Não fale mais nada, isso definitivamente vale a pena tentar.

Para o plano dar certo, só tinha um problema: como é que elas iriam sair secretamente com os veículos.

Era até fácil para eles saírem sem os veículos. Entretanto, só de mudar os veículos de lugar atrairia atenção, imagina então sair do Oásis descaradamente.

— Vamos esperar até a manhã chegar. Daí a gente pode sair secretamente e ver como estão as coisas. — Essa foi a única ideia que a Sanji conseguiu pensar depois de muito tempo. — Quase todo mundo estará dormindo de manhã, então a segurança deve ser mais fraca. Ao mesmo tempo, você precisa ficar alerta, se perceber que o 12º está se afastando, você precisa me falar.

Marcie assentiu com a cabeça, preocupada. No passado, com todas as doze personalidades no mesmo corpo, nenhuma delas poderia ferir uma à outra. No entanto, na situação atual, ela não conseguia parar de pensar na experiência traumática de testemunhar as consequências do que aconteceu com a médica no instituto mental.

Sanji suspirou baixinho ao ver o rosto da Marcie. Depois de terem discutido sobre o plano para a manhã, ficaram quietas com o coração pesado. Sabendo que um maníaco homicida estava vigiando-as, elas não ousaram se separar. Ambas se espremeram na minúscula cama da Sanji e conseguiram descansar um pouco. Depois de algum tempo, elas ouviram o volume crescente de vozes de pessoas e vários ruídos vindos do primeiro andar. Seguido por vários barulhos de caminhada e pelo cheiro de comida. Sanji sabia que os deveres daquele dia tinham terminado e mais uma vez era hora das refeições.

Considerando o que elas tinham planejado para a manhã, ambas tentaram comer o máximo que conseguiram, mesmo sem apetite. Elas voltaram para a cama e deitaram por quase três horas até o subsolo ficar ligeiramente mais claro. As pessoas no subsolo gradualmente adormeceram, e o som de respirações encheu o lugar.

Quando elas sentiram que a maioria das pessoas estava dormindo, Sanji se sentou e chamou a Marcie para segui-la. Elas caminharam em silêncio pelo corredor, tentando fazer a menor quantidade de barulho possível. Dani abaixou o livro que estava lendo e virou a cabeça ao perceber o par de pés passando pela sua cortina.

— Eu estou um pouco preocupada com o Lutero. — Marcie confessou depois de terem passado por quase 200 cubículos.

— Por quê?

— Ele não sabe do que aconteceu com a médica. — Marcie fez uma careta, — Outra personalidade assumiu o controle do corpo depois que isso aconteceu. Todos outros dez de nós e os médicos discutimos sobre isso, e por fim decidimos esconder esse fato do Lutero.

Marcie suspirou e continuou:

— Naquela época, Lutero ainda era jovem, ele era apenas uma criança… Quando você nos conheceu, você viu como ele estava orgulhoso por ter várias personalidades. Ele sempre sentiu que era legal ter esse distúrbio. Se ele descobrisse que havia um monstro escondido em seu corpo, e que havia assassinado uma mulher inocente com as próprias mãos… — Marcie parou neste momento.

Sanji concordou silenciosamente. Apesar do Lutero já ter vivido em diferentes mundos apocalípticos por um total de dois anos, talvez porque ele tivesse pessoas ao seu redor e porque não experimentou nada muito cruel, Lutero conseguiu manter uma personalidade gentil e direta como muitos outros adolescentes de sua idade. Sanji estava certa de que ele não seria capaz de aceitar que algo do tipo tinha acontecido. Ela não tinha certeza se ela mesma conseguiria aceitar tal trauma se isso acontecesse com ela.

Sanji sabia que a Marcie era muito próxima do Lutero, mas não sabia como consolá-la, então apenas deu um tapinha de leve no ombro da Marcie. Elas pararam quando chegaram à entrada da escada. Como esperado, eles viram a Yu sentada em um banquinho vigiando a porta. Yu parecia exausta enquanto se encostava na parede, fechando os olhos, com a cabeça caída.

Por que ela tem tanto medo de que as pessoas saiam durante o dia? Sanji comentou baixinho, desconfiada. Ela observou a Yu cuidadosamente. Yu estava sentada no meio do corredor que dava na porta, então seria muito difícil passar por ela. Quando Sanji estava prestes a tentar a sorte, teve um pensamento repentino. Usou sua Escola da Elevação da Consciência e processou o que tinha acabado de ver. Era difícil acreditar que seu olhar, que durou apenas meio segundo, tinha tanta informação. Sanji sentia que geralmente andava de olhos fechados.

Havia um copo de água e um pedaço de papel dobrado ao lado da Yu. Do verso do papel, ela pôde ver o vago esboço do conteúdo escrito em caneta preta — cinco dias antes, Sanji também viu um pedaço de papel semelhante ao lado da Yu. Ela instintivamente recuperou a imagem de cinco dias atrás. Depois que a imagem foi ampliada e as palavras refletidas, ela conseguiu entender o que estava escrito.

O papel era uma lista com o nome dos cinco administradores dos prédios e algumas tarefas importantes. Quando Sanji comparou os dois pedaços de papel, percebeu que nos últimos cinco dias, três dos cinco administradores tinham sido substituídos. Um deles era a Irmã Li, que tinha recebido o grupo no primeiro dia do Oásis. A razão pela qual eles foram substituídos era a mesma: pessoas dos prédios deles tinham saído durante o dia. Essa era provavelmente a razão pela qual a Yu tinha se tornado tão sensível neste ponto.

Sanji rapidamente desativou sua habilidade antes que gastasse muita energia. Parou por alguns segundos antes de sussurrar para a Marcie:

— Cuidado, vamos tentar passar por ela.

Marcie assentiu e caminhou na ponta dos pés, passando pelo copo de água no chão. Ela era ágil, então rapidamente alcançou a porta do subsolo. Abriu cuidadosamente a porta e gesticulou para a Sanji segui-la. Ambas saíram pela porta sem fazer qualquer barulho. Yu não notou nada enquanto descansava a cabeça em seus próprios ombros, completamente adormecida.

Depois que elas fecharam a porta, uma cabeça apareceu no corredor não muito longe delas. A pessoa olhou na direção da Yu, perplexa, e colocou seu longo cabelo atrás das orelhas. Essa pessoa era a Dani. Ela seguiu as duas mulheres porque estava curiosa.

Dani olhou em volta para verificar se não havia ninguém. Yu também estava dormindo. Dani sentiu como se fosse uma ladra, e seu rosto corou de excitação. Imitando a Marcie, ela puxou a porta furtivamente.

Depois que elas saíram do subsolo, ambas as mulheres foram para o salão principal. Dani tentou ouvir os passos quase silenciosos e seguiu as outras mulheres. Como não haviam luzes nas escadas, estava muito escuro. Dani tateou o caminho para o andar de cima. De repente, ela cambaleou quando tropeçou e quase caiu devido a um pedaço de concreto quebrado no chão. Ela se apoiou apressadamente, mas acidentalmente chutou um pedaço de concreto pelas escadas.

Pa, pa, pa.

O pedaço de concreto rolou escada abaixo e acertou a porta. O som que fez ecoou na escada, e Dani ouviu um barulho atrás da porta.

O coração da Dani disparou. Ela estava com tanto medo que subiu a escada três degraus de cada vez. Correu para o salão principal — mesmo sem saber como iria voltar mais tarde. Ela queria fugir da Yu por enquanto.

Atualmente, o salão principal deveria estar incrivelmente quente, mas estava bem mais escuro do que a Dani esperava. A malvada luz do sol parecia estar abafada. Dani piscou confusa, incapaz de reagir imediatamente. Seus olhos percorreram o local e ela viu as duas pessoas. Ambas as mulheres estavam paradas imóveis na entrada do prédio. A luz do sol que se espalhava pela entrada dava a elas distintas sombras negras. Dani olhou para trás e caminhou rapidamente em direção às mulheres.

Antes que elas pudessem ouvir seus passos, como se tivesse olhos na parte de trás da cabeça, Sanji se virou e olhou para a Dani. A reação da Sanji assustou a mulher. Ela queria falar alguma coisa, mas o cenário lá fora chamou sua atenção. Sua boca estava aberta enquanto ela ficou atordoada.

Havia numerosos degenerados no céu do lado de fora. Aqueles degenerados tinham desenvolvido asas negras e voavam por toda parte. Havia tantos degenerados ao redor que eles bloqueavam a luz do sol. O chão estava coberto por trechos de suas sombras. Havia até mesmo alguns degenerados nos telhados de alguns dos prédios, que andavam sem asas, mas com a conhecida boca.

Sanji tinha uma expressão muito tensa. Ela colocou um dedo sobre os lábios, sinalizando para Dani ficar quieta. A testa da Dani estava coberta de suor frio enquanto concordava repetidamente. De repente, um grito penetrante rasgou o silêncio. Naquele momento, o sangue delas congelou.

Yu conseguiu persegui-las, mas agora estava sentada no chão. Seu rosto estava pálido e lágrimas escorriam pelo rosto. Seus lábios estremeceram algumas vezes, e ela finalmente soltou um grito sem sentido de novo:

— Ahhhhh… Ahhhhhh… Ahhhhhh!

Antes que Sanji pudesse dizer “Merda!”, os degenerados começaram a pousar no chão do lado de fora do prédio, levantando uma nuvem de poeira.

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.

3 Comentários

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!